Navegar é preciso


Pedro Correia,

 

Filho e neto de emigrantes, com familiares espalhados por quatro continentes, aos 25 anos eu próprio emigrei. Tinha emprego em Portugal, tinha aquilo a que hoje se chama uma “carreira” por cá. Mesmo assim, emigrei. Passei dez anos longe do País. Regressei com horizontes mais largos, novos conhecimentos, uma enriquecedora experiência profissional adquirida junto de gente com crenças, culturas e línguas diferentes. Foi uma etapa insubstituível da minha vida que jamais esquecerei. Depois, quando colegas mais jovens confrontados com desafios profissionais além-fronteiras me pediam opinião sobre a opção a tomar, sempre os incentivei a partir também. Alguns confiaram no que lhes disse, nenhum deles lamentou ter feito a mala e demandado outras paragens. A vocação universalista dos portugueses confirma-se nesta constante procura de novos horizontes: somos capazes de edificar o nosso lar em qualquer recanto do mundo.

Por tudo isto, venho acompanhando com perplexidade o debate em curso sobre o novo ciclo de emigração eventualmente aberto aos portugueses. Descendentes não dos que partiram mas dos que ficaram, muitos dos que agora se insurgem contra esta perspectiva eram os mesmos que há meia dúzia de anos recomendavam que Portugal devia receber de braços abertos imigrantes oriundos das mais diversas origens, sugerindo até que esse fluxo migratório permitiria salvaguardar a segurança social pública nacional. Alguns deles foram assistindo nos últimos anos sem um esgar de espanto à contínua partida de compatriotas para Angola, onde passaram a residir mais de 150 mil portugueses. São os mesmos que só agora lamentam o facto de haver jovens prontos a trabalhar a milhares de quilómetros do habitual local de residência de pais e avós. Não entendo a contradição: por que motivo havemos de saudar a imigração e chorar a emigração?

Faz-me impressão esta visão paroquialista do mundo contemporâneo que pretende ver cada povo arrumado no seu reduto. António Costa, por exemplo, anda a ser muito criticado por ter apontado França como possível destino de professores portugueses. Como sucedeu a Passos Coelho antes dele. Esquecem tais críticos que vários países são o que são também porque noutras épocas, já recuadas, houve outros portugueses que lá chegaram – quando ainda nem países eram. Basta pensar no Brasil.

Nada mais óbvio: os países lusófonos e os nossos parceiros comunitários, tal como nós inseridos no Espaço Schengen, são um destino natural para qualquer cidadão deste vasto espaço cultural e afectivo alicerçado no idioma que nos é comum ou na cidadania europeia que nos irmana a 27 Estados. Porque haveria isso de ser motivo de controvérsia pública?

Situar as questões no seu contexto é um dos requisitos básicos para um debate político civilizado e construtivo. O resto é ruído.

22 comentários em “Navegar é preciso”

  1. “We interviwed the Minister of labor, Maria Helena André, and she tolda us her suggestion for young people looking for work here was to be “open and flexible. She admits that this includes emigrating, as the Portuguese have been doing for decades!
    (in 31 Armada)
    ……
    Onde estavam os manueis alegres?!!!

    1. Segue a ligação, à disposição dos leitores eventualmente interessados em colher inspiração na doutrina sobre a matéria expandida pelo governo Sócrates:

      liveshots.blogs.foxnews.com/2010/12/07/portugal-and-other-european-pigs/

  2. Também não percebo tanta controvérsia com a emigração de portugueses. Sempre foi a nossa vocação, e a causa não tem que ver só com pobreza e falta de emprego. Há outros factores importantes que nos levam a partir. Por exemplo, a geografia: Portugal é um país pequeno e periférico, sem hipóteses de expansão e com recursos bastante limitados. Se se abriu ao mundo, primeiro com a colonização e depois com a democracia (e não era essa claustrofobia que sentíamos com Salazar?), se nos actualizámos e temos hoje em dia habilitações para concorrer com quaisquer outros, se podemos ter o mundo como mercado de trabalho em vez de um único país, qual é o espanto e qual é o problema? Muito pior seria não termos alternativa e termos de ficar, mal ou bem. De qualquer maneira, sempre houve e sempre haverá os que partem e os que ficam, mesmo com condições difíceis. É certo que partem quase sempre os melhores, mas isso é uma inevitabilidade. Além disso, está na nossa natureza voltar. Com mais mundo, mais conhecimentos e horizontes alargados, tal como aconteceu contigo. Ou seja, sendo um melhor contributo para o país, depois disso.

