RUA AUGUSTA
«– Essa concepção do Paraíso — exclamou ele — parece-me de um estofador da Rua Augusta! Como Natureza, couves galegas; como decoração, os velhos cretones do gabinete, desbotados já por três barrelas…»
Eça de Queiroz, Os Maias
Foto: blogue Alfobre de Letras


Não resisto agora a revelar que, nas cidades transmontanas, há gente que enfeita os jardins das suas vivendas com couves galegas, alfaces, espinafres, rabanetes, etc.
E não é só lá, Cristina. Hábito ecológico, que nasceu muito antes de a ecologia estar na moda.
A propósito de couves galegas, sei de um amigo que no dia dos namorados, por se ter esquecido de adquirir uma flor para a namorada, deu-lhe o que tinha à mão: não uma couve galega, mas um repolho de couve lombarda.
Fátima Costa
Pelo menos, foi original…
Humm. Acho que esse namoro não foi longe.
Caro Pedro Correia
Permita-me a pergunta/sugestão:
Sem tirar valor a esta série magnifica, não acha que devia alargar a outros escritores a referência que acompanha as fotos?
Feliciadades
A sua pergunta é muito pertinente. Mas a minha ideia é precisamente revisitar a Lisboa queiroseana. Para esse efeito faço uma pesquisa diária – às vezes muito demorada – com o objectivo de encontrar imagens dessa época, ilustradas com citações do Eça. Geralmente d’«Os Maias», mas também já aqui trouxe ‘O Primo Basílio’, ‘O Crime do Padre Amaro’, ‘O Mandarim’ e a ‘Tragédia da Ruas das Flores’.
Mudar de autor far-me-ia alterar o espírito da série, embora alguns contemporâneos de Eça – desde logo o Ramalho – também pudessem ser aqui referidos. Mas “cedo” o Ramalho ao meu amigo e compadre João Carvalho quando ele decidir enfim arrancar com uma série intitulada ‘Porto antigo’. E espero que a Laura aceite também o meu desafio para fazer a ‘Coimbra antiga’.
Agradeço a resposta…
Se achar de interesse, comentarei as fotos, socorrendo-me de outros autores.
Cumprimentos
Terei todo o gosto e considero isso um privilégio, sempre na perspectiva de interacção entre autores e leitores, que foi sempre uma característica deste blogue. Grato desde já.
Eu gosto muito desta série precisamente por cruzar dois eixos: Lisboa e Eça. Ambos se fizeram um ao outro.
A ideia foi essa, Laura. Vai-te preparando para a Coimbra antiga…
Desde o teu repto, Pedro, estou candidata a um grave problema. Não te espantes por isso se amanhã – não no Calino (não sei se conheces…) mas para aí no DN, tipo 1ª página – deres por ti a ler uma notícia estrambólica, do género:
uma cidadã não identificada, por motivos inexplicáveis, invadiu a baixa a grande velocidade, atravessando zonas pedonais interditas ao trânsito há mais de 20 anos e estacando a ‘viatura’ (!) em momentos imprevisíveis, frente a edifícios históricos hoje ocupados por agências bancárias, empresas de viagens e multinacionais espanholas de pronto a vestir. As forças de segurança prosseguem as investigações acerca do insólito acontecimento .
Põe-te fora que eu passei mesmo depressa, não viram a matrícula .
😉
Ehehehe, espero que não…
E Leiria? Tão deliciosamente queirosiana…
Fátima Costa
Hum… Mais difícil. Julgo que nenhum dos autores do Delito nasceu ou reside em Leiria.
Era uma boa perspectiva, sim, com toda a certeza.
Candidatas-te?
Um bocado longe 😉 Mas hoje lembrei-me de ti ao passar os olhos por um livro a que irias achar graça, muito bem feito: a cozinha em Eça de Queiroz. As receitas dos pratos abordados em toda a obra dele, com longos excertos e cheio de boas fotografias (organizado por uma investigadora queiroziiana brasileira, a Beatriz Berrini).