Sou funcionária pública e ateia. Garanto que me sinto tão roubada como os meus colegas católicos, protestantes e crentes noutras lérias do mesmo tipo. E se eu acreditasse no inferno o que diria é que o inferno é aqui na Terra, todos os dias e um pouco por todo o mundo. E viver neste inferno não me faz “acreditar”, Ivone…
Primeiro, é preciso definir o que é um funcionário público ateu. É um funcionário que não acredita no Natal? Ou é um funcionário que não acredita em subsídios?…
Eu, se fosse uma espécie de Carvalho da Silva ao contrário (isto é, com visão de futuro), começava já a exigir o subsídio da Hégira. Ou então, o subsídio da Festa da Primavera…
Não há subsídio de Natal é um dos muitos truques contabilisticos feitos pelo regime para comprar votos. Vamos partir o que poderia ser em 12 em 14 e chamar-lhes nomes bonitos para os parvos pensarem que ganham mais.
Ora alguém que finalmente diz a verdade. O problema é que o subsídio é uma correcção do ordenado. Isto porque noutros países o vencimento é pago à semana, o que é justo, isto porque existem meses com 4 semanas produtivas e outros com 5. No entanto quando se paga ao mês o nosso salário é sempre igual. Se multiplicarem o valor hora, por dias do ano produtivos e dividirem por 12 vão ver que o valor é diferente do que recebem por mês. Mas se dividirem por 14. Vão chegar ao valor que efectivamente recebem por mês. Por isso o que vão tirar não é um extra, é do trabalhador por direito.
Dois pontos de vista muito interessantes. Já aprendi alguma coisa (sem ironia).
Vegueiro, ao que parece é justamente essa matemática que apresenta o pequeno detalhe que faz alguns reformados do Estado passarem por estes cortes como se não fosse nada com eles.
Ateu. Não funcionário público. Pai de filha de 9 anos. A tentar controlar o hábito que esta ganhou na escola de grunhir “bâhâ!!” quando vê ou ouve algo particularmente imbecil, coisa deselegante, como é óbvio.
A segui-la agora, “bâhâ!”. Se isto é humor, para a gargalhada, é do básico. Mas não é, mero renhanha de sacristia.
Seja humor básico ou sofisticado, não se acanhe, jpt. Aproveite, que o riso ainda é livre de impostos – tanto para funcionários públicos como para trabalhadores do privado.
Alguém me sabe explicar por que motivo um reformado tem subsídio de férias? (E não me venham com a história de ajudar os velhinhos a comprar remédios – não são esses que me preocupam – são as reformas chorudas que deviam preocupar toda a gente. Aliás, alguém já fez o ratio do peso que as reformas elevadas têm sobre a CGA?)
Ateu até chegar no inferno, por enquanto passa pelo purgatório, ainda pode ter esperança, mas se não tiver fé em algo muito superior morrerá de fome ou tédio. Só um grande milagre nos salvará. Alguém acredita que estes políticos que nos enterraram nos salvem? O milagre acontecerá quando entendermos que a força do milagre está em nós. A minha vontade somada à vontade de muitos outros agregará energia para mudar, por enquanto estamos dispersos, tontos, sem saber o que fazer.
Qual a posição de um funcionário público ateu quanto à constatação que os agentes do estado …
… recebem os custos de «deslocação e estada» mas viajam em viaturas do estado.
… recebem «despesas de representação» e «ajudas de custo» e utilizam meios financeiros públicos em actos de auto propaganda politica.
… podem exercer outro cargo politico remunerado em horário laboral (se é que o tem), para além daquele que formam eleitos, e depois dificultam/criticam a acumulação dos seus funcionários em horário pós laboral.
… que existe dinheiro para comprar veículos de topo de gama, mas não para comprar um novo servidor, diminuindo assim a produtividade dos seus funcionários.
… nomeiam para cargos de chefia funcionários com ligações politicas.
… dão sempre excelente na avaliação de um F.P . (considerar os dois casos possíveis) com ligações partidárias, com uma considerável subida na tabela salarial.
… acham que gastar 100€ agora e 10€ depois é pior do que gastar 10€ agora e 1000€ depois, só porque fica mais barato agora e depois já não estão cá.
Podia continuar, mas não quero ficar desanimado. Amanhã tenho que trabalhar. Informar vários assuntos que me foram despachados e trabalhar para os meus objectivos que me foram estabelecidos, para ver se ganho mais um ponto no fim do ano (nos dez possíveis). Assim daqui a 4 anos, se ainda não tiver passado para a mobilidade, posso ver subir a minha remuneração em mais 18€ (isto se o orçamento do estado desse ano o permitir).
tecnicamente chama-se décimo terceiro mês.
… tecnicamente.
Pelo menos no Inferno pode começar a acreditar, João. 🙂
Obrigado pela grande gargalhada, Ivone – sem sentido de humor a crise ainda fica pior 🙂
Ahahahahahahahahah
Nem quer acreditar 🙂
Temos de manter a boa disposição, Leonor. Quanto mais não seja por ainda não ser taxada!
Sou funcionária pública e ateia. Garanto que me sinto tão roubada como os meus colegas católicos, protestantes e crentes noutras lérias do mesmo tipo.
E se eu acreditasse no inferno o que diria é que o inferno é aqui na Terra, todos os dias e um pouco por todo o mundo. E viver neste inferno não me faz “acreditar”, Ivone…
Dê tempo ao tempo, em todo o caso isso também não é muito grave.
acabem com o subsídio de natal, mas distribuam-me esse rendimento pelos doze meses do ano…
Era bom, não era?
