Que dia é hoje?


jmmcc,

Passei pela televisão e fiquei a saber que hoje se celebra (?) o Dia Mundial da Saúde Ambiental. O que será isto? Um apelo para irmos respirar em bom ambiente? Um desafio para nos afastarmos e deixarmos o ambiente respirar sozinho? Uma data para estudarmos o impacto da nossa saúde no ambiente ou do nosso ambiente na saúde do vizinho? Só hoje ou todos os dias?

Proliferam, multiplicam-se, desmultiplicam-se e até se atropelam e sobrepõem os dias nacionais, os dias internacionais, os dias mundiais e os dias anuais. Alguém conhece metade deles? Alguém quer saber de um-terço deles? Alguém está prevenido para a chegada de um-quarto deles? Nem pouco mais ou menos. Ou porque muitos foram inventados por qualquer boa intenção que se perdeu no tempo, ou — sobretudo — porque a tradução real pretendida nem sequer é clara, a verdade é que a maioria das pessoas se está nas tintas para a maioria dos dias nacionais, dos dias internacionais, dos dias mundiais e dos dias anuais, que são muito mais do que os dias do ano.

O defeito disto explica-se, como sempre, pela banalização das iniciativas. Será sempre desinteligente banalizar aquilo a que quer dar-se importância. A propósito: que dia é hoje?

18 comentários em “Que dia é hoje?”

  1. Caro João,

    Terá toda a razão quanto ao que apelida de ‘banalização’. Estamos de acordo.

    Em qualquer recurso, presumo que ‘saúde ambiental’ será a antítese daquilo que encontramos numa cidade, por exemplo, como Shangai ou Linfen, na China, ou Dzerzhinsk na Rússia.
    Shangai ainda aguentei dois dias e jurei para nunca mais — e nem ligava muito a estas questões, palavra d’honra.

    Abraço de Longe,

    Luís Afonso

  2. Olhe, a propósito de Saúde Ambiental (ou falta dela) na nossa capital, encaminho-o para um texto publicado há pouco por Maria Filomena Mónica n’O Carmo e a Trindade:

    http:/ carmoeatrindade.blogspot.com /2011/09/parques-e-jardins-de-lisboa.html

    Quanto à banalização, creio eu advém da superficialidade com que todos vamos (sobre)vivendo. Existe cada vez mais relutância em aprofundar assuntos, em sentar um pouco e pensar, em ter paciência para ouvir uma sinfonia de 1 hora. Queremos tudo e queremo-lo já. Consequência do apreço pelo imediato e pelo superficial será a criação de eventos banais como estes, para lembrar a todos, uma vez por ano (!), que um problema existe (embora ele exista nos outros dias do ano também). Apaziguando,assim, a consciência de quem na realidade não quer saber de nada daquilo, mas que participou em não-sei-quantos-dias-mundiais . Logo, é pessoa extremamente consciente e preocupada com as maleitas do mundo… Creio que se cada um de nós se dedicasse a um único projecto com honesto afinco haveria mais obra feita do que com isto de andarmos milhares a correr entre mil e uma causas, acabando por não fazer nada em prol de nenhuma delas. Daria é realmente trabalho e demoraria tempo e sempre seria menos atractivo que o afã missionário desta sociedade tão consciencializada para tudo (da hipertensão arterial aos cães abandonados, passando pela reciclagem).

  3. Para a esmagadora maioria da “malta” o dia mais aguardado é o— Dia Mundial da Final do Mundial de Futebol.

    Eu sou um dos que…

    1. Apoiado Pedro! Vamos fazer uns cartazes e uns flyers , organizar umas marchas onde vão 50 pessoas (familiares, amigos e intimados) e ser entrevistados em directo às 20h55 para os noticiários das 20h (que isto encher chouriços uma hora tem muito que se lhe diga). Há também que criar um evento no facebook , mas como me deixei disso não poderei ser eu.

  4. É preciso justificar a existência de empregos. Por os dias por isto e por aquilo imaginados por um burocrata ocorrem.
    Aliás toda o politicamente correcto deve-se em grande parte porque as coisas sensatas já foram todas ditas e inventadas.

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