Fixem este nome: Amanda Knox. E estes olhos assustados. E esta expressão magoada de quem já experimentou inúmeros pesadelos. Ainda havemos de ouvir falar muito dela. Porque a sua vida, apesar de muito curta, dava um filme. Esta jovem americana foi vítima de um escandaloso erro judiciário: o tribunal de Perugia, em Itália, condenou-a a 26 anos de prisão pelo homicídio de uma estudante britânica que afinal – concluiu a instância jurisdicional de recurso – ela não cometeu. Em todas as circunstâncias deste penoso processo, Amanda foi sempre proclamando a sua inocência perante a indiferença do tribunal que a condenou. A absolvição, que agora lhe permitiu regressar aos Estados Unidos, não evitou no entanto que tivesse cumprido uma pena pelo crime que se conclui agora não ter cometido: permaneceu quatro anos presa. Quatro anos que ninguém lhe devolverá e lhe garantirão incontáveis noites de insónia para o resto da vida.
O drama de Amanda Knox serve para confirmar – partindo do princípio de que isto ainda é necessário – a brutal desumanidade da pena de morte, vigente em países como a China, o Irão e os EUA. Porque torna irrevogável o erro judiciário, presente no quotidiano dos tribunais de todo o mundo. Pior que um erro grave, só mesmo um erro irreparável.
Mas há outras formas de condenação à morte – não à morte física, mas à morte civil. E desse crime comprovado foram responsáveis vários órgãos de informação, com lamentável destaque para a imprensa tablóide britânica, que durante anos berrou em títulos garrafais contra esta estudante de 24 anos, chamando-lhe assassina com todas as letras. Uma condenação que prosseguiu até à própria data da absolvição da jovem americana pelo tribunal de recurso, quando o Daily Mail – autêntico lixo impresso – insistia em dar como provado aquilo que nunca o foi.
Este estigma acompanhará Amanda Knox como uma sentença condenatória perpétua. O que bastaria para fazer reflectir todos os jornalistas que se comportam como arautos de uma nova inquisição. Nenhum juiz pode desempenhar a missão de um jornalista, mas também nenhum jornalista deve substituir-se aos tribunais. Porque há notícias falsas que ferem para sempre. E outras chegam mesmo a matar.


há notícias que podem matar e, no entanto… continuam a ser publicadas notícias como esta, em meios de comunicação de renome:
“ROME – An Italian judge who was part of the jury that acquitted Amanda Knox said …that she and her ex-boyfriend were cleared of murder based on the evidence, but the “real truth” could be different…
the judge stressed the ruling was the fruit of the “the truth that was created in the trial.”
“But the real truth could be different,” Pratillo Hellmann added. “They could also be responsible, but the proof isn’t there.”
http://www.cbsnews.com/stories/2011/10/0 6/501364/main20116539.shtml
isto apesar de “estes olhos assustados. E esta expressão magoada de quem já experimentou inúmeros pesadelos”, que certamente terão acontecido, pelo que esta, também ela, vítima (desta vez da “justiça”) passou.
Já ninguém lhe retira os quatro anos que passou na prisão. E alguma imprensa, cega e surda ao veredicto do tribunal, insiste em lapidá-la com palavras.
Esta notícia, de facto numa respeitada cadeia de notícias, dá vontade de rir. Ou não são os tribunais nos Estados Unidos os primeiros a submeter as provas apresentadas a tribunal a um friso de gente comum: quem dá o veredicto é um conjunto de gente chamada aleatoriamente, sem conhecimentos especiais de coisa nenhuma e muito menos de métodos judiciários, sobre as evidências estabelecidas nas sessões do tribunal.
Creio que o que Pedro Correia quis dizer com o post muito claramente é que o que se passa neste caso é que tudo o que conhecemos sobre ele foi moldado pelos tablóides – e é dos casos mais evidentes de julgamento popular. Tal como a mãe McCann assassina que não mostra sentimentos ou Duarte Lima, o saqueador de heranças, que é um falso calimero. Ou seja, não há provas concretas que eliminem quaisquer dúvidas sobre a culpabilidade destas pessoas (as próprias polícias especializadas tropeçam sobre os factos e cometem erros atrás de erros quer na recolha de provas quer nos momentos cruciais em que deveriam produzir informação técnica sem mácula) mas foram eles de certizinha absoluta porque têm cara de criminosos.
Certíssimo, Javali. Como refiro mais abaixo, a chamada ‘justiça popular’ constitui a forma mais abominável de injustiça.
