Retomei a normalidade do quotidiano. Foi com alguma dificuldade. Mas com uma enorme mais valia, porque faço tudo mais devagar. Encontrei finalmente tempo para olhar à minha volta e descobrir cores e volumes que via todos os dias sem os olhar.
Hoje fui lanchar com uma querida amiga ao Darwin, um local esplêndido na Fundação Champalimaud. Há muitos anos que não fazia isto a meio da semana. Na verdade, como gosto muito do que faço, enleio-me no trabalho e perco a noção do lazer – descanso.
Agora estou noutra perspectiva. A de fazer só o que me der prazer. Por isso deliciei-me com a vista, o sol, o rio. As coisas simples da vida. Com a noção de que esta pode acabar a qualquer instante e que vale a pena estar atenta aos pequenos detalhes que nos trazem felicidade.
Sem qualquer nostalgia. Apenas sabendo que quando se perde tudo, o pouco com que se fica, é já uma riqueza…


Um grande beijinho, Helena.
E fazes muito bem em abrandar. Não porque não aguentes a pedalada, mas porque já mereces.
Mas não és mulher para “ir indo”… tu “vais”, sempre.
Beijo, leoa! 🙂
Compraz-me sabe-la de volta, Dr.ª Helena.
Quando li que gosta tanto do que faz que até se esquece de descansar, revi-me por inteiro, no excerto.
Eu ainda sou estudante e os professores que tenho bastante exigentes, pese embora sejam simultaneamente compreensivos e afáveis.
Desde que entrei para a faculdade esqueci-me de viver. Na faculdade estava as aulas todas a que podia assistir (embora tivesse de me ausentar em algumas por ser trabalhadora-estudante), chegava a casa passava todos os apontamentos da aula para o pc (todos os meus cadernos estão passados no pc e impressos, é mais fácil perceber o que está escrito e mais fácil para poder ajudar os meus colegas) e ao fim-de semana estudava 9 a 10h por dia. Enfim… perdi grande parte da minha vida na Escola Superior de Educação, até que um dia, sem saber porquê, acordei com imensas tonturas e muita falta de ar. Ao chegar ao hospital, os médicos que me assistiram foram unânimes: esgotamento. Felizmente, fui assistida por uma médica que me fez perceber que devia parar e que não era assim que eu ia atingir o sucesso escolar, ela até me mandou namorar mas eu prezo muito a minha liberdade e não fui nessas cantigas. Fiz o que ela me aconselhou… nunca mais estudei tanto, embora continue a aplicar-me ao máximo, e as notas melhoraram. Mas compreendo, por isso, também o deleite que colocou nas palavras quando relatava a tranquilidade com que vive atualmente, embora por motivos bem diferentes eu também tive de aprender a viver com mais tranquilidade e percebi que é muito bom, às vezes, colocar os livros na estante e ir apanhar um bocadinho de sol, ou ir até às minhas origens, Viana do Castelo, e esquecer que a faculdade existe. Só ao fim-de-semana, mas sim, agora sei que há mais vida para além do estudo (ou do trabalho). Renasci e aprendi a viver.
Um abraço,
Vânia Edite Batista
É verdade Vânia. Às vezes é preciso um abanão para voltar ao essencial que é “viver”!
Obrigada Drª Helena, pelas palavras simpáticas.
De facto, tive de aprendi a parar.
Mas sou determinada. Queria mesmo licenciar-me e para isso tive de aprender a gerir horários. Num dia com 24 horas, não encontrava minutos escassos para o lazer. Trabalhar, estudar, fazer os trabalhos de faculdade, prestar auxílio à minha mãe, que entretanto foi operada á coluna e gerir todos os afazeres de uma casa, nem quando ia dormir conseguia descansar. Até ser obrigada a “mudar de vida”, como diria António Variações.
Obrigada novamente pelas palavras simpáticas.
Vânia Batista
Ainda bem, cara Helena, que a grande perda que sofreu, não fizeram com que mergulhasse num mundo só de sombras e que a sua conhecida força anímica, tenha feito com que reuinisse forças para reconhecer as cores que preenchem a vida.
Um forte abraço, Grande Senhora!
A Ana tem razão: não vais indo. Vais, minha querida, sempre foste. Beijos.
Palavras sábias de um grande Senhora.
Mais uma vez, obrigada pelas suas palavras e por “se partilhar” connosco!
Um grande abraço.
Se me permite, espero que aproveite, sinta, respire, observe, escute e saboreie cada instante, cada momento das coisas verdadeiramente simples nesta nossa passagem.
Se me permite, envio-lhe um grande beijinho.
David F.
Helena,
Carpe diem!
D. Helena. De uma mãe para outra mãe, um grande abraço. Jamais haverá palavras, portanto para quê escrevê-las. Como bem diz “…quando se perde TUDO o pouco com que se fica, já é uma riqueza…” Muita força! Obrigada por existir.
Vi a Drª Helena na feira do livro e apeteceu-me tanto dar-lhe um abraço do tamanho do mundo…
O post refere tudo,directo,sintéticto,como o leed do jornalista que é,com o sentimento presente e a frieza coerente e necessária para a vida continuar.
Cordiais cumprimentos do fim das ocidentais fronteiras …