Já tinhamos um presidente pro bono, agora temos uma presidente da Assembleia da República pro bono. Independentemente do valor inqualificável das reformas, o que importa aqui é o desprezo pelo cargo. Os salários dos políticos são pagos ao valor a que são por vários motivos. Um deles é a independência. Estes presidentes reformados representam o quê? A Caixa de Aposentações? Isto estraga a qualidade da democracia. E é errado, do ponto de vista institucional. Mas sinto-me sempre a pregar aos peixes, quando realço estas coisas.
Pregar aos peixes
cadernoelastico,

“Os salários dos políticos são pagos ao valor que são”. Os salários dos políticos, especialmente aqueles com algum poder (e não o mero deputado) são bastante baixos. Um presidente de um conselho de administração numa qualquer empresa pública ganha mais que o primeiro ministro. O Fernando Mendes (!!!) que trabalha numa empresa pública, ganha mais que o presidente da republica e o primeiro ministro, juntos.
Nisto concordo consigo, o cargo (de político) é desprezado por todos, pelos ocupantes, e pelos votantes.
“Pregar aos peixes”
Aconselho : Robalos!
Mas tem toda a razão! A senhora está a desempenhar funções no segundo maior cargo do Estado. Que seja paga por tal e não pelas aposentações que coleccionou.
Não foi essa senhora que arbitrariamente atribuiu ao deputado Mota Amaral (que já vem do tempo da outra senhora…) um BMW topo de gama, com motorista? Foi – e, portanto, está tudo certo.
É fartar, vilanagem! Até um dia, claro…
o que é o salário de um político, na realidade, e particularmente no caso dos deputados?
veja-se a biografia de miguel relvas, no site do parlamento, e respectivo registo de interesses: nas/Biografia.aspx?BID=124
http://www.parlamento.pt/DeputadoGP/Pagi
veja-se a sua actividade profissional de consultor enquanto deputado.
visitemos o site de qualquer grande escritório de advogados deste país e observemos as biografias dos sócios e consultores. o que encontramos aí: profissionais exclusivos do ramo, sem dúvida, e uma percentagem significativa de cidadãos que se dedicaram ou dedicam à causa pública, à custa de grandes sacrifícios.
sim, discutamos as reformas dos políticos, e isso já levou à reformulação desses regimes, mas não esqueçamos as outras questões dos “interesses” e a desculpa de que os deputados têm que manter uma actividade profissional extra- parlamento para manterem um nível de vida que não se afaste daquele que tinham na actividade profissional privada, sob pena de isso o afastar da vida pública.
vamos a ver e muitos deles “sobem” na vida profissional privada à conta da “experiência” política.
afinal, o que é o salário de um político?
Diz a notícias que destacas: “Assunção Esteves pôde reformar-se muito cedo, aos 42 anos, porque a lei de então contemplava um regime muito favorável para todos os juízes do Tribunal Constitucional. Podiam aposentar-se com 12 anos de serviço, independentemente da idade, ou com 40 anos de idade e dez anos de serviço.”
Uma coisa é o que é legal e outra, bem diferente, o que é moral. À segunda figura da nação exige-se que tenha uma conduta que não contemple só o primeiro parâmetro, e não há deformação profissional que lhe sirva de desculpa.
Além disso, concordo contigo: já não faltará muito para termos um parlamento de reformados, o que é, no mínimo, absurdo.