Verdade Pedro. Confesso que não acompanhei o affair Knox. Não me interessou se matou ou não: assunto para polícia e tribunais, com toda a fabilidade que os processos acarretam. Ainda hoje não estou convencido duma coisa ou doutra. Sem acompanhar, não tenho opinião.
Já é outro o caso em relação aos media neste noutros assuntos, especialmente quando envolvem tribunais. Knox, Strauss-Kahn, Pedroso ou tantos outros. Todos eles pessoas que passaram de suspeitos a acusados na justiça e cuja vida foi devassada pelos media.
Não está em causa se estas pessoas eram ou não culpadas. Até a pessoa culpada do crime mais atroz terá de ter direito à sua privacidade e à sua dignidade. Se for considerada culpada já irá pagar pelo que fez. Não há qualquer razão para lhe arrastar a imagem pela lama para lá dos factos.
E aqui surge a questão: quem controla os jornais? A esta pergunta não surjem respostas fáceis. Se os jornais infrigirem as leis poderá haver lugar a processos judiciais (o caso News of the World, por exemplo), mas se apenas se comportarem como abutres a rondar os cadáveres e, pornograficamente, os mostrarem a uma legião de necrófilos, poderão passar incólumes.
Verdade: uma vítima de tal devassa poderá sempre recorrer aos tribunais. Mas… de que vale isso. Se tal instrumento tivesse o mínimo efeito dissuasor certamente que não veríamos o jornalismo tantas vezes selvagem que grassa pelos media mundiais. Uma condenação a pagar uma indemnização poderá ser não só inútil em si (por ser um montante inferior aos ganhos que a notícia motivadora do processo forneceu), mas também vã (por ser isolada, i.e., uma condenação em múltiplos actos semelhantes).
O facto é que os jornalistas se escondem por detrás da liberdade de imprensa. Infelizmente, esta liberdade, uma das mais preciosas que temos, pode tornar uma sociedade democrática numa ditadura dos media. A História ensina-nos que não podemos deixar qualquer poder livre de escrutínio independente. Se os poderes públicos são escrutinados pelo poder judicial e vice-versa, o poder mediático, que tudo escrutina, tem que ser sujeito a regras melhor definidas (que não é o mesmo que dizer mais restritas).
Dir-se-à que o poder que escrutina um órgão dos media é a sua base de consumo, só que isto não faz sentido. Se um jornal enganar os seus leitores com uma notícia falsa, embora estes o possam julgar com as carteiras, não o poderão julgar de qualquer outra forma, tal como a vítima de um crime não pode julgar o malfeitor. Um órgão dos media tem que ser julgado de forma directa por outros poderes independentes do mesmo, sem prejuízo de qualquer julgamento feito pelo seu público alvo. De qualquer outra forma, os media poderão sempre navegar nas áreas turvas do interesse frio, sem qualquer consideração para com o compromisso assumido com os seus clientes. Afinal de contas, eles são os fiéis da própria balança.
Boa reflexão, meu caro. A liberdade de imprensa serve de pouco se os órgãos de informação, nas suas linhas editoriais, esquecerem a função social que devem desempenhar. E nenhuma função social relevante é desempenhada com o espezinhamento permanente dos mais elementares direitos de personalidade (direito ao bom nome, à imagem, à privacidade) e o desrespeito pelas decisões dos tribunais. Chamar assassino a alguém declarado inocente pela via adequada, que é a judicial, é um ultrage sem reparação pecuniária possível. Basta avaliar por esta mesma caixa de comentários: apesar de o tribunal de recurso ter ilibado AK dos crimes de que era acusada, persiste quem a condene no chamado “tribunal da opinião pública”.
“foi vítima de um escandaloso erro judiciário”
Como sabe? Quem lhe diz que ela não é mesmo a assassina? O facto de o tribunal a ter absolvido não estabelece a sua inocência.
«O facto de o tribunal a ter absolvido não estabelece a sua inocência.» (?!!!)
Foi mesmo isto que eu li ou você escreveu algo diferente cujo significado de todo não apreendo?
Explico-me melhor: o facto de o tribunal a ter absolvido não prova que ela não tenha assassinado. Apenas quer dizer que o tribunal não dispõe de provas (suficientes) contra ela.
Ou seja, pode não haver (totalmente) erro da justiça. Ela pode ter sido anteriormente condenada com base em “provas” que o tribunal de recurso considera insuficientes ou dúbias. Apesar de não haver provas sólidas e suficientes contra ela, ela pode mesmo assim ter sido a assassina.
Espero que agora tenha sido claro.
“Pode” ter sido a assassina, mesmo depois de o tribunal de recurso a absolver: essa é precisamente a lógica da imprensa tablóide. Entre o que você escreve e as manchetes do ‘Daily Mail’ existe apenas uma diferença de grau.
