Talvez seja a grande questão política das décadas que agora começam. A inversão de valores de Reagan e Thatcher tornou as economias do Ocidente reféns de um punhado de decisores não eleitos. A crise de 2008, é bom não esquecer, foi provocada por esta gente. Ora, nós estamos tão contaminados pela retórica liberal que se torna necessário um trabalho de higiene: os Estados precisam de recuperar a autoridade que perderam. Os Estados devem decidir que dívidas pagam, quando as pagam e em que condições. Alcançar isto é o trabalho da Esquerda.
A autoridade do Estado.
vidabreve,

Por esta gente refere-se a Clinton e às sua política de pressão sobre o Freddie Mac e Fannie Mae (organismos estatais). http://prospect.org/article/clintons-rec ord-fannie-and-freddie#main-content
É que não se vê o que Margaret Tatcher o Reagan tenham a ver com a questão!
E o que significa “as economias do Ocidente reféns de um punhado de decisores não eleitos”?
Pode explicitar em que é refém? Quem é que decide não eleito? Os empresários? Quer controlo político político da economia? Deu as prateleiras vazias de URSS e Europa do Leste.
Reagan aumentou mais a despesa publica e o défice que Clinton.
Não costumo dialogar com a direita caceteira, mas para beneficio dos leitores convém recordar que a social-democracia nos deu as sociedades mais ricas, com a riqueza melhor distribuída do Ocidente. Tatcher deu-nos os yuppies e os indigentes de Liverpool.
As sociedades sociais-democratas que refere foram possíveis, entre outras coisas, por terem deixado as despesas de defesa por conta dos USA. De defesa contra a URSS, entenda-se.
Embora não costume falar com a esquerda caceteira este elemento das despesas de defesa não pode ser escamoteado.
Tatcher transformou a Grã-Bretanha num país moderno e próspero.
Liverpool e outras áreas com problemas “post-industrias” – partes do Rhur, por exemplo – já eram referenciadas nos anos 70, bem antes de Tatcher chegar ao poder. Foi em parte para atenuar os problemas dessas áreas que surgiu o FEDER.
Tragam aumentou a despesa pública para acabar com a URSS. O país em que tudo era decidido pelo estado, que detinha toda a autoridade, pura e simplesmente compreendeu que estava longe de poder competir, em termos financeiros e científicos com os EU em algo como a “Guerra das Estrelas”. A paridade tinha chegado ao fim.
Por cada euro produzido em Portugal 38% vão para o Estado.
É o deboche liberal!
Na Suécia é mais. Eu trocaria de bom grado.
Mas para isso precisas de suecos, Luís. Isto com portugueses não vai lá.
E, para além do que escreveu o João, não é tanto o ponto de chegada como o trajecto.
Reparem que isto é secundário para mim. O importante é alterar as relações de poder. Os Estados têm poder e já não sabem que o têm, porque passaram duas décadas e permitir que se esvaísse.
A questão não é essa: é a caracterização, como liberal, de estados que se apropriam de 40% do produto da economia. Há que respeitar as palavras. Um mínimo que seja.
Eu não caracterizei o Estado como liberal. Para respeitar as palavras é preciso ultrapassar a iliteracia.
Os Governos da Esquerda e Direita Socialista que tanto apoia não foram eleitos por muitos, na verdade uma maioria das pessoas dos respectivos Estados não votou neles, por isso não devem ter o poder de tornarem as populações que os não elejeram suas reféns.
Os Sócrates,Cavacos ,Obamas ,Passos etc etc não devem ter poder de endividar os outros, que não votaram neles.
Coisa que defende.
Você não se cansa de si próprio?
Só dá para isso ?
Ainda não notou que foi o Poder excessivo do Estado sobre as pessoas que o fez endividar-se?
Mas antes disso, os Estados têm de decidir (melhor) que dívidas contraem. Recuperar a autoridade é essencial, concordo, mas não há autoridade nem autonomia sem essa responsabilidade previamente assumida. E isso é trabalho da Esquerda, da Direita ou de seja quem for que esteja no poder em cada país.
Tiraste-me as palavras da boca. Os Estados têm de começar por decidir a quem pedir emprestado (!), o que talvez seja uma boa chatice para um Estado que quer decidir depois se paga, quando paga e como paga…
João Carvalho: o estado portugues deve indiscriminadamente: gasta mais do que tem e por isso deve pontes, como deve clips ou papel de carta. O desgoverno é geral.
