O regime de Luanda começa a sofrer os primeiros abanões dignos de registo. São, até ver, apenas sinais. A história recente corre, ainda, em favor de José Eduardo dos Santos. Mais de trinta anos de guerra sangrenta estão bem presentes na memória e na carne dos angolanos. Daí que muitos prefiram, de momento, fechar os olhos e a consciência a quanto os rodeia. A paz podre é para estes, apesar de tudo, uma solução aceitável quando comparada com os dias de chumbo da guerra pura e dura. Por isso, não acredito que estes sejam ainda os prenúncios de uma primavera angolana iminente. Por mais um tempo, com mais ou menos sobressaltos, a arraia-miúda dedicar-se-á ao bisness de cada dia e o poder continuará a explorar o business. As usual. Assim, teremos, se não me engano, ainda um par de anos para exercitarmos toda a nossa complacência relativamente a este regime corrupto e autocrático. Essa que impede, inclusivamente, aqueles que se empenharam em encontrar toda a sorte de justificações sociológicas (quando não metafísicas ou até astrológicas) para os acontecimentos de Londres a calarem qualquer sinal de solidariedade relativamente aos manifestantes de Luanda. Ou, acaso, perante tal silêncio, devemos admitir que ali, no Cazenga, na Maianga ou no Sambizanga, existem mais democracia, oportunidades e justiça social do que em Tottenham ou noutros subúrbios das grandes cidades inglesas?

Neste assunto, tenho de dar razão ao Marcelo Rebelo de Sousa: o que importa é que estes protestos não dêem azo, não sirvam de desculpa ou de pretexto para travar o processo de democratização que, apesar de todos os equívocos, está em curso em Angola.
Pois. Até porque não daria jeito nenhum que o business fosse perturbado.
De Diago Cão a 1974
Só uma pergunta inocente:
O que teria dito a ONU – OUA – a elite combatente libertadora angolana e portuguesa … se a filha dum governador portugues fosse uma das principais acionistas duma Galp /Banco BIC/ unha com carne com o homem mais rico ( trabahador honesto) de Portugal?
E o mais que não se sabe!!!!
Que los hay, los hay.
Excelente pergunta em jeito de remate, Rui: «Devemos admitir que ali, no Cazenga, na Maianga ou no Sambizanga, existem mais democracia, oportunidades e justiça social do que em Tottenham ou noutros subúrbios das grandes cidades inglesas?»
Por uma vez, os sociólogos de pacotilha ficam calados.
Para que conste, Pedro.