Em campo aberto II


claudiakover,

Quero ficar com os pés plantados neste lugar, sem nunca mais perder as raízes, nem deixar a chuva me levar. Quero ficar neste solo ainda que inóspito e sem previsão de florir em meu redor. Quero ficar aqui ao lado desta pedra, quer ela me contemple com desassossego ou de olhar gelado. Ele é pedra. Levanta-se com mais facilidade do que eu, que posso cair morta só com a força do puxão. Ele não tem época para ser levado. Eu sou flor, mas tenho em pedra o meu coração. 

2 comentários em “Em campo aberto II”

  1. Eu penso muito nos esquimós. Eu vejo um povo que habita num dos climas mais inóspitos da Terra e dali não sai. Habituaram-se a caçar baleias e a construir Iglus do gelo e da neve. Não querem outra coisa e ali são felizes. Muitos de nós adaptamos-nos a climas agrestes e daí não saímos. Seremos felizes? Não sei. Mas não queremos outra coisa.

    1. Caro Bruno, agradeço o comentário. É verdade, há sítios inóspitos e desagradáveis, mas que são os únicos sítios nos quais, naquele momento, queremos estar. Isso deve-se quase sempre às pessoas ou às memórias. Acho.

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