    1. De facto, Ana, o espaço lusófono não nos é estranho -longe disso. É mesmo um prolongamento do nosso próprio espaço vital neste mundo globalizado. Pelos laços históricos, culturais, linguísticos e afectivos forjados ao longo de meio milénio. Os fluxos migratórios entre os países da CPLP – em todos os sentidos – devem ser encarados como algo normalíssimo, como algo a incentivar.
      Para os portugueses, o mundo não se esgota na Europa. Destacar isto é sublinhar o óbvio.

  3. Parece-me que quem ainda não percebeu a polémica, ou não quer perceber ou não vai perceber nem que seja feito um desenho.

    A questão não é a emigração. O próprio Pedro a aconselhou e eu nunca o censuraria por isso. Também eu o aconselho a amigos e familiares. Quer o queiram fazer de forma temporária, definitiva ou aberta às duas possibilidades. A questão é que nem o Pedro nem eu próprio somos governantes. Não temos a obrigação contraída em urna de voto de zelar pela melhoria das condições de vida das pessoas que estão no país.

    Comparar emigração e imigração não faz sentido., Incentivamos a imigração para suprir deficiências de algum tipo no mercado de trabalho e para aumentar a diversidade cultural (é essa a minha visão, pelo menos). A emigração faz precisamente o oposto. Reduz a identidade do país (que deve continuar) e fá-lo reduzindo a quantidade de jovens (que são quem mais emigra).

    Não estou contra a emigração, apenas me parece que quando um governante a apresenta como primeira opção (não está a mandar ninguém embora, mas não apresenta qualquer alternativa) a coisa está mal. O governo dá conselhos como qualquer tipo do café da esquina daria. Não é para isso que foram eleitos.

    Não está em causa o facilitar das condições para quem queira emigrar. Está no incentivo à emigração. Mas é pior. Ao mesmo tempo que incentiva as pessoas a emigrar, também retira os laços de contacto com o país ao fechar escolas de português no estrangeiro e reduzir as respresentações diplomáticas. Dessa forma, se a opçãopara um emigrante é viajar 500 km cada vez que quer tratar de algo administrativamente ou tornar-se cidadão do país onde vive, não espantará que opte pela segunda opção.

    Este caminho é um convite à despopulação e estupidização do país. Tudo porque quem quererá sair são os jovens e, entre esses, os mais qualificados. Verão nestas comunicações um recado simples: não vos queremos. Pouco importa que seja isso que é transmitido ou não. É isso que a maioria lerá. Por isso a forma da mensagem importa. E essa ou é descuidada ou, sendo cuidada, ainda é pior, porque realmente convida os portugueses a irem embora. Em qualquer dos casos, o governo não está a fazer aquilo que tem obrigação de fazer: tratar da vida a quem cá está.

    1. Caro João André, julgo saber que você é emigrante – tal como eu já fui. Sendo assim, como consegue dizer que a emigração “reduz a identidade de um país” e o “estupidifica”? A China e o Brasil perdem identidade por serem países de fortíssima emigração? Os italianos que ergueram os arranha-céus de Nova Iorque no final do século XIX e nas primeiras décadas do século XX mancharam a identidade do país de origem ou conferiram-lhe pelo contrário novos motivos de orgulho?
      Questão muito diversa, e sem dúvida pertinente, é a necessidade que refere de não cortar os elos de contacto entre as comunidades de emigrantes e o País fechando escolas e reduzindo drasticamente as representações diplomáticas. Também isso me preocupa. Mas, sinceramente, considero impraticável (e indesejável) pretender confinar os portugueses ao torrão natal quando fazemos parte do espaço Schengen – um quadro de livre circulação de 400 milhões de pessoas. As gerações mais jovens beneficiam disso. E muito bem.