Pode não ter sido, também – caro Lavoura. Ou por defeito quem vai a tribunal é sempre um criminoso e o tribunal só serve para provar a culpa e condenar ou não provar a culpa e ter de absolver?
A minha comiseração vai, primeiro que tudo, para aquela jovem estudante inglesa, brutal e canalhamente assassinada às mãos de uns fedelhos modernaços com posses para andar de país em país a estudar, na droga e nos copos à noite, e, quando calha, em orgias que podem acabar em tragédia, como foi este o caso.
E, como parece, a menina americana Amanda Knox , durante a sua passagem por Itália, não foi nenhuma menina virginal recatada – muito longe disso. Neste, como em tantos outros casos, na falta concreta de provas, a instância superior decidiu-se, no ‘in dubio pró reu ‘, pela inocência da condenada.
A mesmo sorte, porém, não teve a jovem assassinada de quem, pelos vistos, ninguém teve pena – dela e da sua família enlutada.
É aqui que bate o ponto.
O ponto não é esse. O ponto é este: nenhuma morte é redimida com a condenação de alguém sem provas. E no entanto Amanda Knox, mesmo absolvida pelo tribunal, acaba condenada pelo chamado ‘tribunal da opinião pública’ a uma pena perpétua, como fica bem patente das suas palavras. Se foi ou não uma ‘menina virginal recatada’ é irrelevante para o caso: interessa saber se matou ou não. O tribunal mais qualificado concluiu pela negativa.
Caso não tenha reparado a pobre menina Inglesa brutalmente assassinada também era uma fedelha modernaça com posses para andar de país em país a estudar, na droga e nos copos à noite, e, quando calha, em orgias que podem acabar em tragédia, como foi este o caso.
Mas quem foi assassinado foi ela, a fedelha inglesa, não os outros fedelhos que você defende e que, pelos vistos, neste tribunal de justiça para ricos e justiça para pobres, irá definitivamente ficar em águas de bacalhau.
Um crime miserável que ficará impune. E que parece não o incomodar.
E esta é que é grande diferença.
Aprendi a saber e a sentir que existem Verdades, no plural, e nunca na sua forma singular; neste crescimento contínuo, apercebi-me, igualmente, que todos somos jornalistas e juízes em causa alheia, com ou sem razão – para o caso pouco importa.
A “Verdade” do seu texto choca e faísca com a minha “Verdade”, eu que também acompanhei a notícia da bela adolescente americana desde a sua génese.
Foi sempre para mim de meridiana clareza que o puzzle que se ia compondo, metódica mas descompassada e atabalhoadamente nos “media”, tereia um final Hitchcockiano, com direito a todos os “suspenses” de uma novela da vida real.
Não duvido nem por um instante que, face ao clamor e lobby públicos nos E.U.A., a política e as pressões fizeram também aqui o seu caminho.
Há, efectivamente, muito mais coisas entre o céu e a terra do que aquelas que passam pelas nossas cabeças. O “…escandaloso erro judiciário…” que afirma existir está e continuará por demonstrar, e os exemplos similares abundam.
O facto, objectivo, preciso e conciso é que ‘Foxy Knoxy’ está a salvo no seu país de origem, o qual não consente a extradição!
O referido – e cito “…O drama de Amanda Knox…” servirá, isso sim, para confirmar com toda a assertividade uma outra conclusão: ninguém se lembra já da vítima, Meredith Kerche, estuprada, estrangulada e esfaqueada na garganta.
O maniqueísmo em relação a circunstâncias que não dominamos conduz-nos a esta paixão exacerebada pela estória da coitadinha da Amanda.
Fique, pois, comn a sua Verdade!
Infelizmente, a vida real não é um filme de Hitchcock: pelo menos nesses filmes o ‘happy ending’ estava garantido. Alguém ser condenado por um homicídio, passar quatro anos na prisão e depois outro tribunal acabar por considerar que afinal não havia provas suficientes para a condenação parece-me um pesadelo kafkiano.
Houve, claramente, um escandaloso erro judiciário. E escandalosos erros de avaliação por parte da imprensa tablóide – britânica e não só. Protestar contra isto não significa falta de compaixão pela vítima. Agora considerar que a ilibação de Amanda Knox se deveu a pressões dos EUA e etc já soa excessivamente ao habitual argumentário de extrema-esquerda anti-americana. E para essa discussão, sinceramente, não conte comigo.
Caro Pedro,
Fiz link e agradeço.
Um abraço.
Eu é que agradeço, Ana Paula.
