Muammar Kadhafi era um simples coronel do exército líbio quando subiu ao poder, em 1969. Quarenta e dois anos depois, ao ser derrubado, era um dos homens mais ricos do planeta e provavelmente o mais rico do continente africano: a sua fortuna estava avaliada em 150 mil milhões de dólares, desviados de fundos estatais da Líbia e espalhados um pouco por todo o mundo. Só em Portugal, como revelou hoje o Público, o ditador deixou 1300 milhões de euros em quatro contas na Caixa Geral de Depósitos.
Nada de muito original: vários ditadores antes dele eram também corruptos. Novidade é vermos pela primeira vez a esquerda radical, pura e dura, verter lágrimas por um multimilionário.

O 5Pias deve orientar-se pelo mesmo padrão. Uma esquerda radical exemplar, sem dúvida.
Qualquer ditador militar corrupto até ao tutano, desde que se proclame vagamente “socialista” e arreganhe umas inanidades contra os EUA, seduz este radicalismo pequeno-burguês de fachada socialista.
“5 Pias” não, parece-me mais adequado chamar-lhe “5 Fossas”!
Tenho de admitir.
Há Esquerda radical e Esquerda radical.
Reconheço-lhe a astúcia na aparente contradição da Esquerda Radical “chorar” por um multi-milionário, mas a questão de fundo não é essa e o meu caro sabe-o…
Eu sou radical e o sangue vermelho corre-me tanto na Esquerda como na direita.
Não sou muito afectado, apesar do meu radicalismo.
Não sendo advogado de defesa do 5dias, nem eles precisam desses meus préstimos, penso que a mensagem inerente a esse abundantemente ilustrado post prende-se com a questão dos Direitos Humanos. Esses, tanto quanto me lembro, é suposto não serem de Esquerda nem Direita. Reconheçamos que, mesmo ditador, teve uma queda auxiliada por um organismo cuja génese não é compatível com as estas actuações e por dúbias motivações, tendo um julgamento tão rápido quanto a bala que lhe tirou a vida.
Apontar isto não é radicalismo de Esquerda, é bom senso.
Como escrevi no meu blogue, cujo não “linko” porque não estou aqui para o publicitar,
“Os Direitos Humanos são como as ruas de sentido único. Só vão numa direcção e tem de se ter a sorte de entrar pelo lado certo… “
Um abraço, Pedro.
Há esquerda radical e esquerda “radical”. A (des)propósito: já reparou que o Blogger avisa os leitores contra os “conteúdos” do seu blogue, estabelecendo uma espécie de censura?
Veja lá o que se passa e mande àquela parte essa plataforma imperalista que quer amordaçá-lo…
Um abraço.
Do melhor, Pedro. Falo aqui como podia ter falado noutra (noutro post, quero dizer). Quando decidires atirar-te a uma obra literária, vais arrasar. Cá estarei, nem que seja de bengalinha, para torcer por ti ;). Vá lá!
Os ditadores inspiram-me, Laura. E os crápulas também.
Interessante tema:- O que é que nos inspira, a ponto de nos fazer criar coisas verdadeiramente originais e marcantes? Good point.
Dava uma nova série, aqui no blogue.
A morte de um ser humano deve merecer sempre respeito, por mais ignóbil que tenha sido, mas querer fazer do Kadhafi “um herói que morreu de pé”, é um asco só comparável ao que o seu assassino lhe fez.
Esta gente, sempre com o discurso da opressão sobre os povos, os indefesos, chega ao ponto de questionar a necessidade de uma Primavera Árabe. Alguém percebe esta esquerda hipócrita?
Um asco, de facto. Transformar o carrasco em vítima sem uma palavra sequer de solidariedade com os milhares de vítimas que o carrasco causou.
1.500 mil milhões é muito papel. Mas não sejamos cínicos, para haver corruptos tem que haver corruptores, e não foi concerteza o povo líbio a alimentar este bandalho.
Até há meia dúzia de dias este mesmo, recebia e era recebido em todo o mundo com pompa e circunstância, inclusivé Portugal. O que terá acontecido para que de repente a situação se tenha alterado?
Há os dimantes de sangue da Serra Leoa, que adjectivo atribuir a este dinheiro?
1500 mil milhões de dólares é o equivalente ao PIB anual português. Fica a comparação para se perceber até que ponto o ditador roubou o povo líbio. Apesar de a Líbia ser o 12º maior produtor mundial de petróleo, dois terços dos líbios vivem na maior pobreza.
Cada um que atribua a Kadhafi os adjectivos que entender. O que tinha a escrever sobre ele, escrevi em devido tempo. Numa altura em que estava bem vivo, era recebido com vénias e salamaleques em Lisboa e quase todos lhe chamavam “líder”, já eu lhe chamava ditador. Com todas as letras.
Pedro, gosto mesmo bastante do que escreve, confirma-se. Conteúdo, estilo, tudo. A questão é esta – não é agradável (ver) como o coronel acabou mas acabou por ser a sua escolha, afinal. Escrevi sobre isso no meu blogue. À distância é cruel porque temos o discernimento necessário para analisar e refletir – a quente e no terreno as emoções e as reações são, necessariamente, outras… Agora para mim tudo o que é ditador, esquerda, direita, centro, canto, esquina, fora. As pessoas não podem senão ter a oportunidade de ser livres.
É como eu: detesto ditadores. De todas as cores.