Não sei se também vos aconteceu… No meu caso, antes de aprender a ler, os nomes de algumas pessoas soavam de maneira bem diferente daquela que vim a descobrir ser a forma correcta de os escrever. Por exemplo, para mim, Zeca Afonso era Zé Cafonso. Lembro-me também do Omar Xerife (na minha imaginação de menino, naturalmente, um herói do velho oeste) ou do Igreja Isqueiro (Igrejas Caeiro). A maior desilusão foi todavia o Sam Peque em Paz. O nome real de Sam Peckinpah não lhe servia nem para moço de recados.
O som dos nomes antes de os saber escrever
Rui Rocha,

Não me recordo dos nomes que dava às coisas, ou pessoas e personagens, mas reparo que os miúdos têm uma capacidade incrível de tornar as coisas mais simples. Por exemplo, conheço um amoroso, extremamente inteligente para a sua idade, que adaptou o nome de uma personagem dos seus desenhos animados favoritos. Passou de Tom Mate para Toma Leite. Há que reconhecer o espírito inventivo. 🙂
Essa faz-me lembrar uma dos jogadores do Porto, Helena (os futebolistas são, em geral, crianças grandes): ao polaco Mielcarski chamavam Miguel Castro.
E quando em miudo viajava no eléctrico da carris e o “pica”, puxando a correia de cabedal que percorria o trem, junto ao tecto e accionava uma campainha por cima da “mechela” do guarda-freio… sim, porque o que contava na quela época de velocidades vertiginosas, era saber guardar o freio com firmeza, e ordenava; pó de seguir… que era um pó que fazia o ronceiro engenho, mover-se…
Ou então, quando passeava de mão dada com os meus pais, pelas ruas da baixa, inebriado pelos “artigos” expostos nas montras das pastelarias finas e ao passar por um invisual-músico-cantador, sentado num banquinho articulado, ele interrompia o canto e pregoava; é pó ceguinho…
Lembra-te que és pó e cinza e em pó e cinza te hás-de tornar
.
Hmmm… não me parece… não ando a dar na coca, nem fumo axixe…

* fugiu-me o hífen.
Levei algum tempo até perceber que não existia o José Fadóbidos e a descobrir quem era o Do Queloulé.
Absolutamente natural… se pensarmos num presidente da república para quem Almada Negreiros, eram afinal, dois clubes de futebol…
Claro, Bartolomeu!
Essas são muito boas, João.
Ó se aconteceu!!… :)))
Eu alembro-me dum senhor :
“Sacrista.”. ( não digo quem é… tenho vergonha)
Acho que sei quem ele é, AM…
Vivi no Alentejo em plena época da revolução de Abril, recém-casada, e o meu apelido nessa altura era Vasconcelos. Resultado: todos por lá achavam que o meu marido se chamava José Vasco Gonçalves.
Mas a melhor que conheço desse género é a de uma velha empregada, maravilhosa cozinheira mas quase analfabeta (nunca aprendeu a escrever mais do que o próprio nome) que se orgulha muito do seu Xico Zé. E tem toda a razão, não há outro cheese cake que lhe chegue aos calcanhares!
Já o Chick Corea dava uma bela xicória…
:):) 🙂 Conheço uma criança que, quando instada a começar a eliminar os diminutivos, fez uma operação total e passou a chamar ‘golf’ ao golfinho… 🙂
E para mim, uma certa cantilena que me cantavam para adormecer e rezava «uma velha tinha um gato / e debaixo da cama o tinha», foi, durante muitos anos, uma velha que guardava o gato debaixo da “camotinha”… Com essa autoridade, usava a palavra a torto e a direito 🙂 Fiquei envergonhadíssima quando descobri a tramóia que me tinham pregado…
Assim de repente só me lembro dum Conderedondo e dum primo (de certeza…) duns primos meus de Valladolid,ainda por cima Duque, o Dávila …
Então se metermos duas línguas ao barulho, Fernando…
Ainda hoje não sei bem como se chama o Mézi Cleselin da TSF.
Pois. Também eu carreguei essa dúvida anos e anos. Um dia destes, fui ao Google e pronto. Mas, não lhe vou tirar o gosto de descobrir, Rui.
Havia o Bruto Lencastre, nas velhas matinés do cinema. Que não sei se chegou a contracenar com a Rita Ai Vou-te.
Pedro, não me digas que esse aí tinha a ver com um certo ‘must’ – perfume horrível – dos jovens-homens da geração acima da minha: – ”Brutus’, de seu nome.
Sim, sim… eu sei. Foi há “n” décadas e eu era de facto uma pobre adolescente.. Mas já tinha muito faro 🙂 🙂
Desse não me lembro, mas do Agua Brava, eh parentes, litros de Agua Brava…e Eau Sauvage…e Brut (…quand on aime et quand on est aimé…on pense..on offre…Brut…de Fabergé…! )
(para o estilo good gracious me eram o Tabac e o Old Spice…)
Do Brutus não me lembro. Lembro-me da Olívia Palito, pessoa pouco recomendável.
Lembro-me de coisas que não aconteciam “nem à leidabala” e de outras que passaram bem além da aquisição da leitura, como transuente (para além de cônjugue, claro): fui uma leitora muito precoce, mas certas palavras fizeram-me trocar os olhos durante anos.
Sim, eu também carreguei a cruz da “beneficiência” até ter levado um raspanete de uma professora… Já era bem grandinho…
Já eu era adulto, quando descobri que a linha do Minho tinha dois ramais, um de Nine a Braga e outro de Trofa a Fafe. Até aí, pensava que apenas havia um – de Nine a Braga – e que outro era de “trofafafe”, ou seja, com comboios a carvão.