Esse será o seu ponto de vista, Pedro Correia. Para mim, a menina Amanda, absolvida pelo tribunal dos homens, só será condenada por todo o sempre se, na sua consciência, de facto ela é culpada (ou cúmplice do crime da infeliz inglesa, essa, sim, por quem eu nutro pesar profundo.
Quanto ao mais, como todo o resto na vida, o tempo tudo cura e tudo apaga…
A decisão de um tribunal superior desloca a questão do terreno da opinião para o terreno dos factos. É um facto, comprovado em tribunal, que a jovem americana foi absolvida da acusação de homicídio. Ponto final. Tudo o resto é paleio de imprensa tablóide.
Costumo admirar a sua isenção e o seu bom-senso. Por isso,fiquei surpreendida com a sua veemência no protesto pelo “escandaloso erro judiciário”. Amanda foi condenada ao pagamento de uma indemnização, porque acusou o dono do bar que frequentavam de ter estado lá em casa e de matar a amiga. Admito que uma jovem inocente, apavorada, num interrogatório policial, minta. Mas porque acusaria quem nunca esteve naquela casa, naquela noite? Passei a duvidar da sua inocência.
Mentir num interrogatório policial não é matar, Luísa. A única coisa que ficou provada, segundo os magistrados italianos da instância de recurso, é que a jovem mentiu sob interrogatório — provavelmente por estar “apavorada”, como a Luísa admite.
Duvidar da inocência dela não é uma questão de palpite ou de fezada. O tribunal declarou-a inocente. É quanto me basta. Sou contra todas as formas de “justiça popular” – que são, afinal, as mais abomináveis formas de injustiça.
A sua fé absoluta e irrestrita (sim, fé, não mais que isso!) nostribunais , nos factos provados e nas instâncias de recurso torna-o, a meu ver, um ingénuo consciente.
Dê, por favor, o benefício da dúvida legítima quando não houver provas concludentes e irrefutáveis.E nunca se esqueça de mencionar avítima .
Acredite que tudo seria diferente se esta, no caso em apreço,fôsse a sua filha, mulher, amiga ou alguém sentimentalmente relevante na sua vida.
Acresce que se Amanda Knock tivesse a condição de italiana pobre dos subúrbios de Palermo, por exemplo, tinha, ab initio , a sua sentença ditada,
Sim, chamo aqui à colação a “justiça”para ricos e pobres, e os factos comprovam a minha crença inabalável na falta de isenção da justiça.
“Há notícias que podem matar” …
É mil vezes preferível absolver um culpado do que condenar um inocente. O princípio ‘in dubio pro reo’ é uma conquista civilizacional. A abolição da pena de morte e da pena perpétua de privação de liberdade também. Não tenho nenhuma fé absoluta nos tribunais: basta ler o meu texto, em que faço uma crítica duríssima à justiça italiana. Mas tenho ainda menos fé na “justiça popular” da imprensa tablóide e na sua lógica sensacionalista, sempre sedenta de sangue, a triturar triturar pessoas na praça pública. E poupe-me à demagogia esquerdista da “justiça para ricos e pobres”. Não há mundos perfeitos nem sociedades perfeitas: as tentativas de construir as referidas sociedades perfeitas deram no que deram, originando mundos de pesadelo. Na Coreia do Norte, por exemplo, não há “justiça para pobres e para ricos”: há injustiça para todos.
Acaso se deu conta que é sempre, mas sempre melhor o inocentar um inocente e culpar um culpado? a sua verborreia não reparou decerto!
A certeza jurídica, um dos princípios fundamentais de Direito, isso o exige!
O brocardo latino in dubio pro reo “, implica uma dúvida consistente e não apenas razoável, que não existiu no caso Amanda Knox ; a instância de recurso não apagou essa dúvida, longe disso, antes a ampliou.
Atalhando argumentos, e quanto ao catalogar as pessoas como sendo de direita ou de esquerda, já dei para esse peditório; o qual revela, aliás, a sua mentalidade tacanha e canhestra.
Prezo-me de pensar e discernir por mim e, não tenho fasquia ou critério outro senão o da minha Consciência e da minha Liberdade de Pensar.Não sou “demagogo” nem “esquerdista”, e não acredito em mundos ou sociedades perfeitas.Ser, neste caso, contra o poder do lobby americano (novos desenvolvimentos haverá, esteja atento) não equivale a bramir a espada de Dámocles sobre a justiça, o Povo e a sociedade americanas, se bem que seja essa mesma sociedade e justiça que despreza as conquistas civilizacionais que refere:a abolição da pena de morte e da pena perpétua de privação de liberdade. A “justiça” para ricos e para pobres existe e, o nosso país é um paradigma dessa vivência.Onde tem andado ao negá-la?
