Instantâneos de uma semana que termina


escafandro,

O Ministro das Finanças, inflexível até com o seu congénere da Economia, aceita que a TAP não aplique os cortes salariais previstos. A TAP é uma empresa de capitais públicos que já não recebe fundos públicos desde 1997. A RTP, que tem recebido duzentos e tal milhões de euros por ano, reclama o mesmo tratamento.

 

A EDP apresenta lucros recorde. A EDP é uma empresa quase monopolista num país com preços de energia muito acima da média. Parte desses preços resulta da carga fiscal. Outra parte resulta de contratos que a troika exige que sejam revistos. Os contratos continuam por rever.

 

O Ministro da Educação diz que o custo médio das obras da Parque Escolar é de 15 milhões de euros em vez dos 2,8 previstos. A Parque Escolar diz que é mentira e acrescenta que o custo médio é de apenas 12 milhões. No Parlamento, um deputado do Partido Socialista mostra-se escandalizado e acusa o governo de manipular dados.

 

No primeiro dia do julgamento do caso Freeport, uma testemunha sob juramento mantém que um dos arguidos afirmou ter pago 2,5 milhões de euros a José Sócrates. A «justiça» (as aspas são propositadas e o uso de minúscula também) nunca achou conveniente interrogar José Sócrates sobre o assunto.

 

Cavaco resolve confessar que Sócrates não o escutava. Silva Pereira, o clone de Sócrates, responde dizendo que houve uma época em que o receio de Cavaco era de que Sócrates o escutasse demasiado.

8 comentários em “Instantâneos de uma semana que termina”

  1. “Fernando Augusto- este presidente é completamente inútil para o país… ele que se demita… faça um favor ao povo, vá-se embora, desapareça….”

  2. A EDP é uma empresa quase monopolista num país com preços de energia muito acima da média

    (1) A EDP não é monopolista. Qualquer empresa, e penso que também qualquer consumidor particular, pode livremente escolher outro fornecedor de eletricidade. Fica é desprotegido pelos preços regulados.

    (2) O preço da eletricidade em Portugal é mais baixo do que a média da União Europeia, tanto para particulares como para empresas. Não está “muito acima da média”, está abaixo (embora não muito) da média.

    1. (1) O “quase” não está no texto por acaso, Luís. E um mercado cujas regras acabam por favorecer uma única empresa é um mercado que opera quase em monopólio. Claro que poderíamos discutir se era preferível aplicar já uma total liberalização ao sector. Em princípio, sou a favor mas reconheço que há exemplos em que isso não parece funcionar em benefício do consumidor (gasolineiras).

      (2) Não em termos de paridade do poder de compra. E, no caso do gás, creio que nem em termos absolutos.

      1. (1) Eu não creio, sequer, que as regras do mercado de eletricidade favoreçam a EDP. A EDP é obrigada a fornecer eletricidade a preços regulados (limitados) aos consumidores domésticos que os tinham. Essa é uma obrigação da EDP e, portanto, não constitui um favorecimento desta.

        De facto, devido a essa obrigação, a EDP é forçada a suportar um elevado “défice tarifário”, que suporta pedindo dinheiro emprestado nos mercados. Ou seja, a EDP anda a subsidiar a eletricidade de todos nós graças a empréstimos que pede nos mercados financeiros. Não me parece que tal situação possa ser descrita como um favorecimento da EDP…

        Mas posso estar enganado, ou a ver mal a coisa.

        (2) A eletricidade não tem nada que ser mais barata em termos de paridade do poder de compra. A eletricidade é gerada a partir de carvão e gás natural, que Portugal compra ao mesmo preço a que outros países os compram. Portugal dispõe de outras fontes – hidroeletricidade, vento – que potencialmente embaratecem a eletricidade, mas que geram apenas quantidades limitadas dela. Outros países dispõem de eletricidade nuclear, cujo preço é muitas vezes “político”.

        Em todo o caso, sendo a eletricidade um bem transacionável e gerada a partir de bens transacionáveis, é de esperar que o seu preço seja mais ou menos idêntico em todos os países – independentemente do nível salarial de cada país.

        1. Luís, vou unir os pontos (1) e (2). É verdade que as matérias-primas têm preço idêntico. Ainda assim, há custos que são mais baixos: os salariais, por exemplo. Podem ser quase irrisórios mas, se lhes juntarmos o défice tarifário que menciona, torna-se estranho que o preço da energia em Portugal não esteja claramente abaixo da média europeia (eu sei que os impostos são agora os quintos mais elevados mas, até há uns meses, julgo que também não andavam longe da média). Ou o défice tarifário nos outros países é ainda superior ou a nossa produção é especialmente cara (com ou sem questões políticas, não será a opção nuclear mais barata do que as renováveis?) ou as margens de lucro da EDP são excessivas. Ou talvez a resposta certa esteja numa combinação das duas últimas hipóteses.

    1. termina a semana, e ainda não conhecemos a estatística da mortalidade em portugal, nesta semana que termina.
      aguardamos ansiosamente, porque agora em portugal é assim: aguardamos as estatíticas da mortalidade para tomar medidas para evitar a mortalidade.
      ainda sou do tempo em que as epidemias de gripe eram detectadas pela afluência dos pacientes afectados aos centros de saúde e urgências hospitalares e, sendo constatadas por esta via, as entidades da saúde e os orgãos de comunicação avisavam e aconselhavam a população.
      agora temos uma atitude mais moderna e detectamos esse tipo de epidemias a partir das estatísitcas de mortalidade. é o progresso.

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