
[Foto: via Desacordo.net]
Fui num pé à sacramental Feira há já vários dias, e lá aproveitei algumas daquelas pechinchas especializadas (coisas do INCM, alfarrabistas & companhia) que todas juntas, só ali.
No meio de muito desconforto e bastante animação, fiquei feliz em dar conta que boa parte dos seus frequentadores estão, finalmente, adaptados à velha máxima “não há mau tempo, só mau equipamento”. Vi carrinhos de bebé quitados com os mais variados e coloridos impermeáveis; pais ataviados como quem comprou bilhete para ir à Patagónia; casais de miúdos com aquela pinta de quem acabou de chegar da viagem à Serra da Estrela. Poucos com medo da chuva e de molhar o sapatinho. Sempre gostei deste ambiente todo-o-terreno.

“não há mau tempo, só mau equipamento” – verdade!
Na Alemanha, também andam carrinhos de bebé e crianças pequenas na rua, com temperaturas negativas. E não faz mal a ninguém. O importante é sair, andar ao ar livre (nada de centros comerciais). Faz bem à saúde, física e mental.
Viva a Feira!
De facto, Cristina, muitos dos nossos vizinhos europeus não colocariam os pés fora de casa, se ficassem à espera de dias radiosos e temperaturas amenas.
Eu não gosto da feira com chuva, nem sei porque raio é que anteciparam a data nos últimos anos. Os livros nunca se deram bem com a água, como diz o nosso Skywalker. Era muito mais simpática a feira em Maio/Junho, com sol e moscas.
Na questão da data, concordo; não percebo bem as motivações da antecipação da data. E não consigo pensar na Feira sem pensar em sorvetes, um bocadinho de calor, festas da cidade…
Sou fã da Feira do Livro desde sempre. E também desde sempre escuto as mesmas críticas que lhe são feitas. O que não invalida esta evidência: ano após ano, é um dos grandes acontecimentos culturais em Lisboa. Faça chuva ou faça sol. Como a Cristina observa, e bem, em tantos países da Europa com muito pior clima do que o nosso as pessoas andam na rua e não se refugiam em centros comerciais, ao contrário do que continua a suceder em Portugal onde um bocadinho de chuva ou um quase-nada de vento logo afligem tanta gente.
Pois, Pedro: lembro-me de, há uns três ou quatro anos, no regresso a Portugal depois de muitos dias pelo norte de França, reparar precisamente nesse contraste. Por lá chovia quase todos os dias, e cada um seguia o seu caminho sem alarde; à primeira molha para cá dos Pirinéus, julgo que em San Sebastian, foi um desbaratar de gente a acoitar-se onde podia que só vendo.
Percebo-te. Mas detesto chuva. Precisamente porque somos meridionais, não lidamos bem com a molha… e ficamos em casa. Além do mais, há tendas e essas coisa modernas.
A intempérie é, para mim, o preço da casticidade desta feira de rua.
Neste caso, digo-te como dizem os brasileiros:
«Chuva não encolhe gente, né?» 🙂
O nosso problema não é a chuva, mas a falta dela.