
Existirá algum ponto em que Portugal se distinga, realmente, de outros destinos turísticos? Temos Sol, é certo. Mas, outros têm-no também. Até mais intenso. O mar? Temos tanto mar, de facto. Todavia, já vi águas mais turquesa, mais calmas e mais quentes. Somos ainda, é verdade, um país relativamente seguro. Tão seguro como muitos outros lugares. Ao contrário do que se possa pensar, os nossos preços não são baixos. Pelo contrário. Não faltam destinos muito interessantes com relação qualidade preço mais favorável. Temos uma história longa, mas estamos longe de dispor de uma oferta cultural ou monumental tão entusiasmante como aquela que se pode encontrar em Itália, França ou Espanha, para só dar alguns exemplos. A nossa simpatia? Sim, é certo que não somos franceses no trato. Mas daí a dizer-se que somos um povo extraordinariamente hospitaleiro ainda vão mais uns passos. Será então a alegria contagiante que nos distingue?. Pois, quanto a isso estamos conversados. O leitor, por esta altura, depois de tanta hipótese sugerida e refutada, estará já com pouca paciência para continuar a acompanhar este exercício de erro e tentativa. É pois tempo de partilhar as conclusões a que cheguei. Sim, parece-me que Portugal tem uma marca distintiva, um aspecto em que é imbatível. Refiro-me à gastronomia. Rica, diversificada, apurada. Entradas, sopas, peixes, carnes, sobremesas. Uma profusão de sabores, cores e paladares. Ao dispor de quem nos visita em qualquer canto e esquina, mesmo (ou sobretudo) nos locais menos pretensiosos. Não conheço ainda meio mundo. Mas, por onde tenho passado, nunca encontrei nada assim.

Eu devo ser um gajo azarado. Estive por duas vezes em França e nunca tive a oportunidade de confirmar o cliché de que os franceses são antipáticos ; Tenho tido destas “desilusões” com todos os europeus e pessoas de outros continentes que vou conhecendo.
Quanto ao resto, o Rui Rocha tem toda a razão. Podem cá os turistas limitar-se a saltar de tasca em tasca que, gastando uma ninharia, voltam para os seus países em estado de graça, mais do que visitando os museus de Florença.
É de facto estranho, Pedro. Estudos científicos e mera observação empírica demonstram que a probabilidade de encontrar um francês antipático é muito mais elevada do que a de os portugueses pagarem mais impostos nos próximos anos. Quanto às tascas, sintonia total. Aliás. se em Florença tivessem acesso à nossa gastronomia, nunca teriam tido vontade de erigir o vasto património cultural que se conhece.
Tem a certeza que esteve em frança???? Já lá estive mais de vinte vezes (Paris, a Bretanha e a Normandia merecem que se volte sempre), passo férias no Club Med (este ano na Balaia) e interessante, este ano consegui chegar à fala (tarefa hercúlea!) com um casal jovem de Avignon,(se fossem Parisienses não conseguia esse feito) que me explicaram com um pormenor fabuloso e com muito humor também porque são os Franceses tão antipáticos, fechados sobre eles próprios, chauvinistas, sem necessidade que exista mais mundo.São os primeiros a reconhecer a forma arrogante como olham para tudo que saia do “hexágono” para fora. Mas o mais interesante é que no dia seguinte a esta conversa passaram por mim e não me cumprimentaram sequer. Foram coerentes, os Franceses são mal-educados (comem, com as mãos), arrogantes, egocentristas. pena que Paris não seja habitado por Italianos . Não quero ser desmancha prazeres, mas não tenho o prazer da mesa, antes pelo contrário não gosto de comer,nunca almoço e à noite como qualquer coisa, tipo sopa , pão e pronto. Detesto peixe e marisco, azeitona, presunto, queijo (nem cheiro!), vinho,e mais um monte de coisas, acho muito primário o acto de comer da forma desmesurada como os Portugueses o fazem. É um dos poucos países do mundo ocidental em que tudo pára para almoçar. Existe um estudo interessante (lamento não me lembrar do autor) que encontra uma relação bastante directa entre a nossa falta crónica de produtividade e o tempo que se perde a comer, e a quantidade que se come que provoca digestãoes pesadas. Na City os executivos mastigam uma sandes ao almoço enquanto trabalham, temos que começar a perceber que se deve comer para viver e não viver para comer!
