A propósito de certas nomeações, formulo algumas perguntas, identifico certas evidências através de frases feitas e deixo ainda um aviso que, dizendo respeito à gestão dos comentários, acaba também por ser uma reflexão sobre o país:
A Primeira Pergunta:
No caso das nomeações de Manuel Frexes e Álvaro Castello-Branco para a Águas de Portugal, o primeiro dos quais Presidente da Câmara do Fundão que, como se sabe, tem um litígio por dívidas com aquela entidade, ainda vale a justificação, utilizada a propósito da EDP, de que as escolhas são imputáveis aos accionistas privados?
A Segunda Pergunta:
O facto de o Ministério da Agricultura, Mar, Ambiente e Território responder pela sigla MAMAOT (pronuncie-se mama hot) corresponde apenas a uma apropriada descrição do que está a acontecer por estes dias em termos de nomeações ou deve atribuir-se-lhe um alcance mais vasto de previsão da actuação governamental nos próximos anos?
A Terceira Pergunta:
O Primeiro-Ministro Passos Coelho pretende ser avaliado pelo teor facial da promessa que fez de não colonizar o aparelho do estado e adjacências com boys ou pela capacidade de a cumprir?
As Evidências: a situação não está para brincadeiras, esta merda está um barril de pólvora e não convém chegar fogo ao rastilho, é fundamental não perder a ligação ao país, à mulher de César não basta e tal, bem prega Frei Coiso e não é nada boa ideia meter a mão no vespeiro.
O Aviso: por motivos higiénicos, reservo-me o direito de não responder a comentários que tenham como único objectivo branquear o passado por comparação com o presente ou desculpar o presente contrapondo-o ao passado.

Não se preocupe, meu caro. É só fumaça, como diria o saudoso Pinheiro de Azevedo. O povo é sereno.
Importa não desvalorizar o desespero das pessoas, Francisco. E já por aí anda muito.
Gosto do «Aviso». Tudo o resto me mete nojo. O que se passa neste país atingiu o nivel de inqualificável… Abc.
Abraço, André.
Sou relativamente novo, de direita, apoiei Passos Coelho nas ultimas eleições e neste momento sinto que levei uma facada de alguém que se dizia diferente, honesto, contra as clientelas, e afinal vem mais do mesmo…
Com estas nomeações e mais algumas que se irão saber nos próximos dias acabou o estado de graça deste governo. Estou pronto, como jovem sem direitos e com todos os deveres, a juntar-me a algo que realmente mude este estado e estes políticos
Andamos todos sentados num barril de pólvora, já faltou mais para alguém o atear…
Creio que o estado de graça termina com estas situações, com declarações sobre emigração e com comportamentos que revelam uma progressiva “descolagem” do país e da realidade, AI.
Para além de uma sigla cuja pronúncia nos remete para o universo de um Al Goldstein ou algo similar, quase apetece repetir Mouzinho, depois do combate de Macontene, ” é quase de ter inveja dos mortos ” .
Podem fechar o estabelecimento …
Só não digo apaguem a luz porque é preciso pagar o ordenado ao Catroga, Fernando.
Subscrevo integralmente. Parabéns pela lucidez.
É um assunto em que quero estar absolutamente errado, José.
Rui fizeste uma justa análise do que muitos de nós sentimos.
Sei que o presente está irremediavelmente comprometido, Helena. Mas, queria tanto que os meus pequenitos tivesse um país decente (mesmo se tiver de ser pobre) para viver…
Rui,
o seu post diz tudo. É pertinente no conteúdo e brilhante na forma.
Os comentários que aqui encontrei fazem o sublinhado merecido.
Que me sobra?
Passo o marcador fluorescente para realçar..
Já agora, ouviu as declarações do PGR? Estamos num país de sonho…
Cumps.
Obrigado, AF. Não vi. Mas, não me custa imaginar.
Justo, rigoroso e acutilante.
Um post (mais um) para mais tarde recordar.
Obrigado Rui Rocha, pelos seus valores e coerência.
Fique bem.
Obrigado, Outside.
A única diferença entre os políticos portugueses é que uns são merda, outros cagou o cão.
Assim se fala(escreve), em bom alentejano, e desculpem-me mas tenho que gritar: FUI ENGANADO CARAÇAS!!!!!
Não sou eu que vou contrariar as suas palavras, Singularis,
Subscrevo, Rui. Ainda bem que por aqui ainda vão aparecendo pessoas com alguma distância para verem estas coisas.
De mim não ouvirás branquear o passado. E tenho pena que a liderança do PS ainda não tenha sabido fazer o necessário ajuste de contas com o passivo da herança recebida.
Além do mais, se os outros que saíram fizeram mal, estes não têm qualquer justificação para o que estão a fazer.
O Governo está nas mãos de um menino do coro manobrado por um perigoso apparatchik e é isso que as pessoas têm de perceber. Eu percebi-o demasiado cedo e todas as semanas vou tendo confirmações que me fazem doer a alma.
O festim que começou com a CGD , prosseguiu no AIECP , na EDP (como se alguém acreditasse que os nomes para o Conselho de Supervisão não tivessem sido soprados aos accionistas) e nas Águas, não tem fim. Enquanto não se alambazarem todos não descansam e se alguém disser alguma coisa vêm falar no passado para branquear o presente.
E o espectáculo tem tido exemplos bastantes a nível regional e local. Aqui, pelos meus lados, do Hospital de Faro ao IEFP, da Direcção Regional de Educação aos serviços da D.R . de Agricultura, ou enquanto se aguarda mais um par de bandarilheiros para a CCDR Algarve (onde as pessoas literalmente nada fazem já que não vêm quaisquer indicações de cima e tudo está parado), o que se tem passado faria corar a Linda Lovelace .
Pior é que, como no caso de Manuel Frexes , para além da obscenidade que é “enfiar” o devedor na credora, se estejam a colocar nas empresas autarcas que não terão qualquer hipótese de ser reeleitos, por estarem impedidos por lei de se recandidatarem.
Nada justifica o que está a acontecer. Para maior desgraça nossa esta gente em nada se distingue da que saiu. Sofre dos mesmo vícios. Sendo pior na petulância, como se vê por seis parcos meses. A entrevista de ontem de Eduardo Catroga devia ser passada até à exaustão, essa sim, para que quem não viu pudesse perceber o que se está a passar.
E ou me engano muito ou este Governo será mais um a não chegar ao fim da legislatura. É só aguardar pela privatização da RTP e pelo que atrás dela se esconde. E nada mais te digo. Podes tomar nota.
Um abraço, Rui.
P.S. Peço-te desculpa pela dureza de algumas metáforas mas como elas correspondem ao momento que estamos a viver e tu não és nenhuma flor de estufa, estou certo que me perdoarás.
Não há nada a perdoar, meu caro.
Socialismo de Direita segue-se ao Socialismo de Esquerda.
What else is new?
Claro que isto acaba quando o Estado tiver menos poder económico.
O estranho é muitos que critiquem isto queiram que o Estado continue a ter tanto ou ainda mais poder económico. Querem Virgens no Bordel.
De facto, nada de novo.
Acompanho-o integralmente nestas preocupações, de que também tenho dado eco lá pelas minhas páginas. Quando pensávamos que tínhamos entrado num outro tempo, a frustração é ainda maior… As pessoas aceitam sacrifícios, mas dificilmente aceitam traições!
Exactamente, Eduardo.