O euro


Luís Menezes Leitão,

 

Foi há dez anos, no início de 2002, que recebemos as primeiras notas e moedas de euros, embora o euro já existisse como moeda escritural desde 2000, funcionando as antigas moedas nacionais como suas divisões. Lembro-me perfeitamente da euforia com que os euros foram então recebidos pelos portugueses, que passariam a ter uma moeda aceite em toda a Europa. O problema foi o que veio a seguir. Os preços dos produtos dispararam, mas ninguém deu por isso, deslumbrado com o crédito fácil que a baixa das taxas de juro tinha proporcionado. As pessoas endividaram-se brutalmente, ficando completamente arruinadas. E o país teve uma década sem crescimento económico, que conduziu as contas públicas ao descalabro actual. E o pior de tudo isto é que o colapso do euro, ou o seu abandono por parte de Portugal, seria um cenário catastrófico, com consequências imprevisíveis. A posição de Portugal em relação ao euro neste momento lembra aquele célebre dito dos brasileiros: “Se fugir, o bicho pega. Se ficar, o bicho come”. Aguardam-se as cenas dos próximos capítulos.

11 comentários em “O euro”

  1. “…Os preços dos produtos dispararam, mas ninguém deu por isso,…”

    sem querer ser desmancha prazeres, eu dei…aliás a regra foi simples, para o tal comércio de proximidade,os queridos que passam a vida a queixar-se e tal e não vendem e as grandes superfícies e tal ,bom, era 100 escudos ?? Passa a 1€ !! Simples, não foi ?? …

    1. De facto foi assim. Eu também dei por isso na altura, mas queria referir-me ao sentimento geral das pessoas. A subida dos preços deveria ter provocado um clamor generalizado de protestos, mas ninguém ligou nada, devido à anestesia do crédito fácil.

  2. Bom… dito dessa forma “recebemos” até faz crer que nos deram um presente, quando, para nós portugueses, se tratou afinal do isco na ratoeira, que trincámos alegremente.
    Agora, ameaçam-nos em voz troante, com um mal ratoeira ainda maior: se saires do euro, lixas-te! Não te esqueças: a tua moeda não vale um chavo, porque não produzes, porque não possuis sustentabilidade e… como deves mais do que vales, ficarás escravo para sempre.
    Isto, faz lembrar as pragas rogadas, nos tempos obscuros da idade média, pelos condenados ao cadafalso, vítimas da prepotência da santa inquisição.
    Mas se o caro Luis Leitão, não descurtina outro caminho que não seja ficarmos a aguardar mais cenas… de mais capítulos…

  3. Vocês parecem aquelas velhotas que são normalmente ouvidas sempre que os repórteres TVI não têm mais nada que fazer:

    E que tal irem ver os índices de inflação antes de dizer ‘parvoices avulsas’ que fazem as delicias da nossa querida comunicação social.

    1. Não se esqueça de dizer às velhotas, a quem pediram mais dinheiro na mercearia da esquina, que não houve inflação nenhuma porque as estatísticas não o comprovam. Lembra-se que quando havia os dois preços publicados, os preços em euros eram fixados, por exemplo, em 14,73. Dias depois da entrada do euro já pediam 14,80 e a seguir 15 para facilitar as contas. Hoje é raríssimo encontrar preços fixados até ao cêntimo. E depois ainda se atrevem a dizer que os preços não subiram.

  4. Eu não me lembro de euforia nenhuma, sinceramente… Só se foi nas televisões (mas aí andam sempre eufóricos e acham que falam por todos). Desde o início que muita gente 1. não achou piada nenhuma a perder a moeda nacional 2. desconfiou de um ajustamento desproporcionado na “economia de rua” – os 50esc para 50c e 100esc para 1euro, como de facto veio a acontecer 3. a segregação das economias de menor dimensão e menores salários no espaço europeu, como também veio a acontecer.

  5. Quais velhotas? Aquelas que apesar de termos alterado os preços dividindo os escudos por 200.482 juravam a pés juntos que a loja onde eu trabalhava tinha aumentado muito o preço?

    Extinga-se o INE e vamos lá ás velhotas que elas é que sabem!

    Eu até entendo este súbito delírio colectivo dos senhores jornalistas em relação a este assunto: É mais facil colocar as culpas no EURO que no Guterres. É que na mesmissima altura desse ‘duplicar de preços’ que passou despercebido ao INE aconteceu a extinção de 2,5horas de trabalho por semana.

    Ou seja, para além dos preços não terem subido como querem fazer crer, os salários aumentaram de forma incomportável, mas isso é chato de admitir a uma CS-guauche

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