“Entre os seis países da União Europeia mais afectados pela crise, Portugal é o único onde as medidas de austeridade exigiram um esforço financeiro aos pobres superior ao que foi pedido aos ricos, revela um estudo recente publicado pela Comissão Europeia. Na comparação com Grécia, Estónia, Irlanda, Reino Unido e Espanha, Portugal é também o País que regista um dos maiores aumentos de risco de pobreza devido às medidas de consolidação orçamental adoptadas durante a crise, ultrapassando a barreira dos 20% da população em risco”.
Esta notícia vem hoje publicada no Jornal Económico On Line e é trágica pela injustiça que revela. Mais trágico ainda, que seja um estudo da Comissão Europeia a revelá-lo.
Portugal precisa de encontrar um rumo de justiça. E perceber que os sacrifícios não podem ser pedidos a todos igualmente. Este é um domínio onde a igualdade tem mesmo que ser substituída pela equidade.


Subscrevo inteiramente, Helena.
Helena,
assino por baixo a “negrito” o que escreveu. O problema é que em Portugal todos, sem excepção, deviam pagar os seus impostos. Mas como sabe, nesta terra de marinheiros, enganar o Estado, não pagando o que lhe é devido, é “quase” legítimo.
O rumo de justiça a que apela, e bem, no seu texto devia começar, provavelmente, nos bancos da escola primária. É ali que se inicia a formar o futuro de um país…
A que momento se referirá o estudo?
“O artigo, que considera o período entre 2009 e Junho do ano passado, revela que “Portugal é o único país com uma distribuição claramente regressiva”, isto é, onde os pobres pagaram proporcionalmente muito mais que os ricos para o esforço de consolidação. Isto num país que é já o mais desigual da União Europeia.” – Jornal de Negócios
Lamento imenso, mas imenso, quase tanto como os factos apresentados, não ter encontrado em parte nenhuma, nas dezenas de citações deste estudo, UMA ÚNICA ligação directa para ele. E que ninguém, nenhum comentador, pareça insurgir-se quanto a este estado de coisas. Não, obviamente, porque a responsabilidade das medidas pertence ao Governo A e não o Governo B, mas porque enquanto aceitarmos colectivamente ser colectivamente tratados como mentecaptos incapazes de processar informação comum mínimo de complexidade e rigor não vamos a lado nenhum.
O estudo chama-se “The distributional effects of austerity measures: a comparison of six EU countries”. Cumpts.
Obrigada, Teresa.
Cara Isabel P S
A teresa foi mais rápida do que eu e já lhe deu a resposta. Bem haja, Teresa!
Mais uma vez obrigada. Os meus longos anos como tradutora deram origem a um infinito respeito pelas versões originais e muito pouco pelas outras… 😉
Sei que estou a ser horrivelmente embirrativa, but bear with me. O disclaimer do estudo diz o seguinte:
“This Research note was financed by and prepared for the use of the European Commission, Directorate- General for Employment, Social Affairs and Equal Opportunities. It does not necessarily reflect the opinion or position of the European Commission, Directorate-General for Employment, Social Affairs and Equal Opportunities. Neither the Commission nor any person acting on its behalf is responsible for the use that might be made of the information contained in this publication.”
Isto não quer de modo nenhum dizer que o estudo não mereça ser referido, que a questão não mereça ser salientada, etc. Mas faz-me lembrar notícias como esta:
http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/I nterior.aspx?content_id=1375288
que, obviamente faz pensar que é a Comissão Europeia que diz que o sistema de saúde português é dos piores, como diz o título, quando a Health Consumer Powerhouse é simplesmente um grupo de lobbying (naturalmente sedeado em Bruxelas) relacionado com o thinktank ultraliberal (no mínimo) sueco Timbro:
http://archive.corporateeurope.org/stock holmnetwork.html#note40
Aguardo aliás com grande expectativa o estudo de 2011 que, naturalmente, eclipsará completamente o “Health at a Glance 2011” da OCDE.
Peço desculpa de estar eventualmente a desviar a questão, mas há alturas em que sinto imenso a falta de um magafone para gritar em cima dos telhados que, enquanto não desenvolvermos uma cultura de rigor em relação à informação, estamos feitos ao bife. Ou à côdea de pão.
IsabelPS
Não está a ser embirrativa, não. Fez muito bem em comentar porque deste modo o esclarecimento fica mais completo!
E insistem:
http://www.dn.pt/especiais/interior.aspx?c ontent_id=2228828&especial=Revistas%20de%20Imprensa&seccao=TV%20e%20MEDIA
E além disso são incapazes de distinguir o indicativo do condicional: o coeficiente Gini melhorou mas a tendência está em risco de ser invertida.
Caso não saiba ser pobre não testemunha nenhuma moralidade superior.
Em vez de querer criar riqueza quer destruí-la uma vez que não é de esperar que o texto ao bater todos os pontos da exploração emocional típica dos populistas de esquerda seja a favor que os pobres tenham liberdade económica: para criarem escolas, abrirem universidades, abrirem negócios que atinjam as corporações estabelecidas e assim porem em causa a elite.
Depreendo pelo que diz que saiba, infelizmente, o que é ser pobre… Mas é pena que não tenha entendido o que escrevi e no fundo pareça considerar que eu não saiba o que é não ter dinheiro para viver. Chamo a essa posição preconceito de classe. Mas este não é o local próprio para lhe falar do que passei nessa matéria. Apenas lhe digo que estudei com bolsa de estudos e me orgulho muito disso!
Gostava de ter visto esta notícia com mais destaque na imprensa. Concordo com tudo o que disse!
Sim, é preciso encontrar uma forma proporcional (e não cega) de distribuir os sacrifícios. O problema é que aquilo que se considera ser um rendimento familiar médio é de tal maneira baixo que já não comporta nem mais um corte. E vai haver mais alguns, é mais do que certo.
Também acredito que venham mais “ajustamentos”.Não sei é muito bem onde possam ser feitos. Talvez Durão Barroso, depois deste estudo, tenha alguma ideia…
Durão Barroso está muito fragilizado e tem pouca voz, apesar do belíssimo discurso que fez, que foi aliás de pura reacção. Sabemos que quem manda hoje em dia na Europa é esse ser siamês chamado Merkosy, em vez de uma equilibrada e justa representação dos países da UE. O problema não está no nosso governo (embora acabe por ser mais troikista do que a troika, o que também não ajuda), mas num enorme desequilíbrio europeu que obriga os membros mais frágeis a dançar num arame sem rede para continuarem a merecer a “honra” de permanecer no grupo dos happy few…
Durão Barroso está fragilizado porque acordou tarde demais… Se o tivesse feito mais cedo, hoje a sua voz teria outro peso. E não foi por falta de aviso.
Os peixes de águas profundas têm este problema. Demoram a vir à superfície!
Pois é, descansou à sombra dos louros… ou das algas. E agora não sabe nadar, iô. 🙂
“Portugal é o único (País) onde as medidas de austeridade exigiram um esforço financeiro aos pobres superior ao que foi pedido aos ricos, revela um estudo recente publicado pela Comissão Europeia.”
Isto, dito assim, sem referir o período a que se refere o estudo, deixa um amargo muito grande: se as medidas de austeridade ainda “vão no adro”, o que nos irá acontecer no futuro?
Os agentes da nossa comunicação social deveriam ser mais cuidadosos e não porem a boca no trombone sem conhecerem a música… Penso eu.
Tiro ao Alvo
Se vir os comentários a Teresa já respondeu à sua observação.
E a Isabel PS também. Espero que tenha ficado esclarecido.