A polémica acerca da falta de tolerância de ponto no Carnaval mostra várias coisas interessantes. Aquela a que acho mais piada é como, avaliando pelo que a televisão nos mostra, hoje quase não há casos urgentes nos hospitais e centros de saúde. Pelos vistos, os portugueses só têm problemas de saúde nos dias de trabalho.
(Donde talvez o Ministro da Saúde devesse tentar convencer o resto do governo a aumentar e não a diminuir o número de feriados. A poupança que isso permitiria…)

Vários factores:
– a deslocalização: gente que estaria a atulhar, por exemplo, o Santa Maria, encontra-se, de momento, na sala de espera do Hospital de Torres Vedras. Ou no de Cabo Verde…
– o fenómeno “nariz na porta”: o pessoal, suspeitando que os hospitais estão em serviços mínimos, evita recorrer a eles para não se sujeitar a recordes de espera. O que acaba por resultar no contrário: serviços mais calmos do que o habitual e uma atendimento mais célere.
– o sossego: para alguma gente, foram mais duas horas na cama, seguidas de outras duas de robe a ver televisão e ainda mais um tempito entretidos com coisas da casa ou passatempos. É um dia menos propenso a certo tipo de acidentes ou maleitas.
– a história do “a ver se passa”: em dia de folga, as pessoas que se sentem adoentadas tendem a tolerar mais os sintomas, na expectativa de que a coisa se resolva com um cházinho e umas doses de paracetamol. Não tendo compromissos inadiáveis ou prazos a cumprir no imediato, podem dar-se a esse “luxo”.
Em Torres Vedras até o hospital deve estar fechado… 🙂
Ok, são bons argumentos. Mas a sério: em dias de festa não há doenças.
Claro que não. Mente sã, corpo são. 🙂
:-))
O Ministro da Saúde ainda te vai buscar!
Tinha de me pagar muiiiiiito acima da tabela – nem quero imaginar as críticas que lhe fariam (e a mim) aqui no ‘Delito’… 😉
Nem mesmo para curativos nos narizes daqueles que nalguns sítios bateram com o nariz na porta?
Hoje, narizes vermelhos ou inchados só como parte de fantasias…
Sempre que a função publica faz greve é uma boa notícia para o défice, por isso não anda lá longe.
Bom, isso é verdade mas neste caso é ao contrário, lucklucky: a função pública (enfim, parte dela) teve de trabalhar (o que obrigou o Estado a pagar-lhes o subsídio de almoço) e foram os cidadãos que não apareceram. Pelo menos nos centros de saúde.
é que a alegria, Zé António, traz saúde – e semeia a produtividade.:-)
Saúde talvez. Mas, se os serviços ficam às moscas, produtividade duvido.
Outro ponto, mais importante: é o Carnaval português, essa imitação pimba, foleira, básica, pacóvia e ridícula (podia continuar mas não quero correr o risco de chatear os apreciadores da coisa) que faz as pessoas felizes?
referia-me à produtividade do dia seguinte.:-)
(não, julgo não ser obra do carnaval mas da festa. as festas fazem o povo feliz, sim.) 🙂
Hoje nas urgencias hospitalares… sómente : Ferrovi
arios.
…
São-lhes pagas as baixas e tem medicamentos de borla”
…Baixa… sempre são mais uns”cobres” a ajuntar ao muito que ja auferem…
Medicamentos: “Pra” familia e amigos.
Não, esses também estavam nos desfiles de Carnaval. Rindo-se com as palhaçadas de quem lhes paga os salários…