Duas menos pouco da tarde. Caminho pela rua Júlio Dinis e não resisto ao aspecto da montra da Petúlia. Dizendo a mim mesmo que afinal não comi sobremesa ao almoço, entro e peço uma nata. Vou pelo passeio a comê-la quando me cruzo com uma rapariga preenchendo um vestido curto e decotado da forma mais adequada que é possível imaginar. Tem pernas longas, cabelo escuro e não parece possuir um grama de gordura fora daqueles dois locais onde ela, simetricamente distribuída, até fica bem. Como eu, vem a comer. Mas não uma nata; uma maçã. De repente, sinto-me tão consciente das minhas falhas…
(Mas mantenho-me firme: depois de passar por ela, não deixo de comer a nata até ao fim. E não olho para trás.)

“uma” grama?
Uau!!!
Touché. Corrigido. Obrigado. (Mas você podia ser um bocadinho mais suave. Só um bocadinho.)
Certo. Da próxima vez não esqueço a vaselina.
Oooooh, classy…
Jaa, “uma nata” é o mesmo que “um pastel de nata”, aqui em baixo? É verdade o que se diz: vocês sempre foram mais económicos. 🙂
É. Mais económicos? Nas palavras? Aqui no Porto? Hmm, talvez mais directos, Ana (e coloridos, carago). De qualquer modo, sejamos ou não mais económicos, não somos, claramente, mais frugais. Pelo menos eu. 🙂
Eh lá… não abuses. Mais coloridos? Isso é que não são, carago. E mais frugais somos todos agora, raios. 🙂
Ana: eu estava a referir-me à linguagem. Visita o mercado do Bolhão, elogia o Luís Filipe Vieira e o Rui Rio e logo verás… 😉
Quanto à frugalidade, eu ainda ando a tentar convencer o meu hipotálamo.
Quanto à linguagem tens toda a razão. O léxico nortenho é imbatível, e o Bolhão uma verdadeira escola de novos vocábulos essenciais! 🙂
O que é que foi mais difícil? Não deixar de comer a nata ou não olhar para trás?
Ora adivinhe, Alice. Tem uma tentativa.
(E eu adoro natas…)
Há coisas realmente difíceis… :))