Primeiro, é preciso definir o que é um funcionário público ateu. É um funcionário que não acredita no Natal? Ou é um funcionário que não acredita em subsídios?…
Certamente é um funcionário público que não acredita no Estado-Natal.
Eu, se fosse uma espécie de Carvalho da Silva ao contrário (isto é, com visão de futuro), começava já a exigir o subsídio da Hégira. Ou então, o subsídio da Festa da Primavera…
Não há subsídio de Natal é um dos muitos truques contabilisticos feitos pelo regime para comprar votos.
Vamos partir o que poderia ser em 12 em 14 e chamar-lhes nomes bonitos para os parvos pensarem que ganham mais.
Ora alguém que finalmente diz a verdade. O problema é que o subsídio é uma correcção do ordenado. Isto porque noutros países o vencimento é pago à semana, o que é justo, isto porque existem meses com 4 semanas produtivas e outros com 5. No entanto quando se paga ao mês o nosso salário é sempre igual. Se multiplicarem o valor hora, por dias do ano produtivos e dividirem por 12 vão ver que o valor é diferente do que recebem por mês. Mas se dividirem por 14. Vão chegar ao valor que efectivamente recebem por mês. Por isso o que vão tirar não é um extra, é do trabalhador por direito.
Dois pontos de vista muito interessantes. Já aprendi alguma coisa (sem ironia).
Vegueiro, ao que parece é justamente essa matemática que apresenta o pequeno detalhe que faz alguns reformados do Estado passarem por estes cortes como se não fosse nada com eles.
Assim como não ha subsídio de férias:
–Mas de Verão…
É tudo para enganar a malta!!
O Bancários ja tiveram (ou ainda têm?) subsídio de Pascoa!!!!
Ateu. Não funcionário público. Pai de filha de 9 anos. A tentar controlar o hábito que esta ganhou na escola de grunhir “bâhâ!!” quando vê ou ouve algo particularmente imbecil, coisa deselegante, como é óbvio.
A segui-la agora, “bâhâ!”. Se isto é humor, para a gargalhada, é do básico. Mas não é, mero renhanha de sacristia.
Seja humor básico ou sofisticado, não se acanhe, jpt. Aproveite, que o riso ainda é livre de impostos – tanto para funcionários públicos como para trabalhadores do privado.
É perguntar porque não vão antes cobrar o IML às igrejas.
… ou o IVA à caixa de esmolas e ao ofertório.
de cócoras…
A esta altura do campeonato, duvido muito que os funcionários públicos sejam os únicos a estar vergados por esta crise, cr.
(de qualquer forma, obrigado pela gargalhada)
Alguém me sabe explicar por que motivo um reformado tem subsídio de férias? (E não me venham com a história de ajudar os velhinhos a comprar remédios – não são esses que me preocupam – são as reformas chorudas que deviam preocupar toda a gente. Aliás, alguém já fez o ratio do peso que as reformas elevadas têm sobre a CGA?)
Há dias pensava justamente nisso. Mas alguns comentários a este post já deram uma explicação possível.
Talvez lhe chame subsídio de Ano Novo.
A avaliar pelas previsões, o ano novo vai estar muito “insubsidiado”, passe o neologismo.
Ateu até chegar no inferno, por enquanto passa pelo purgatório, ainda pode ter esperança, mas se não tiver fé em algo muito superior morrerá de fome ou tédio. Só um grande milagre nos salvará. Alguém acredita que estes políticos que nos enterraram nos salvem?
O milagre acontecerá quando entendermos que a força do milagre está em nós. A minha vontade somada à vontade de muitos outros agregará energia para mudar, por enquanto estamos dispersos, tontos, sem saber o que fazer.
Boa mensagem, CAL.
Temi o pior. Juntar funcionários públicos, cortes e religião num post de duas linhas e sobreviver não está ao alcance de todos.
Juro que também já via no horizonte archotes e forquilhas.
“Funcionário público ateu” é uma contradição nos termos.
O Funcionário Público é por natureza um crente.
Um devoto do deus Xuxa.
É uma generalização, sampy. Como todas as generalizações, terá um fundo de verdade, mas também uma grande dose de injustiça em muitos casos.
Qual a posição de um funcionário público ateu quanto à constatação que os agentes do estado …
… recebem os custos de «deslocação e estada» mas viajam em viaturas do estado.
… recebem «despesas de representação» e «ajudas de custo» e utilizam meios financeiros públicos em actos de auto propaganda politica.
… podem exercer outro cargo politico remunerado em horário laboral (se é que o tem), para além daquele que formam eleitos, e depois dificultam/criticam a acumulação dos seus funcionários em horário pós laboral.
… que existe dinheiro para comprar veículos de topo de gama, mas não para comprar um novo servidor, diminuindo assim a produtividade dos seus funcionários.
… nomeiam para cargos de chefia funcionários com ligações politicas.
… dão sempre excelente na avaliação de um F.P . (considerar os dois casos possíveis) com ligações partidárias, com uma considerável subida na tabela salarial.
… acham que gastar 100€ agora e 10€ depois é pior do que gastar 10€ agora e 1000€ depois, só porque fica mais barato agora e depois já não estão cá.
Podia continuar, mas não quero ficar desanimado. Amanhã tenho que trabalhar. Informar vários assuntos que me foram despachados e trabalhar para os meus objectivos que me foram estabelecidos, para ver se ganho mais um ponto no fim do ano (nos dez possíveis). Assim daqui a 4 anos, se ainda não tiver passado para a mobilidade, posso ver subir a minha remuneração em mais 18€ (isto se o orçamento do estado desse ano o permitir).