RUA DE SÃO FRANCISCO (actual Rua Ivens)
«A criada dissera que o Sr. Cruges vivia agora na Rua de São Francisco, quatro portas adiante do Grémio.»
Eça de Queiroz, Os Maias
Foto: blogue Balada do Mar Salgado
RUA DE SÃO FRANCISCO (actual Rua Ivens)
«A criada dissera que o Sr. Cruges vivia agora na Rua de São Francisco, quatro portas adiante do Grémio.»
Eça de Queiroz, Os Maias
Foto: blogue Balada do Mar Salgado
Lisboa, 1913
…” Em Lisboa que saudosamente eu voltara a ver depois de dois anos de ausência, e onde acabo de passar quatro estirados meses, apáticos, aturdidos e mudos, transformou-se tudo durante os dois ou três anos…” Encontro-me com uma multidão espessa, mesclada, heterogénia confusa, lembrando o excepcional movimento hebdomadiário de uma populosa vila de provincia em dias de mercado.
Figura-se-me que na massa de transeuntes predominam operários não em trajo de trabalho, de blusa e calças de bombazine, como nas cidades industriais e laboriosas, mas quase burguemestres vestidos, de gravata…” A sua expressão fisionómica nada tem de provocadora, nem de hostil, nem sequer particularmente grosseira. Se foram algum dia arruaceiros e espancadores de oficio, mudaram de modo de vida”…
…” Aos numersos magotes dos operários em folga seguem-se como elemento componente do pessoal lisbonense a legiâo considerável e empregos públicos, dos deputados e dos senadores do novo regime…. todos estes cavalheiros patenteiam o ar regozijado e feliz de quem tem assegurado o seu talher de conviva á mesa redonda ou às pequenas mesas floridas do orçamento geral do Estado!
Ramalho Ortigão
Últimas Farpas /” A Nova Lisboa ” 1913
A Mendes: obrigado por nos trazer aqui esse trecho de uma obra de referência, infelizmente tão esquecida (e esgotada há muito no mercado editorial portuguesa, tanto quanto sei).
Possuo a obra completa… ( Ediçao Classica Editora)Fica á sua disposição.
Tentarei “comentar” o seu magnifico post ” Lisboa Antiga”com a prosa do nosso “Fotografo” Ramalho !
Agradeço-lhe desde já. E acarinhe bem essa edição: hoje só é possível consegui-la num alfarrabista bem fornecido.
Bem merece referência o Maestro, essa personagem tão caricata! E não é que se lhe esqueceram as queijadas 🙂
Esse é um dos episódios mais hilariantes d’ «Os Maias».