Cravo


Patrícia Reis,

Hoje é o dia da Liberdade. Dos cravos e das canções do Zeca Afonso e da voz de Paulo de Carvalho. Hoje é o dia que não pode  ser esquecido porque, afinal, vivemos há menos tempo em democracia do que vivemos sem ela.

Liberdade tem vários sinónimos, um deles é reciprocidade, paridade, o ser para os outros na mesma medida em que são para nós. Não há gavetas e caixinhas. Liberdade são pessoas, rostos de todos os feitios e formatos, que podem conversar e sorrir.

Este dia é, todos os anos, um dia feliz. Hoje será um pouco menos porque uma mãe perdeu um filho e esse filho amava, tanto quanto a mãe, a liberdade ganha. Não está cá para a celebrar. Assim, quando for à feira do livro, logo à tarde (se São Pedro ajudar) levarei um cravo pela Helena, pelo Miguel e por todos os que não o podem trazer ao peito. Em sinal de que a memória não se apaga nunca. 

6 comentários em “Cravo”

  1. Isso mesmo, Patrícia, a memória nunca se apaga e nela viverão sempre os que partiram.
    Um beijo enorme à nossa Helena, não sei mais que fazer do que escrever estas palavras, tão pouco afinal, muito pouco. A morte deixa-nos impotentes.
    Os meus pensamentos estarão hoje também com o Miguel, que só conheci se não pelos meios de comunicação mas por quem sempre nutri simpatia pela verticalidade e humildade. São tão raras as pessoas assim. Dedicar-lhe-ei também um cravo.
    Um beijo para ti também, querida Patrícia.

    1. Querida Leonor, é isso: importa não esquecer. É bom ver o meu filho, com 12 anos, de cravo ao peito. É uma tristeza que tenhamos perdido o Miguel. Tive a sorte e o privilégio de trabalhar com ele. Amo a Helena, como todos sabem, por isso os meus pensamentos, o meu coração, está com ela. Um beijo grande

  2. Muito bem, Patrícia. O meu cravo simbólico vai também para o Miguel Portas, esperando que continue a velar por essa liberdade que conquistámos e que devemos também a ele. Tendemos a considerá-la um dado adquirido porque esquecemos depressa, mas não é. E o Miguel foi sempre exemplar a defendê-la e a mantê-la viva.

    (gostava de dar um salto hoje à feira mas não sei se consigo. estive lá ontem e está muito bonita)

    1. Querida, um beijo grande, grande. Decerto que nos veremos na feira.
      Hoje, como em todos os outros dias, teremos de ser e de estar com aqueles que amamos. E nunca esquecer. Beijo grande

  3. Para Helena

    Não há dor maior que a dor da perda do menino de sua mãe!
    Dor injusta e cruel, dor que não devia existir no mundo.
    O menino de sua mãe não morreu!
    Paira no céu, feito nuvem,
    Nuvem suave e doce
    como era seu rosto e seu sorriso
    De homem generoso e bom.

    Nesta hora tão triste não há mãe
    que não esteja com a mãe
    que perdeu o seu menino.

    Luísa Novo Vaz

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