
Ao aumentar os impostos de nove em nove dias, sem nada fazer para reduzir a despesa pública, o Governo está a seguir exactamente a mesma via que a Grécia segue a caminho do desastre. O imposto extraordinário de solidariedade que foi anunciado não passa de uma cópia descarada de iniciativa semelhante que a Grécia lançou em Junho deste ano. Faço uma aposta que só vai ter efeitos perversos e que por isso este delirante novo aumento de impostos que a Grécia agora também anunciou irá ter igualmente em breve a sua versão portuguesa. Tudo isto, no entanto, para nada, uma vez que quem sabe do assunto já anunciou que a Grécia terá um hard default o mais tardar em Dezembro.
Portugal deveria olhar para isto como um aviso sério e seguir um caminho radicalmente diferente, deixando os impostos quietos e apresentando imediatamente um programa agressivo de redução da despesa pública. A insistência do ministro das Finanças em seguir a via grega cabe na definição perfeita do que é um comportamento irracional: adoptar sempre o mesmo procedimento, esperando que ele alguma vez conduza a um resultado diferente.

Há aqui uma questão que me tem perturbado. Se o PSD/PP procederem a uma redução brutal, conforme prometido, da despesa, a massa de lugares alocados aos simpáticos do PS não seria substituída pela massa dos simpáticos do PSD/PP.
Portanto, há aqui uma contemporização que segue o seguinte raciocínio: não é possível governar em paz, retirando o tapete aos velhos vampiros do clientelismo porque é suicidário e desencadearia uma onda de rejeição muito difícil de suster.
Por isso se quedam. Entretanto, qualquer intervenção na despesa será a conta-gotas, muito lenta e ponderada para evitar o efeito descrito atrás.
Tenho dito. Ninguém ouve.
É costume dizer-se que cada português é um excelênte treinador de bancada de futebol…
Devido às circunstâncias da “crise” passou também a ser um “financial expert”…
Se fosse tão bom como julga ser… O país seria, simultaneamente, campeões do mundo… e o Qatar da Europa!
Agora os governos ficam na mão dos “financial experts”. O problema é que há muitas posições na área. É por isso que o cidadão comum escolhe. Chama-se a isso democracia.
Como pretende o Luís reduzir a despesa pública, que em grande parte consiste em gastos com pessoal? Quer despedir polícias? Ou prefere despedir enfermeiros? Ou generais? Ou professores primários? Ou juízes?
Há muitos sectores onde cortar. Eu começava por extinguir ou fundir todos os organismos que constam da lista de Marques Mendes. Para cortar na despesa basta querer começar.
Há muitos sectores onde cortar
Sem dúvida que há, mas qual o setor preferido pelo Luís para os cortes? O setor militar? O setor da saúde? O setor da justiça? O setor dos negócios estrangeiros? O setor da educação? O setor policial?
Eu começava por extinguir ou fundir todos os organismos
E o que faria aos funcionários desses organismos? Extinguia-os? Fundia-os? Ou, mais simplesmente, mandava-os para o desemprego? E, se não lhes fizesse nenhuma dessas três coisas, pensa que a despesa seria muito reduzida lá por extinguir ou fundir os organismos, sem no entanto extinguir nem fundir os seus funcionários?
Convem referir o ano, para não confundir com o 11/9 de 1973.
Pois é.
A destruição da economia livre na Grécia ou em Portugal continua.
A economia do Complexo Político-Social continua em excelente forma.