«El pasado está vivo en la memoria, el futuro presente en el deseo»
Carlos Fuentes – uma das figuras cimeiras do chamado ‘realismo mágico’, que congregou nomes de romancistas que permanecerão ligados a um dos melhores momentos de sempre da literatura universal, como Gabriel García Márquez, Juan Carlos Onetti, Mario Vargas Llosa, Julio Cortázar, Miguel Angel Asturias e José Lezama Lima – era não só um grande ficcionista mas um excelente cronista, crítico, ensaísta, espectador sempre comprometido com os acontecimentos contemporâneos. Envolveu-se em polémicas, com frontalidade e desassombro, na defesa dos seus ideais que contrariavam tantas vezes os ditames da correcção política, como bem se percebe nesta entrevista publicada em Janeiro, uma das últimas que concedeu. E nunca faltou à chamada quando as circunstâncias o intimavam a ser solidário com quem sofria – no seu país ou em qualquer outro.
Há dias, a propósito do seu falecimento, lembrei-me que ele era também um excepcional pensador. Sobre os mais variados temas – incluindo a morte. «Creemos que la muerte de hoy dará presencia a la vida de ayer. Con Pascal repetimos: “Nunca digas ‘lo he perdido’. Mejor di: ‘lo he devuelto’”. Piensa que es cierto. Hay quienes mueren para ser amados más. Piensa que el muerto amado vive porque el amor que nos unió está vivo en mi vida. Piensa que sólo lo que no quiere sobrevivir a todo precio tiene la oportunidad de vivir realmente.» Este seu belíssimo texto escrito há dez anos bem pode servir de epitáfio ao gigante das letras mexicano que nunca ganhou o Nobel mas conquistou justamente o coração de milhões de leitores no mundo inteiro.


Boa homenagem, Pedro – é a minha vez. É, sim, uma parte da velha novelística que morre. A actual olha para a história como metáfora, não como uma área de trabalho ou de luta. Prefere os ambientes urbanos, os diálogos sem interlocutor ou mesmo os monólogos. Estamos a ficar com poucos intérpretes. Mas há ainda muitos vivos. E talvez isto seja apenas uma fase ruim.
Tal como tu, Fernando, julgo que é apenas uma fase. E também como tu demarco-me dos intelectuais – e dos escritores em particular – que “olham para a história como metáfora, não como uma área de trabalho ou de luta”. Ainda como tu, acredito com toda a convicção que “há ainda muitos vivos” que não tardarão a pegar no testemunho.
Um abraço amigo.
Mas ganhou-o essa ténia que nos deixou uma espanhola e uma fundação. Blheque!