  4. Nota extra: essa «vocação universalista dos portugueses» é um disparate. É dos portugueses como o é de qualquer outro país. Os portugueses há muito que emigram porque não têm condições para viver bem no seu país. De outra forma não emigrariam assim. A cultura portuguesa não é mais virada para a emigração que a russa, chinesa, nigeriana ou alemã. A única coisa que está em jogo é a pergunta simples: onde posso viver melhor. E há décadas que os portugueses têm respondido: aqui, não!

    1. Caro João André: a “vocação universalista” dos portugueses não é nenhum disparate – é um dado factual. Nenhum país europeu com a dimensão de Portugal se espalhou tanto pelas mais diversas parcelas do mundo e deixou tantas impressões digitais em remotas regiões (não é por acaso que se fala português nos cinco continentes quando na época dos Descobrimentos a população portuguesa era inferior a três milhões de pessoas). A própria configuração geográfica do País, em que o mar faz parte do nosso território simbólico, físico e afectivo, incentiva, estimula e estrutura essa vocação. De resto, como é sabido, alguns dos nossos maiores talentos viveram ou vivem no estrangeiro – Camões, Padre António Vieira, Bocage, Garrett, Eça, Pessanha, Wenceslau de Moraes, Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Almada, Amadeo Sousa-Cardoso, Rodrigues Miguéis, Agostinho da Silva, Casais Monteiro, Ruy Cinatti, Jorge de Sena, Vieira da Silva, Júlio Pomar, Eduardo Lourenço, Ruy Belo, Paula Rego, António Damásio… A lista é infindável e abarca as mais diversas áreas.
      É profundamente redutor confinar este impulso migratório a factores de ordem económica. Prevendo já esse argumento invoquei o meu exemplo pessoal: emigrei apesar de ter emprego (com remuneração muito acima da média) na área que escolhi e uma “carreira profissional” estabelecida. Muita gente, antes ou depois, fez o mesmo que eu. Conhecer mundo, alargar horizontes, adquirir novas experiências são factores tão motivantes como ganhar dinheiro.

      1. Caro Pedro, usou o seu exemplo como poderia ter usado o meu. Também tinha emprego e até bem pago para um recente profissional quando saí do país. O que me interessa nesta discussão não são os exemplos pessoais, dos quais haverá mil exemplos. São as tendências.

        Quanto às tradições, bom, é fácil apontarmos a quantidade de exemplos portugueses quando não conhecemos os exemplos de outros países. Os holandeses e belgas andaram e andam por todo o lado. Dificilmente se encontra uma influência cultural tão marcante como a que os primeiros colonos holandeses deixaram sobre os EUA (e não falo apenas de NY). Os sérvios e croatas (separo os dois para facilitar) estão também espalhados por todo o lado, e sem qualquer história de descobrimentos no passado. Os sérvios chamam a Chicago a sua segunda maior cidade, tal como nós por vezes referimos (erradamente) Paris. Os italianos, especialmente se os separarmos nas suas antigas cidades-estado (ainda o fazem frequentemente) também se espalharam por todo o lado. Irlandeses, ingleses, russos, franceses, etc, todos viajaram e se encontram por todo o globo.

        E seja como for, apontar os exemplos dos intelectuais portugueses de nada serve, porque esses sempre saíram sem pedir licença a ninguém. Saíram porque quiseram sair, não porque tivessem que o fazer. Ainda assim encontram-se as excepções: olhe-se para Miguel Torga, que imitou dezenas de milhares de portugueses ao procurar uma vida menos miserável noutro lado.

        Falar na vocação universalista portuguesa só faz algum sentido por causa da história dos descobrimentos e dos territórios que Portugal teve. Só que isso (na minha opinião) é uma faca de dois gumes, já que os portugueses se espalharam “pelo mundo fora” maioritariamente nos países onde existia história portuguesa: Brasil, Angola, Moçambique, Timor, Macau… A excepção parece ter sido os EUA, essa Meca de emigrantes. Muito mais universalistas são os povos que foram para onde não tinham qualquer tradição. Onde a língua lhes era desconhecida, a religião lhes era hostil e o clima lhes era estranho. É verdade que se encontram portugueses em todo o lado, mas de forma quase irrelevante. É como se pudessemos dizer que os pandas terem vocações universalistas por os vermos num zoo em Berlim e em Joanesburgo. Não têm. Nisso são como os outros animais.

        1. O André meteu essa ideia na cabeça e não há forma de mudar. Chega mesmo a contradizer-se sem dar por isso. Primeiro, diz que “essa «vocação universalista dos portugueses» é um disparate”, depois, mais tarde, vem dizer que a “vocação universalista portuguesa só faz algum sentido por causa da história dos descobrimentos e dos territórios que Portugal teve. Só que isso (na minha opinião) é uma faca de dois gumes, já que os portugueses se espalharam pelo mundo fora maioritariamente nos países onde existia história portuguesa: Brasil, Angola, Moçambique, Timor, Macau…” Em que ficamos? Somos, ou não, universalistas? Antes dos portugueses terem chegado a essas paragens já existia história portuguesa? Pode?
          E não aceita argumentos de peso, como seja o de muitos dos nossos melhores terem estado emigrados, invocando a seu favor o Torga. Está muito enganado, amigo: o Torga também provou o “sabor amargo da saudade”.
          Desconfio que o amigo tem essa posição apenas por uma questão político-partidária. O que não o abona muito, reconheça.
          Boas-festas!

  5. Não concordo, Pedro. As pessoas têm o direito de querer edificar aqui os lares e as suas vidas. Este é o seu país, a sua matriz, a sua terra. Uma coisa é decidirmos que queremos partir, outra coisa é partir porque não temos condições cá, como aconteceu a partir dos anos sessenta, e isso é dramático. As vidas dos emigrantes comprovam-no. É claro que sair daqui abre horizontes, não tenho quaisquer dúvidas, mas não assim, não porque estamos cada vez mais pobres em todos os sentidos e nos é apontada como solução a porta de saída. Uma coisa é haver condições e cada um por si decidir que quer partir, outra diametralmente oposta é que isso seja imposto pelas condições adversas deste país e ainda por cima sugerido pelos governantes. Concedo que possa haver um aproveitamento político mas também me parece que mais sensatez por parte dos governantes seria desejável e expectável. Não é o primeiro que aponta como solução a emigração. É fácil mandar as pessoas embora, difícil é tentar criar condições para que cá fiquem e foi para isso que foram eleitos.

    1. O difícil, difícil mesmo, é reconhecer que estamos a mais e somos nós quem deve emigrar. ( não para melhorar a vida – essa já é boa – mas para não estragar mais a dos outros).
      Bom Natal e Novo Ano cheio de desejos concretizados.

    2. Uma coisa é lamentarmos a situação económica do país e o facto de nem tão cedo podermos esperar o crescimento do PIB de cerca de 2% que todos os economistas apontam como a expansão da economia que cria emprego.

      Outra coisa é ficarmos escandalizados por, nas circunstâncias em que todos sabemos que estamos e que todos sabemos que não se inverterão tão cedo, o PM explicitar o que óbvio: que quem não encontra emprego numa determinada profissão tem de mudar de profissão ou de mercado de trabalho.

      Parece que a nossa criancice se exprime não só em pretender pagar as dívidas como também em pretender ter PMs que falem politiquês empastelado para não ofender os nossos delicados ouvidos. A forma prima sobre o conteúdo, sempre (a mim continua a escandalizar-me que, depois de ter feito trinta por uma linha, o Manuel Pinho tenha ido para o olho da rua por ter feito cornichos no Parlamento).

      E também por ser preciso citar o director-adjunto do Correio da Manhã para explicar a entrevista, que toda a gente pode ver integralmente no youtube se se quiser dar a esse trabalho:

      http://www.youtube.com/watch?v=Jke5bzj7CDk

    3. Leonor, escutei com atenção a entrevista do primeiro-ministro ao CM para perceber bem o enquadramento das declarações que, descontextualizadas, geraram tanta polémica.
      Ficou-me esta ideia essencial: o Governo continuará a apoiar a colocação de professores portugueses nos estrangeiro, designadamente em países lusófonos, através de organismos como o Instituto Camões e programas como o INOV Contacto. Nada de criticável, muito pelo contrário.
      Vale a pena transcrever aqui o essencial dessas declarações:

      Pergunta – Esteve em Angola recentemente. Angola é um país que pode receber portugueses para trabalhar essencialmente em que áreas? Por exemplo, na educação?
      Resposta – Angola não é um destino de mão de obra portuguesa, excepto mão de obra muito qualificada… Angola já foi para muitas empresas portuguesas uma oportunidade de crescimento alternativo ao mercado interno e ao mercado europeu. É muito pouco provável que haja capacidade para Angola absorver muita mão de obra portuguesa, o que não quer dizer que não possa receber ainda certa mão de obra muito qualificada em certos segmentos.
      Pergunta – Por exemplo?
      Resposta – Em tudo o que tem a ver com tecnologias da informação e do conhecimento, em áreas relacionadas com a saúde, a educação, a área ambiental, comunicações. (…)
      Pergunta – Por exemplo, os professores excedentários, que temos muitos, o senhor primeiro-ministro aconselhá-los-ia a abandonar a sua zona de conforto e a procurar emprego noutros países?
      Resposta – Não só Angola mas também o Brasil têm grande necessidade de professores ao nível do ensino básico e do ensino secundário. Nós sabemos que há muitos professores em Portugal que não têm, nesta altura, ocupação e o próprio sistema privado não consegue ter oferta para todos. Nós estamos com uma demografia decrescente, como todos sabem. Nos próximos anos haverá muita gente em Portugal que, das duas uma: ou conseguem nessa área fazer formação e estão disponíveis para outras áreas, ou, querendo-se manter como professores, podem olhar para todo o mercado de língua portuguesa e encontrar aí uma alternativa.
      Pergunta – E o Estado pode ajudar nesses caminhos?
      Resposta – Em certa medida sim.
      Pergunta – De que forma?
      Resposta – De muitas formas. Isso já vem acontecendo nos últimos anos, sobretudo através dos programas de cooperação, ao nível da língua portuguesa, seja em Timor, seja em Angola, mesmo em Moçambique. Mas nos outros países também. Nós temos programas de cooperação na área da educação.
      Pergunta – Que poderão ser alargados?
      Resposta – Que poderão em algumas condições ser alargados. (…) É o caso de Timor, é o caso de Moçambique e é sobretudo o caso de Angola. O presidente Eduardo dos Santos disse-me, de resto, que haveria por parte de Angola o compromisso de poder afectar mais meios financeiros a esses programas desde que nós estivéssemos em condições, tecnicamente, de levar mais longe os programas que hoje temos.

  6. «Não entendo a contradição: por que motivo havemos de saudar a imigração e chorar a emigração?»

    É muito simples: saudamos a imigração porque prova que este país interessa/serve até aos que não são de cá; choramos a emigração porque prova que este país não interessa/serve nem sequer aos que são de cá.

    1. Isso é linguagem típica de um mundo pré-globalização, cheio de compartimentos estanques, Ricardo. Estamos há década e meia na Europa sem fronteiras, somos signatários do Tratado de Amesterdão que instituiu o espaço Schengen. Um espaço que autoriza a livre circulação de 400 milhões de pessoas.
      Hoje sou imigrante, amanhã serei emigrante – e vice-versa. Qual é o espanto? Qual é o escândalo?

      1. Não há espanto nem escândalo. Simplesmente, os Estados ainda não desapareceram. E são o único espaço em que existe democracia – já que as instituições globais são não democráticas (como a UE) ou até anti-democráticas. Não por acaso, o que se vê neste momento na Europa é cada Estado a defender os seus interesses. Aos interesses «globais», ninguém liga.

        E quando tudo o resto falha, é para o Estado que as pessoas se viram.

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