Quando me disponho a sentar-me para beber café na esplanada, ou vejo coisas engraçadas, como aqui contei, ou ouço pedaços de conversas e frases soltas, se alguém levanta a voz mais do que seria suposto.
Hoje, a meu lado, conversava-se em surdina. Assertiva, uma das frases subiu no tom:
– Aquilo era uma relação de sexo e ódio.
Como estava a ler algo menos, digamos, agitado, baixei o meu nariz para as palavras escritas e abstraí-me das palavras ditas. Diga-se de passagem que, também, não me agrada muito ficar de ouvidos receptivos à vida dos outros.
Mas registei, mentalmente, a frase para voltar a ela quando tivesse tempo. Se eu fosse tão arrumada com os meus papéis como sou como os meus pensamentos, muita coisa seria diferente.
Liberta dos afazeres vespertinos, cheguei a casa e sentei-me no sofá de onde vejo o castelo, para pensar. Penso muito melhor quando estou lá a olhar para o castelo. É como se as voltas de todos os raciocínios fossem ao fundo do tempo e me trouxessem o que tinham aprendido na viagem.
Evoquei histórias vagas, pequenas confidências, desabafos antigos.
– Aquilo era uma relação de sexo e ódio.
Fosse lá do que fosse que estavam a falar, todas as probabilidades apontam para que história de que ali se fazia balanço seja pouco original.

Ah, o anti-climax…