Kai Althoff, “Domingo de Ramos”, 2010(?)
Na Alemanha, no que à arte concerne, nunca estamos onde esperaríamos encontrar o que procurávamos. Dizendo pintura, imaginam-se as telas sofridas e suplicantes dos neo-expressionistas (Kiefer, Baselitz), habitantes da primeira linha da Guerra Fria, com os seus anúncios de tempos finais. Mas poderemos acabar por ir ter a Kai Althoff. Donde lhe vem o traço? Talvez de Grosz, subtraindo-lhe Weimar.
Revendo pais e avoengos, rejeitando pais e avoengos, Kai Althoff anuncia-nos um Domingo de Ramos. Ou seja, o dia em que a revolução entrou na Cidade, aquela revolta que ao fim de uma semana se esvaziaria num fiasco total, no seu programa de derrube dos fariseus e do jugo de Roma, com o líder traído, humilhado e executado. Só a História foi diferente disto. Mas isso é que vemos neste quadro.

