O início da era Hollande (2)


Pedro Correia,

 

«Como é que alguém consegue governar um país que tem duzentas e quarenta seis variedades de queijo?»

Charles de Gaulle

 

Dados macro-económicos da França que François Hollande herda de Nicolas Sarkozy:

– crescimento médio do PIB entre 2009 e 2011: 1,5%

– crescimento do PIB em 2012 (previsão): entre 0,4% e 0,7%

– desemprego: 10,1%

– défice público: 5,2% do PIB

– dívida pública: 83% do PIB

 

Promessas eleitorais de Hollande:

– renegociação do tratado orçamental

– redução em 30% dos salários do Presidente e dos ministros

– equilíbrio orçamental em 2017 (défice zero)

– introdução na Constituição do princípio da concertação social

– concessão do direito de voto aos cidadãos estrangeiros provenientes de países extra-comunitários

– actualização do salário mínimo, indexado ao crescimento do PIB

– criação de 150 mil empregos para jovens: “contratos de geração”

– incentivos fiscais às empresas que contratem pessoas com menos de 30 anos e mantenham nos seus quadros pessoas com mais de 55 anos

– criação de 60 mil postos de trabalho no sector da educação público da educação e cinco mil na justiça durante os próximos cinco anos

– diminuição da idade de reforma para 60 anos quando houver 41,5 anos de descontos

– reforma fiscal: novo escalão de 45% para rendimentos acima de 150 mil euros e de 75% sobre os rendimentos superiores a um milhão de euros por ano

– taxa de IRC de 35% para grandes empresas, 30% para as médias e 15% para as pequenas

– renegociação dos acordos com Bélgica, Suíça e Luxemburgo que permitam cobrar impostos aos exilados fiscais

– reforma bancária, criando um banco público de investimento separado da banca comercial

– maior regulação do sistema bancário

– proibição de envolvimento da banca francesa em paraísos fiscais

– aumento de 15% do imposto sobre os lucros bancários

– congelamento durante três meses dos preços dos combustíveis e do gás

– redução da componente nuclear da produção de energia eléctrica dos actuais 75% para 50%

– manutenção do Estado nos sectores postal, dos transportes e da energia

– redução do preço dos medicamentos e maior comparticipação de genéricos

– redução para metade da taxa do insucesso escolar

– casamento entre pessoas do mesmo sexo, com reconhecimento do direito à adopção

 

Fica o registo. Para dentro de um prazo razoável verificarmos quantas destas promessas foram cumpridas – e em que termos. Cada vez mais os políticos devem ser confrontados entre o que propõem aos eleitores e aquilo que são capazes de concretizar assim que ascendem ao poder.

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22 comentários em “O início da era Hollande (2)”

  1. Sempre é verdade que ele foi já hoje ter com Angela Merkel ?? Mas já estava a data marcada,independentemente de quem fosse o vencedor das eleições ? Ou será que não há assessores que lhes segredem ( sim, aos dois ) pssst, há mais dias na semana…

    Le grand Charles avait une idée de la France…pas celle-ci j’en suis sûr …

  2. Agora parece mais provável que o povo vai dar umas murraças…

    É o que dá elevarem a mediocridade ao nível da média da opinião pública.

    A democracia “social” é coisa para decidir em função do número de contribuintes, se os há, há…senão pede-se emprestado…

    Agora a matlha popular não vai querer que lhe tirem o osso que vem roendo…

    Nada de novo na História.

  3. Acho verdadeiramente surpreendente que logo a seguir à posse como PR, o senhor Hollande se desloque à Alemanha.
    Será que os seus assessores não lhe dizem que este gesto parece de subserviência e que seria bem mais natural que fosse a chanceler a visitar a França?!

      1. Consta que ele telefonou a “son ami” Mário e que o diálogo foi mais ou menos assim:
        – Alô, Mario. Bonjour. Angela m’a demandé à aller tout de suite à Berlin, jusque après ma investiture. Ça te dérrange?
        – Non, pá!!!!
        – Merci bien, mon ami.

        E desligou. Por vezes em política ocorrem estas dificuldades de comunicação.

  4. Seria muito interessante, e certamente esclarecedor, fazer o mesmo relativamente às promessas do governo de Portugal.

    Fica a sugestão.

    1. Foi feito, aqui no DELITO.

      Elenco de promessas eleitorais do PSD:
      delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/3048966.html

      Elenco de promessas eleitorais do CDS:
      delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/3047590.html

  5. François Mitterrand, depois de varias derrotas, em 1981 finalmente chegou ao Eliseu. Por acaso estive em França nessa altura, e havia no ar uma euforia parecida com o pós 25 de Abril aqui em Portugal, ao ponto de haver muito boa gente que se referia ao gaullismo como “l’ancient régime”. Como bem sabemos, o novo regime socialista em menos de tres anos transformou a França que era uma potencia de primeira grandeza, no país que conhecemos hoje.
    Este socialista que diz frases como “sou normal mas não sou banal”, e nos continua a surpreender dizendo que o seu modelo politico é George Pompidou, não arranja nada melhor para fazer no dia da sua posse como Presidente da França, do que ir a Berlim sossegar a Sra Merkel. Nunca visto!
    Quanto à listinha que publicou no seu post meu caro Pedro, ela fica para memoria futura e desconfio que ainda havemos de falar muito dela.

  6. “- reforma fiscal: novo escalão de 45% para rendimentos acima de 150 mil euros e de 75% sobre os rendimentos superiores a um milhão de euros por ano”

    Mais vale proibir a riqueza.

    1. Repare no pormenor da esperteza saloia: vai propor a renegociação dos pactos fiscais com os vizinhos Belgica, Luxemburgo e Suiça, para poder ir lá cobrar os impostos dos que não querem ser roubados. Este é mais um dos que para não acabar com os pobres, quer acabar com os ricos.

          1. Mais uma questão. O Obama não ambiciona também ir ao bolso dos ricos? E não tem do seu lado o Soros? Eu sei que as taxas Hollande são exageradas, mas não me digam que os Republicanos têm razão sobre os “Jobs creators”?

          2. Veremos como, quando e se François Hollande concretiza estas promessas. De Obama teremos certamente muita ocasião de falar durante a campanha eleitoral do segundo semestre deste ano.

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