«”Padeiro”, “corar” e “pregar” sofrem ainda hoje o efeito da crase das vogais depois da queda das consoantes intervocálicas. Para os que dizem que a língua muda, este fenómeno é um rico exemplo da velocidade a que isso se dá. As consoantes intervocálicas caíram nos séculos IX e X e Fernão Lopes ainda dobrava todas essas vogais no séc. XV. Se não sabe do que lhe estou falar é boa oportunidade, vá lê-lo. Em complemento deixo-lhe as Lições de de Philologia Portuguesa do dr. José Leite de Vasconcellos com a papinha da explicitação destes casos para se lhe não embrulhar muito a digestão.
“Actual” e “tactear” só provam que o fenómeno de fechamento das vogais é tão real e intenso que se dá mesmo quando haja consoante etimológica para abrir o timbre da vogal anterior. Mas saiba que um mediano dicionário indicará a recta prosódia de “actual” e “actividade” (àt).
O cê soa em “caracteres” (e provavelmente para si também em “caractere”). Aprenda a falar e deixe-se de piadas sobre is abertos; todos casos de consoante etimológica com valor nulo antecedida de i ou u foram furiosamente limados na reforma de 1911. Doutra forma teríamos “victima”, “fructo”, “producto” e (com licença) “delicto” (e não se perdia nada se tivéssemos). Mas aprenda o que é coerência gráfica em vocábulos da mesma família para perceber porque “tactear” deve grafar-se intacto e sem mutilação. Pense em “reflicto”, pois! Reflicta nele e em egípcios que talvez ajude…
Do nosso leitor Bic Laranja. A propósito deste post da Helena Sacadura Cabral.


Às vezes, não leio tudo o que os nossos comentadores escrevem e perco estas respostas. Correctíssimo e excelente.
É também para isto que serve esta rubrica, que se tem mantido desde o início do DELITO – já lá vão mais de 150 semanas. Além de com isto homenagearmos também os nossos leitores. Um dia destes deixo aqui uma antologia destes “comentários da semana”, Ivone.
Grato pelo destaque.
Cumprimentos!
Destaque merecido, Bic.
Merecidíssimo destaque. Aliás, termos comentadores do nível de Bic Laranja é, por si só, razão para nos orgulharmos.
Sem dúvida, Ana.
No mesmo post, o “Bic Laranja” confessa não ter lido o Acordo por “ter coisas mais importantes para ler”. Paciência. O que mais há nessa questão é especialistas no que não leram. Agora, especialistas no Google Books e no Web Archive, esses encontram-se às pencas!
Tanta coisa para aprender vem logo o cavalheiro recomendar-me um dejecto em letra de forma dumas cavalgaduras que nem conta se dão que ‘fêmea’ leva sempre circunflexo desde que se escreve com acento (Base IX, 3º). E pela restante colecção de disparates que lá se acham, um pampilho pelos lombos ou uma garrochada na cernelha aos cabrestos que foram capazes de o gerar, não se perdia ele nada. O mesmo se recomenda a si.
Cumpts.
Na verdade o comentário citado é uma argamassa de ignorância e de contradição, como ficou bem demonstrado noutros comentários no mesmo post.
Como se resolvem coisas destas? Não resolvem, citam-se ditados portugueses: “para quem é, bacalhau basta “e “não se atiram pérolas a porcos”.
Vossemecê, não fundamenta (nem pensa) no que diz já vejo. Só aprecia vir no fim largar o seu bacalhau a pataco, para colher o efeito de que «a última ideia é que fica». E a quem atira as suas pérolas de… «raciocínio»? – Enfim, aos leitores deste blogo…
Continue.