Ao gastar o que não tem, distorce toda a actividade económica ( sem que gere qualquer benefício, como qualquer keynesiano honesto sabe).
Se os Estados negociarem em posição de autoridade, e não de fraqueza como tem acontecido, os investidores não embarcarão tanto em projectos loucos e serão mais cautelosos.
Mas isso é mais ou menos indiferente para mim: o importante é que o poder público assuma o poder de facto, e não o contrário. Para isso tem de criar as suas próprias regras e não de cumprir as impostas por outros.
Cumprir não é levar por diante a sua parte de um acordo? E depois de um acordo essa parte cria novas regras para não cumprir? Hum… Isso é autoridade ou batota?
Não sei: mas aplicou-se aos cortes de subsídios da função pública. Autoridade ou batota?
E aos cortes nas transferências sociais com que milhões de pessoas contavam porque era um compromisso e por isso descontaram durante décadas. Autoridade ou batota?
Eu respondo João: no Estado actual das coisas chama-se autoridade quando é imposto aos cidadãos, e batota quando é mencionado (mas nunca imposto) a grupos económicos fortes.
«Os Estados devem decidir que dívidas pagam, quando as pagam e em que condições. Alcançar isto é o trabalho da Esquerda.» Pensei que era disto que falavas, Luís.
Sim, estava a responder à tua objecção sobre o acordo.
Mas pareceu-me mais que ainda estavas a responder ao Lavoura aqui por baixo. Porque o âmago, se bem consegui ler o teu post, era sobre dívidas internacionais ou entre Estados e não decisões caseiras por parte de quem tenha mandatos votados por maiorias para governar e tomar decisões que não são do Estado, porque Estado somos todos nós.
A diferença entre o aspecto nacional e internacional é só uma questão de poder. Os mandatos aplicam-se a ambas as decisões. Dizer que o Estado somos nós é uma maneira airosa de desresponsabilizar quem nos governa e responsabilizar quem não foi eleito para tomar decisões.
Com esse desvio do post fica tudo mais claro. Mas o tema era o post, meu caro.
O A. do post faz uma confusões. Uma coisa é fazer batota dentro do país. É batota e tem repercussões más, dá mau nome, mas os cidadãos estão mais ou menos indefesos. Outra é aplicar a doutrina enunciada à dívida pública que vende nos leilões internacionais. Quem comprava com essas tais condições. Ou pondo as cpisas no seu devido lugar: quem empresta dinheiro a um vigarista?
Somos pessoas de bem quando cortamos salários aos pobrezinhos, mas somos vigaristas quando não pagamos a dívida internacional? Excelente argumento.
Essas palavras e o estado são seus.
O meu estado não gasta o que não tem e não comete ilegalidades.
Explique lá isso melhor. Negociar o quê com quem? E com que autoridade?
O estado português é altamente deficitário e autoritário. O estado sueco lu suiço ou dinamarquês sãos superavitários.
Com que critérios é que generaliza? Ou, por “estados”, refere-se à governação socialista grega, espanhola e portuguesa e aos deficits públicos que geraram? O problema não é dos “estados”.
E sobre o estado português, que fazemos? Obrigamos o fundo de pensão de reforma dos professores do Oregon a comprarem mais dívida? Ou fazemos outra auto-estrada? Ah, que Os investidores não foram cautelosos? Os Espírito Santo? Os Mellos? O que deviam ter feito? Recusarem PPPs? Mas o governo de Sócrates em 2007 ou 2010 não tinha autoridade?
Leitor confuso.
Leitor Confuso, de facto.
Os Estados devem decidir que dívidas pagam, quando as pagam e em que condições.
Quer isto dizer que, se eu fôr amanhã aos correios levantar alguns certificados de aforro, o empregado me poderá dizer que o Estado decidiu não mos pagar de volta, ou só mos pagar daqui a seis meses, ou só pagar metade deles?
O Estado já fez isso com os certificados de afforo, exactamente.
Fez? Quando? Deve ter sido no passado longínquo.
Nunca fez, seria declarar falência.
O que sucedeu foi pagar, ao contrário: pagar parte de um subsídio com certificados de aforro.
É extraordinário como se podem dizer coisas destas!
Não me apetece procurar nos arquivos. Poupe-me à indignação selectiva, que já não há paciência.
De que dados dispõe para dizer que a minha indignação é selectiva?
Abrangente é o meu espanto ao ler o que disse dos certificados de aforro e o que isso revela de total desconhecimento do funcionamento da economia e finanças.