Andas ‘escondido’ também por aqui, Pedro!? Que boa surpresa, embalada nesta magnífica La Solitude (ça n’existe pas, não é?) do grande Boris Vian. Obrigado
Escrevi Vian e queria ter escrito Leo Ferré, sorry. Afinal, a maravilha da música embriaga-nos e ficam vozes e sons na nossa cabeça que vão e vêm numa valsa à ‘mille temps’ e a mil vozes (as que nos marcaram, e Vian e Ferré estão lá). Obrigado, uma vez mais
De facto, meu caro, esta é uma daquelas canções que se tornaram verdadeiramente imortais. Como ‘Avec le Temps’, também do Ferré. Canções do século XX. Mas deste século também. E do próximo que vier.
Upa upa, a canção do século de hoje. Eu diria mesmo que é uma canção do milénio, daquelas que um dia servirão para definir a qualidade da raça humana para um alienígena qualquer.
Leo Ferré, grande companheiro, apesar das diferenças ideologicas, da adolescencia. Hoje almocei um belo bacalhau assado no forno com batatas a murro, regado com um verde tinto de Monção, porque apesar de alentejano, gosto muito do que vem de Entre-Douro-e-Minho. Quando me sentei para almoçar, sintonizei o Mezzo, e infelizmente estavam a passar os ultimos acordes da Tosca. A seguir passaram um programa que se chama “os coros do mundo”. O coro de hoje, é francês e juvenil, de crianças talvez entre os 7 e os 12. O maestro, de cujo nome apenas retive o apelido, Bardot, começou a lição aos jovens com a seguinte frase: “para se cantar bem num coro tem que se pôr um ar de imbecil feliz”!, e apontou para ele proprio. Entre duas garfadas de bacalhau, olhei para a televisão e vi que o Bardot é um tipo de meia altura, com barriguinha, com falta de cabelo, uma barba rala, e uns oculos a meio do nariz. Depois, já com mais atenção vi-o a trabalhar com os miudos, e sem paternalismos, mas com muito rigor , ensinhar-lhes como é que se canta. E na entrevista que lhe fizeram, explicar como é que se ensinam os miudos a cantar. Extraordinario! Depois foi o concerto já com orquestra, as miudas com vestidos sobre camisas brancas e uns lacinhos, e os rapazes com uns blazers e bem engravatados. Tudo com muito bom ar, em suma. E a musica, a musica foi celestial. Cantaram excertos da Missa de Mozart, e outras coisas que não consegui identificar. Mas com uma qualidade indescritivel. E no fim dei comigo a pensar porque é que em Portugal não é possivel acontecerem coisas como esta. Se calhar porque nenhum maestro, desses altamente eruditos que por aí abundam, tenha a coragem de dizer a miudos de 10 anos que para “se cantar bem num coro, é preciso pôr um ar de imbecil feliz”, e dar como exemplo de um “imbecil feliz” ele proprio.
Gostei muito dessa pequena história do quotidiano que aqui nos trouxe, Alexandre. Fez-me lembrar um programa que via/ouvia em miúdo na RTP – ‘Concerto para Jovens’, do maestro Leonard Bernstein.
Andas ‘escondido’ também por aqui, Pedro!? Que boa surpresa, embalada nesta magnífica La Solitude (ça n’existe pas, não é?) do grande Boris Vian. Obrigado
Sim, Zé. Estou por aqui. Mas nada escondido, muito pelo contrário. Como é público e notório.
Gosto de ver-te por cá. Um abraço.
Escrevi Vian e queria ter escrito Leo Ferré, sorry. Afinal, a maravilha da música embriaga-nos e ficam vozes e sons na nossa cabeça que vão e vêm numa valsa à ‘mille temps’ e a mil vozes (as que nos marcaram, e Vian e Ferré estão lá). Obrigado, uma vez mais
De facto, meu caro, esta é uma daquelas canções que se tornaram verdadeiramente imortais. Como ‘Avec le Temps’, também do Ferré. Canções do século XX. Mas deste século também. E do próximo que vier.
Upa upa, a canção do século de hoje. Eu diria mesmo que é uma canção do milénio, daquelas que um dia servirão para definir a qualidade da raça humana para um alienígena qualquer.
Eu hoje ainda estou numa de assim…
http://youtu.be/L1tHNqKlmzs
Amanhã é outro dia, como dizia quem sabia do assunto. 🙂
Pois. Dizia o Rhett Butler. Que, ao que consta, nunca leu Verlaine nem ouviu o Ferré.
Ouvia a Scarlett. Que bastas vezes o deixava escarlate.
O Rhett Butler era saudável demais para estas densidades dramáticas…
A Scarlett sim, era menina para apreciar o Ferré.
Ui, quel frisson. Do melhor! Léo & eu sempre nos entendemos muito bem 🙂 Acho que fundei mesmo uma liga de amigos de Léo…
Hum. Já vi que aprecias o signo Leo. Leão.
Léo. Leão. Sporting.
(isto anda tudo ligado)
Leo Ferré, grande companheiro, apesar das diferenças ideologicas, da adolescencia.
Hoje almocei um belo bacalhau assado no forno com batatas a murro, regado com um verde tinto de Monção, porque apesar de alentejano, gosto muito do que vem de Entre-Douro-e-Minho.
Quando me sentei para almoçar, sintonizei o Mezzo, e infelizmente estavam a passar os ultimos acordes da Tosca.
A seguir passaram um programa que se chama “os coros do mundo”.
O coro de hoje, é francês e juvenil, de crianças talvez entre os 7 e os 12. O maestro, de cujo nome apenas retive o apelido, Bardot, começou a lição aos jovens com a seguinte frase: “para se cantar bem num coro tem que se pôr um ar de imbecil feliz”!, e apontou para ele proprio. Entre duas garfadas de bacalhau, olhei para a televisão e vi que o Bardot é um tipo de meia altura, com barriguinha, com falta de cabelo, uma barba rala, e uns oculos a meio do nariz. Depois, já com mais atenção vi-o a trabalhar com os miudos, e sem paternalismos, mas com muito rigor , ensinhar-lhes como é que se canta. E na entrevista que lhe fizeram, explicar como é que se ensinam os miudos a cantar. Extraordinario!
Depois foi o concerto já com orquestra, as miudas com vestidos sobre camisas brancas e uns lacinhos, e os rapazes com uns blazers e bem engravatados. Tudo com muito bom ar, em suma.
E a musica, a musica foi celestial. Cantaram excertos da Missa de Mozart, e outras coisas que não consegui identificar. Mas com uma qualidade indescritivel.
E no fim dei comigo a pensar porque é que em Portugal não é possivel acontecerem coisas como esta. Se calhar porque nenhum maestro, desses altamente eruditos que por aí abundam, tenha a coragem de dizer a miudos de 10 anos que para “se cantar bem num coro, é preciso pôr um ar de imbecil feliz”, e dar como exemplo de um “imbecil feliz” ele proprio.
Gostei muito dessa pequena história do quotidiano que aqui nos trouxe, Alexandre. Fez-me lembrar um programa que via/ouvia em miúdo na RTP – ‘Concerto para Jovens’, do maestro Leonard Bernstein.
Ahh!
E esta é sem dúvida uma das canções da minha vida…
E das vidas de muitos de nós, Gi.