O PCP ainda chora pela URSS


Pedro Correia,

 

A ala mais extremista do PCP, que domina a direcção do partido, mantém-se fiel à linha de rumo que, noutros tempos, levou os comunistas portugueses a apoiar a invasão da Hungria e da Checoslováquia, às ordens de Moscovo, pelos blindados do Pacto de Varsóvia. Isto fica bem evidente num comunicado repassado de nostalgia pela defunta União Soviética em que o PCP, vinte anos depois, volta a manifestar o apoio à clique golpista que em 19 de Agosto de 1991, à margem de toda a legalidade “socialista”, procurou derrubar Mikhail Gorbatchov através de um putsch militar digno de uma qualquer república das bananas.

«Com o desaparecimento do poderoso contra-peso que a URSS e o sistema socialista representavam em relação ao imperialismo e à sua política exploradora e agressiva, e a brutal alteração da correlação de forças daí resultante, o mundo tornou-se mais injusto, mais perigoso, mais desumano. Vinte anos depois revela-se com toda a nitidez a falsidade e hipocrisia dos argumentos “democráticos” e “humanos” que presidiram à campanha anti-soviética e anti-comunista em torno dos acontecimentos de 19 de Agosto de 1991, falsidade e cinismo que o PCP desde logo denunciou, enfrentando com firmeza as operações de falsificação e calúnia que visavam, em Portugal, desprestigiar, enfraquecer e dividir o colectivo partidário, confirmando e afirmando os seus princípios e identidade revolucionária e expressando inteira confiança no ideal e no projecto comunista» , refere o comunicado.

Gostava de saber se António Filipe, actual vice-presidente da Assembleia da República, o ex-secretário-geral comunista Carlos Carvalhas, o antigo líder da bancada parlamentar do PCP, Octávio Teixeira, o deputado Honório Novo e o dirigente máximo da GCTP, Manuel Carvalho da Silva, entre vários outros conhecidos militantes do partido, se revêem nesta linguagem saudosista de um regime que já foi condenado sem equívocos pelo povo russo e pela História.

 

Foto: fragmento do Muro de Berlim, numa altura em que – segundo o PCP – o mundo era menos desumano, menos injusto e menos perigoso.

22 comentários em “O PCP ainda chora pela URSS”

    1. Eu tenho uma foto em que estou junto a essa parte do muro, em Novembro de 1991, altura em que estudava na Alemanha. Aqui a pintura está realmente melhor.

      1. Houve uma polémica quando retocarm os graffiti. pelo que li uns foram restaurados mas pintaram por cima de outros que já lá estavam. Claro que houve quem não tivesse gostado.

          1. O PCP deve ser contra graffiti no Muro, Pedro. Do lado leste nem lhe podiam chegar perto quanto mais pintá-lo. Os graffiti são expressão do capitalismo infame.

          2. Pelo menos neste caso eles têm razão, Leonor. Esta imagem do camarada Brejnev a beijar apaixonadamente o camarada Honecker é obscena. Só faltava o camarada Ceausescu para um ‘ménage a trois’.

          3. Sim, é nojenta, não tanto a imagem mas mesmo o beijo deles.
            E por baixo diz: ‘Mein Gott, hilf mir diese tödliche Liebe zu überleben?’ que é como quem diz ‘Meu Deus, ajuda-me a sobreviver este amor fatal’.

  1. “…Gostava de saber se António Filipe, actual vice-presidente da Assembleia da República, o ex-secretário-geral comunista Carlos Carvalhas, o antigo líder da bancada parlamentar do PCP, Octávio Teixeira, o deputado Honório Novo e o dirigente máximo da GCTP, Manuel Carvalho da Silva, entre vários outros conhecidos militantes do partido, se revêem nesta linguagem saudosista de um regime que já foi condenado sem equívocos pelo povo russo e pela História. …”

    claro que revêem, por isso mesmo ainda estão lá na agremiação, pensando que todos os outros é que no fundo estão errados. Nesta religião também há,quando necessário,cristãos-novos…

  2. No rol das perguntas aos perguntados, gostaria de perguntar ao S.Geral do PCP -Jerónimo de Sousa se o partido comunista russo estivesse no poder (lagarto,lagarto) ele dava uma beijoca daquelas ao seu homologo camarada?

      1. Também me parece um macho latino portugues… mas um beijinho na testa lá teria que ser… por respeitinho e cortesia!

  3. ” O mundo era menos injusto, menos desumano menos perigoso”
    O PCP, deve estar a referir-se ao lado ocidental, (onde de facto se vivia melhor que hoje), porque do outro lado da cortina de ferro, a vida dos seus cidadãos era um pesadelo.

  4. A direcção ultra/ortodoxa ( excepção Agostinho Lopes) do PCP dá-se ao luxo de controlar completamente o “Avante” e restante mídia do partido: Os “moderados” não falam porque têm de obedecer ao “centralismo democrático” – a opinião maioritária é a oficial e só esta pode ser transmitida.

    1. O sector moderado do PCP não tem qualquer expressão nas páginas do ‘Avante’, o maior reduto do sector mais extremista do partido. Concordo: Agostinho Lopes é a excepção à regra na direcção partidária.

  5. Só para dizer que tenho uma fotografia igual, porque o resto que poderia dizer sobre o comunicado seria mais do mesmo – tal como estes comunicados saudosistas e tendenciosos.

  6. Boa noite camaradas e amigos,

    Eu não quero responder ou tentar mudar a mentalidade dos usuários que fazem este tipo de comentários, mas estava a ver alguns blogues onde acabei por encontrar este, e sinceramente preferia não o ter encontrado para não ter de ser “forçado” a deixar a minha opinião. De facto, estes comentários não passam disso mesmo, não passam de comentários de pessoas sem o mínimo de conhecimento do que falam. Eu tenho 55 anos, actualmente vivo em Portugal e adoro este país, mas eu nasci na República Democrática Alemã e lá vivi até à queda do Muro de Berlim onde já tinha atingido os meus 32 anos. Viver na RDA não era um “pesadelo” como é aqui mencionado, mas sim, o alcance de uma sociedade desejada. Eu tinha casa, carro, emprego e nunca passei fome… eu digo com orgulho que vivia bem! Só quem viveu esse período e nessa época poderá falar, não quem apenas fala com base em dados publicados na internet, pois muitos ex-cidadãos da Alemanha de Leste sentem o mesmo que eu. O desporto, a cultura, a arte, a educação e etc. são valores do Socialismo… valores esses que hoje em dia não existem pela tomada de posse do Capitalismo. Se o socialismo colapsou, o capitalismo também vai colapsar… mais cedo ou mais tarde. Abraços.

  7. Os covardes comunistas só falam de “revolução”, mas nunca fizeram uma revolução “anticapitalista” de medo de covardes bandidos! Por isso que em 1989, a Rússia(1991) e a Europa do Leste derrubaram os criminosos Bundas Moles Comunistas em Um dia! Em Portugal, os Bundas Moles Comunistas vão fazer “revolução” quando eu vou ser Papa em Roma! Não tem merdeiros mais covardes do que os assassinos comunistas!

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