Da beleza masculina


Ana Vidal,

 

“Mas não tenhas gosto em frisar com ferro o teu cabelo, nem rapes, com a aspereza da pedra pomes, as pernas; deixa que façam isso aqueles por quem a mãe cibeleia é celebrada ao som de cantos ululantes. Uma beleza desarranjada é o que fica bem aos homens.

A filha de Minos, Teseu a levou, sem ter a cabeça enfeitada com qualquer gancho. Hipólito, Fedra perdeu-se de amores por ele, e ele não era muito elegante. Paixão de uma deusa foi Adónis, afeiçoado aos bosques.

É a limpeza que deve dar prazer, revele o corpo a pele tisnada no Campo de Marte; esteja a toga apresentável e sem nódoas; não deve usar-se calçado ressequido e não haja ferrugem nas fivelas, nem ande o pé a nadar, desengonçado, em pele largueirona; nem dê mau aspecto a cabelos enrijecidos um corte mal feito; sejam cabelo e barba aparados por mão firme; as unhas não devem dar nas vistas de compridas e devem estar limpas; no nariz não deve haver qualquer pêlo; não saia mau hálito de uma boca malcheirosa, nem atinja o nariz dos outros o fedor do macho e do pai do rebanho.

Quanto ao resto, deixa-o por conta das mulheres dadas ao prazer ou de qualquer homem que tenha o vício de possuir outro homem.”

(Ovídio, in A arte de amar)

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