Dentada na maçã


escafandro,

A imagem da Apple como empresa «boa» e de Steve Jobs como personificação do empresário/gestor ideal confunde-me há anos. E confunde-me ainda mais a aparente simpatia da esquerda por uma e outro. Não se trata apenas do facto dos produtos serem caros e operarem em sistemas tão ou mais fechados que os da concorrência (desde logo, que os da «maléfica» Microsoft). Não se trata somente do mau génio de Jobs que, noutra empresa qualquer, o teria transformado num «patrão» prepotente. Não é também apenas o modo como, sempre que tiveram oportunidade (de novo, numa estratégia igualzinha à da Microsoft dos velhos tempos), Jobs e a Apple impuseram pela força da quota de mercado as regras que melhor lhes convinham (vide distribuição de receitas no iTunes). Tudo isto já seria suficiente, com outra empresa, com outro gestor. Mas há também os factores mencionados neste texto de Rui Passos Rocha, n’A Douta Ignorância. Por alguma razão, o conceito de exploração capitalista não se aplica à maçã.

11 comentários em “Dentada na maçã”

  1. O Jobs era uma fraude: quando siu o iPod já havia leitores mp3 no mercado há vários anos. O mesmo com os tablets e o Ipad. Os computadores Macintosh apenas aceleraram o inevitável: maior potência gráfica.

    Tudo que capitalizou foi a ânsia humana por luxo, “griffe” e distinção. Padrinho dos patos bravos.
    A cavalo da mão de obra chinesa, nunca é demais salientar.
    onde podia ter sido patriota, criado riqueza social e produtos de disseminação massiva ( repensando o modo de produção americano) falhou redondamente.

  2. Ia escrever qualquer coisa sobre uma biografia do Steve Jobbs que vi há dias num canal qualquer, mas depois de ler esta troca de comentários só me ocorre uma gargalhada.

    Caro anômino, faça-nos a caridade de aparecer no Delito de vez em quando, sim?

    1. Ana: penso que também vi essa biografia. Onde, por exemplo, mencionaram que, na época do desenvolvimento do Macintosh, ele distribuiu t-shirts com a frase “Working 90 hours a week and loving it”…

      1. Essa mesmo. Onde ficava bem claro, em todos os testemunhos dos colaboradores e amigos, que ele era um genial homem de visão mas também um patrão implacável e injusto, que assacava para si todos os méritos e louros conquistados por uma equipa que trabalhava para ele em condições bem duras. Enfim, a doença e a inteligência deram-lhe uma aura especial, mas parece que estava longe de ser uma boa pessoa.

  3. Excelente post. Muito obrigado. Já tinha escrito sobre o assunto aqui e aqui:

    http://forteapache.blogs.sapo.pt/67966.html
    http://forteapache.blogs.sapo.pt/177189.html

    Não cheguei a referir, porém, um outro aspecto que o JAA aponta e que é, de facto, muito importante: tal como Bill Gates/Microsoft, o sucesso da Apple/Steve Jobs é em parte talento e inovação e noutra parte estratégias de concorrência desleal, sendo que algumas são penalizadas judicialmente e outras são demasiado inteligentes para virem a sê-lo.

  4. Vejam o documentário “Triumph of the Nerds”. É bastante instrutivo.

    Em alternativa, o filme “Pirates of Sillicon Valley”. Menos preocupado com a explicação factual e mais “artístico”, mas igualmente interessante.

    Creio estarem disponíveis no Youtube. Senão, façam como o jovem Steve. Bandeirinha pirata com o Jolly Roger bem alto no mastro, e … great artists steal! 😉

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *