José Alberto Carvalho, há minutos, no Jornal da TVI: «Nas últimas horas, os mercados voltaram a atacar. Os juros da dívida pública portuguesa bateram novos máximos e Espanha e França também foram atingidas. Espanha foi ao mercado financiar-se e pagou os juros mais altos desde a entrada do país na moeda única.»
Portanto: os países «vão aos mercados» mas estes é que «atacam»? Devo estar a ver mal a mecânica da coisa porque, assim de repente, parece-me que «os mercados» se defendem. Ou, no limite, que contra-atacam.

Aquilo nem são mercados — são passerelles. Os países pavoneiam-se (que é uma forma popular de “andar ao ataque”) e é ver quem dá mais.
Trottoirs, portanto…
Nem sei que responda a comentários tão mordazes e impiedosos, meninos. Talvez isto: comentários assim não combinam com almas simpáticas e caridosas como as vossas; combinam mais com a minha.
Ah, não te iludas: por baixo das nossas peles de cordeiros, fofas como nuvens, vivem lobos de dentes afiados e garras prontas a atacar. Como os mercados, mais ou menos. 😉
OK, lembra-me de não te cutucar (i.e., não te pedir dinheiro).
(Por causa de uma conversa com o Rui, mais abaixo nestes comentários, estou numa de terminologia brasileira.)
Cê fala como cê tem vontade, viu? Tudo jóia.
Muito bem. De facto, há uma linguagem tendenciosa porque pressupõe uma “animalidade”.
Não entendo no entanto porque razão 6 dos países da UE têm triplo A dos 13 …Afinal …deviam agradecer às agências…
Em suma, não querem verem o real porque colocam o desejo à frente …
Torcato: e, ainda que assumíssemos a animalidade, não seria como um cão raivoso à solta mas como um que nós vamos provocar ao seu quintal. Se o deixarmos em paz, provavelmente ele até acabará por vir pedir festinhas, cauda abanando de um lado para o outro…
E eu também não percebo. Mas a questão dos ratings segue uma lógica parecida com aquela que nos leva a criticar quem não compra dívida pública e depois a acusar os bancos de terem comprado demasiada, colocando-se em risco. Isto é: mantenham os ratings elevados ou acusamos-vos de mil e uma motivações obscuras mas, depois do inevitável estoiro, a culpa foi vossa por terem mantido os ratings elevados (ver subprime).
A táctica da informação sobre mercados é 2 à linha e 3 à pesca.
Eh, tenho a certeza de que tens razão mas espera aí um bocadinho enquanto eu vou pesquisar o significado da expressão.
Não consigo. Nem o Google nem o Bing a apresentam nas primeiras páginas de resultados. Mas já valeu a pena o trabalho só por este glossário (aviso: há referências a robalos e estão logo no título):
http://www.robaloflecha.com/site/16/p g3.asp
Fiquei a saber que nem “calça branca” sou.
É sempre um momento feliz aquele em que contribuímos para a descoberta interior de alguém. Melhor ainda quando constatamos, do fundo da nossa humildade socrática, que estamos mais ou menos no mesmo ponto.
Podemos ir à pesca um dia destes, Rui. Apesar de provavelmente acabarmos a “bater fofo”.
Perdão?? Meninos, contenham-se… lol
Eu, pela minha parte, estava mesmo de saída. Afinal de contas, ainda tenho para acabar um texto para chatear o Luís. M. Jorge.
O pior ainda é que a notícia não está correcta. Os juros da dívida portuguesa bateram novos máximos, sim, tal como os da grega. Mas os de Espanha e França terminaram a sessão a descer pelo segundo dia consecutivo. Tal como os de Itália, Bélgica e Alemanha.
Espanha foi ao mercado financiar-se e, sim, pagou os juros mais altos desde a entrada do país na moeda única. No entanto, conseguiram-se juros mais baixos do que aquilo que era aguardado; os mais baixos das últimas três semanas.
Ou seja: a notícia conta a parte mais sensacionalista da história e omite os pormenores chatos, ainda que relevantes. Parece-me normal para uma notícia televisiva, sampy…