Já agora: a nossa doçaria peca por excesso de açúcar,já ouvi queixas de turistas à conta disso. Já provou a doçaria Húngara, Belga, Marroquina, Austríaca? Prove e comprove. Ah, gosto de chocolate mas aí tenho que ir à Bélgica, que tem o melhor chocolate, a melhor cerveja e as melhores batatas fritas do Mundo!
Conheço Mundo, falta-me o Irão, Coreia do Norte e Israel (onde nunca irei), e continuo a achar que tanto na Itália, como no Brasil e sobretudo na Argentina se come de longe melhor que em Portugal. Pequeno pormenor: a carne nacional é má, não presta, é dura.
Nem todos os franceses são antipáticos, Rui e Pedro. Esse rótulo começou com os parisienses – que são realmente antipáticos – e depois estendeu-se, injustamente, a todo o resto do país. A província francesa tem gente encantadora e que recebe muito bem.
E o tinto, que é bom e barato 😉
bem-vindo de volta à blogosfera.
Abç
Obrigado, Isa.
Rui! Eu não concordo nada com a colocação despudorada desta fotografia, assim sem mais nem menos. Tomei o pequeno-almoço tarde, mas, por causa de uns afazeres inadiáveis, não almocei. É certo que ser do Sporting me tem preparado para as adversidades da vida. É o que me vale.
E eu concordo inteiramente com o comentário da Ivone: o menino acha bem, acha?
(por acaso estava a ler este post quando uma amiga entrou e me perguntou:
– Ah, mas bom aspecto, estás a ver receitas?
respondi-lhe:
– Isto não são receitas, isto é terrorismo.
E cadê o verde branco fresquinho, hã? hum?)
Pois a mim palpita-me mesmo que é mais a nossa simpatia do que a culinária que nos distingue aos olhos dos estrangeiros. Se fosse a relação qualidade/preço do nosso vinho, já não discutia. Mas a nossa comida agrada ou não, é conforme. Sobretudo, nem sempre lhes agrada a eles o que mais nos agrada a nós (vide os doces de ovos)!
Agora, lá que como povo somos particularmente simpáticos (ou, mais precisamente, e o que não é bem a mesma coisa, “gracious”), quase toda a gente concorda menos nós 😉
Pronto, mas isso resolve-se, Isabel. Ficamos nós com os doces de ovos e prontos.
Mais fica!
Parece que o Cutileiro (embaixador) diz que os grandes contributos dos portugueses para a Humanidade foram dois: os Descobrimentos e os doces de ovos. Assino por baixo!
É a relação qualidade/preço da comida, coisa sem paralelo em lado nenhum (Mailo sol e praias de areia fina e branquinha, claro). Mesmo quem não gosta da nossa comida, pede um bife com batata frita, paga 10 euros e vai feliz. Já o vinho… não tenho tanta certeza. Já vi muitos acompanharem sardinha assada com ice tee. Os do norte da Europa (acima e ao lado de frança) pedem vinho para ficarem alegres, mas tanto lhes faz beberem Pêra Manca como vinho da casa.
A simpatia de uns a outros dava outro post. Mas sim, é verdade que uma coisa que agrada aos turistas é sermos gracious para eles.
Ah, eu acho que nós somos gracious, ponto. Excepto quando somos umas bestas, claro. Mas de um modo geral somos gracious e, como a palavra indica, gratuitamente, sem ser para inglês ver ou turista apreciar.
Esqueceu-se de mencionar os néctares que são produzidos neste país e que estão tão bem adaptados à nossa gastronomia. De resto, muito bom!
Sim, são um excelente complemento, não há dúvida Hakeem.
Farto-me de dizer isto, Rui: a nossa gastronomia é um património cultural riquíssimo, que não só nos distingue como nos eleva aos olhos dos visitantes. Mas é preciso dignificá-la e preservá-la, sem facilitismos nem adulterações batoteiras. Por mim, faço o que está ao meu alcance para isso.
Não tenho dúvidas, Ana.