Quanto a isto estamos conversados.
O facto de ter sempre, em derradeiro lugar, a faca e a pena na mão, não lhe dá outro direito senão o de esgrimir a sua opinião e escutar a dos outros sem remoques e tiques de mestre de escola.
Aprecio uma boa refrega opinativa, uma peleja com regras e argumentário consistente.Mas assim não!!!
Cuidado ao qualificar com tanta facilidade de “verborreia” as opiniões de quem pensa de maneira diferente da sua, não vá esse tiro fazer ricochete. Como não quero manter a polémica no seu registo, que não é de todo o meu, limito-me a concluir: se a sua noção de justiça é a que enuncia, ainda bem que jamais serei réu num tribunal presidido por si.
“Rebobine” a conversa e constate quem foi que teve o desplante de etiquetar os outros, classificando-os e arquivando no cacifo da “esquerda” e “direita”!??
Não estamos habituados a ver maldade nuns lindos olhos azuis e cara de anjo. Quantas vezes vemos reportagens de pessoas que descrevem assassinos como sendo boas pessoas, incapazes de matar uma mosca? Just saying…
E quantas vezes se libertam criminosos por falta de provas, ou por lacunas disto e daquilo?
Ela pode não ser inocente, pode ter tido apenas um bom advogado. Ou pode ser inocente e foi mais uma vítima do sistema imperfeito judicial.
O que importa nisto tudo é que um crime continua por punir. E importa reflectir sobre a razão pela qual sempre nos foi tão difícil aceitar a sua culpa. Fosse ela um homem, com mau aspecto, ou tatuado, nunca teria saído da prisão.
Helena, ela já foi punida por um crime que afinal (tribunal ‘dixit’) não cometeu. Esteve quatro anos presa – e só ao fim desses quatro anos vem a a ‘absolvição’. Percorra a Net, leia o que se foi escrevendo sobre ela: chamaram-lhe assassina com todas as letras em mil textos um pouco por todo o mundo. Inverto o seu raciocínio: fosse ela um homem, com mau aspecto, e não teria sido alvo nem de um décimo dos artigos cheios de ódio que a contemplaram. Nem de títulos que se lhe colaram à pele como um escarro que nunca mais desaparece, títulos como ‘A assassina dos olhos doces’.
E no entanto, depois disso, um juiz manda-a sair em paz. Como se esta mulher alguma vez pudesse voltar a ter paz na vida.
Não segui este caso, mas o McCann sim. Tenho a ideia de que, em ambos os casos, a “justiça popular” foi amplamente provocada pela tentativa de utilização dos media em proveito próprio.
Exactamente, Isabel. Este caso tem semelhanças com o caso McCann. Com a diferença assinalável que os McCann não penaram quatro anos na prisão, como Amanda Knox.
A verdade é que há muita coisa por explicar. Há um condenado que continua na prisão e dois que saíram em liberdade. O crime continua sem explicação. O ADN do rapaz italiano foi encontrado no soutien da vítima. Como é que isto era possível se o namorado italiano estaria com Amanda, em casa deste, à hora do crime?!
Ela, Amanda, toma banho numa casa de banho com sangue no chão e só depois é que estranha a vítima não atender os telemóveis. Qualquer pessoa, normal ao entrar num wc da casa onde vive e visse sangue, não iria antes verificar se acaso se tinha passado algo?
Os peritos dizem que a maneira como Meredith foi assassinada implica a presença de mais que uma pessoa no quarto. Quem seriam essas pessoas afinal? A verdade é que ninguém sabe o que de facto aconteceu mas há demasiadas pontas soltas, muita provas parciais de ADN que supostamente foram mal recolhidas. Uma condenação e uma absolvição.
Pode ser culpada. Pode ser inocente, apesar de, pessoalmente pender mais para a primeira hipótese por influência do que li sobre os factos do crime.
É um facto que a cobertura mediática pode trazer benefício ou manchar o carácter do visado. Mas nesta caso – jovem, bonita, envolvida numa situação com contornos ambíguos – era ” inescapável”.
Amanda tem olhos de psicopata. Só assassinos tem aquele olhar é uma assinatura do crime cometido! Que deus nos ajude, foi absolvida por ser americana! Pobre da vitima!
Que disparate. Você conclui que uma determinada pessoa cometeu um crime por ver uma fotografia dela. Suponho que não é magistrada. Ainda bem: não gostaria nada de um dia ser julgado em audiência por si.