Na tarde de 25 de Abril de 1961 toca um telefone algures em Los Angeles. É Dexter Gordon quem levanta o auscultador. Trata-se de uma chamada interurbana de Nova Iorque e do outro lado da linha apresenta-se o sotaque carregado de Alfred Lions, o dono da Blue Note. Em três tempos chegam a acordo: Dexter mudar-se-á para Nova Iorque, assim que legalmente lhe for permitido, e passará a gravar para a Blue Note.
Se há telefonemas que salvam uma vida, este foi um deles.
Depois de ter sido o “gato” mais bem apessoado do nóvel be bop, Long Tall Dexter, o maior jazzmen de sempre (tinha 1,98m), entregou-se aos azares dos estupefacientes, ao que sucedeu a concomitante descida aos infernos prisionais. Dexter perdera quase toda a década de 50 atrás das grades.
É assim que renascido, no final de 1962, Dexter enclausura-se durante dois dias no estúdio e em estado de graça, debita num fôlego 12 temas. Com eles foram editados os seus melhores dois discos: “Go!” e “A Swingin’ Affair”.
Depois, sempre inquieto com as tentações, fugiu para Paris onde grava em 1963, com outros “refugiados” “Our Man in Paris”.
Só voltaria aos EUA mais de uma década depois, mas o que estava feito, estava feito – não chega?

Tambem esteve em Cascais no saudoso Novembro de 71.
Terá sido assim, caro Alexandre? 1/estive-la/
http://www.etudogentemorta.com/2009/1
Foi assim mesmo, foi um acontecimento historico, e claro, podemos dizer que estivemos lá!
Tenho há um quarto de século esta trilogia – em lugar de honra na minha modesta discoteca doméstica. Nunca me canso de escutar qualquer destes discos.