Então foi assim, o tipo ia na rua, descansado, não viu o buraco e caiu. Começou aos berros
Socorro, socorro!
Passou um bombeiro que, preocupado, com ar cansado, desgastado, disse:
Acabei o meu turno, quando chegar a casa ligo para o ajudarem.
Passou um padre. Olhou para o buraco e para o seu ocupante, encolheu os ombros e atirou uma Bíblia, dizendo:
Não posso fazer mais por ti, meu filho.
A seguir, ouvindo uma voz que reconheceu, um amigo abeirou-se do buraco no asfalto.
Olá, o que estás a fazer aí?
Tira-me daqui, caí.
O amigo suspirou e atirou-se para o buraco. Uma vez lá em baixo, limpando as mãos cheias de terra às calças de ganga, o outro, o primeiro a cair, largou aos berros:
Estás maluco? Eu quero sair, não quero companhia.
O amigo sorriu.
Deixa-te estar. Calma. Eu já estive neste buraco e sei como se sai.

Saberá mesmo? A ver vamos…
http://umjardimnodeserto.wordpress.com/2 011/09/02/assim-os-portugueses-vao-mesmo-v er-se-gregos/
Se houver por lá lugar para mais um…
Hi hi! qualquer coisa diz que a malta atira-se e vai-te apanhar. beijos
Patrícia, tens uma gralha… falta-te um acento em “caí”. Gravíssimo!! eheheheheh
Mas olha, não emendes. Com isso podemos atrair o “a pau” até à beira do buraco, à procura de mais defeitos, e zás!, empurramos o nosso corrector ortográfico lá para dentro. Boa? Mas antes tiramos de lá o amigo que conhece a saída… 🙂
Ana, esqueci-me de avisar, todas as minhas postagens terão erros. Deliberadamente. Só para maçar os puristas:) é preciso rir, não é?
Obrigada, como tenho medo do A Pau, seja lá quem for, já emendei. A tentação de escrever com gralhas é tão grande, Ana. Ai ai. Vou dormir. beijos
Ora bem, isso parece-me um achado! Rir é o melhor remédio, é verdade. Cura (quase) tudo, é garantido.
Patrícia, acho incrível, és omnipresente? Não sabia que tinhas assistido à cena, ora esta ;)) Mas nem imaginas o que se aprende nos buracos (os heróis do Victor Hugo tb andaram pelos bas fonds de Paris e olha lá se não deram uma obra em 3 tomos…)
Em 3 tombos, queres dizer? 😉
E que tombos!!! Estou como o jaa: são mais de 800 páginas… 😉
hi hi! E a Ana sempre a gozar connosco, já viste isto? Beijos
Beijos para ti também, ó miúda!
Agora vou apanhar ar, que este buraco é simpático assim cheio de amigos, mas lá fora faz sol e eu tenho de aproveitá-lo bem. Quem quer vir? (eu sou o amigo que conhece a saída, ehehe)
Buracos há muitos… Uma “bica” a quem descobrir a diferença do nosso….
” Buraco, cova cavada, no cemitério, é jazigo;
caçapa, se na sinuca, cacimba, se no sertão;
Se for bem fundo no chão vira um poço de petróleo,
que só sobe por pressão.
Mas se for uma cisterna serve para matar a sede;
Se muitos amarrados já são chamados de rede.
Se na ponta do nariz nos ajudam a respirar,
mas dos lados da cabeça servem também para escutar.
Os dos olhos estão cegos, não nos deixam enxergar
que os furos desta urbe não são apenas no chão:
tem buraco na Saúde, buraco na Educação,
buraco no carnaval, buraço na Exposição…
Tem buraco nos salários dos que recebem tostões,
Mas pra patota da Casa, o erário jorra milhões.
Onde a Câmara a Justiça, o MP eo Povão?
Processos engavetados na capital da Bahia
Ao custo de muita grana que sai da nossa mesada.
O buraco vai ficar maior que Serra Pelada.
“Carlos Alberto Sampaio”
Até que enfim… alguém conhece uma saída!
Isto é uma espécie de alegoria, não é? Estou aqui há horas a olhar para o texto e ainda não consegui encaixar todas as personagens. Vejamos: o Sócrates abriu (ou, vá, afundou) o buraco; o tipo que cai primeiro pode ser imensa gente (quase todos os portugueses); também há várias hipóteses para os que passam indiferentes, de banqueiros a construtores civis, passando por um ex-governador do Banco de Portugal. O tipo que salta lá para dento, ok, podia ser o Passos Coelho, totalmente iludido quanto a saber como se sai – mas porque diria que já lá esteve?
O comentário que aqui fiz ontem também deve ter caído lá para o mesmo buraco… Não vejo outra expliocação para o seu desaparecimento.
Eu gostei muito do seu “buraco”…. porquê não publicou o meu?