Talvez o mais belo fado de sempre


Pedro Correia,

24 comentários em “Talvez o mais belo fado de sempre”

  1. Concordo, Pedro. O que Alain Oulman acrescentou à qualidade do fado é incomensurável. Para não falar da própria Amália, que além de uma voz única, trouxe teve a inteligência e a ousadia de trazer para o fado os grandes poetas da nossa língua.

    1. Sem dúvida, Ana. O maior salto qualitativo do fado ocorre nos anos 60 quando Amália dá corpo e voz ao desejo do Alain Oulman de unir esta bela forma de expressão artística, inconfundivelmente portuguesa, à nossa melhor poesia. Daí nascem esta deslumbrante ‘Gaivota’ (com versos imortais do Alexandre O’ Neill), o ‘Fado Português’ (versos do Régio), ‘Fria Claridade’ (Pedro Homem de Melo), ‘Com que Voz’ (Camões). E tantos, tantos outros.

  2. São sempre dificeis as chegadas ao melhor fado, ao melhor livro, ao melhor filme, ao melhor outra qualquer coisa.
    Difícil será encontrar uma música de Alain Oulman que não encaixe, na quase perfeição, da voz de Amália.
    O meu podium:
    1 – Abandono – poema de David Mourão Ferreira
    2 – Gaivota – poema de Alexandre O’Neil
    3 – Medo – poema de Reinaldo Faria

    1. Belíssimos fados, esses. O do David Mourão-Ferreira, também conhecido por ‘Fado de Peniche’, é um belíssimo fado, marcante a vários níveis. O ‘Medo’ (com versos de Reinaldo Ferreira, não Faria) é igualmente um dos mais belos fados de todos os tempos. Foi pena Amália ter esperado quase 30 anos para gravá-lo. Seria ainda melhor se o conhecêssemos na voz dela dos anos 60, quando estava no apogeu.

  3. Concordando que este será um dos mais belos fados de sempre, acho porém que o maior de todos eles foi escrito exactamente hoje com seu reconhecimento pela UNESCO como património imaterial da humanidade.

    1. O mais belo fado, para mim, atendendo às diversas parcelas: poema, melodia, interpretação e voz. Há diversas outras versões, nenhuma delas tão bem conseguida. Mas a beleza visceral deste fado subsiste sempre, mesmo perante versões medíocres (que também as há).

  4. Concordo em absoluto.
    O mais belo fado e os mais belos versos.
    Serão muitos, sem dúvida, mas o único que me arrepia até à alma, é mesmo este.
    Como sei que nada é deixado ao acaso, encontramo-nos nesta linda homenagem que ficará eternamente connosco.
    Para mim, a melhor.

    1. Como eu te percebo, Zé Maria. Felizmente ouvi este belo fado durante muitos anos antes de ter sido cometido o homicídio a que te referes. Quando isso ocorreu já fazia parte do meu património pessoal.

      1. Gostos não se discutem, e sobretudo música, vamos escutando, eu seria certamente a última pessoa a escrever num blogue sobre Fado porque detestava Fado, ainda hoje em não o consigo apreciar devidamente, a razão destas palavras são exatamente a incompreensão dos ditos experts na temática do Fado que ao detestarem a versão inovadora de GAIVOTA porque será um ultraje aos seus ouvidos….pois e não é que foi essa versão que me levou a ser mais tolerante em relação ao Fado, levou-me a ler as Pautas, a dar-me ao trabalho de memorizar poemas afinal o Fado poderia ser mais que o choradinho lusitano, fui conhecer a guitarra portuguesa, dado que só estou familiarizado com a clássica e a electrica. Sei que dificilmente gostarei de tocar fado mas já estive bem mais longe.

        1. O nosso ouvido também se educa e vai evoluindo em função disso, Rui. Gosto de saber que o fado vai conquistando cada vez mais adeptos. Nisto não faço o menor esforço para parecer isento, pois sou fã incondicional de fado (do bom, claro, pois também há do outro).

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