«Não me venham com piedosos discursos de compreensão ou desculpabilização, sobre os jovens [britânicos] perdidos, sem trabalho, sem futuro, sem horizontes. Estes são meninos sustentados pelo sistema social inglês, que tão caro custa a quem o paga, com os impostos do seu trabalho. São meninos que têm acesso a um ensino de excelência, que vestem roupas de marca e ténis mais caros do que sapatos de pele de crocodilo, que usam os últimos modelos de telemóvel, iPad e iPod, computadores e tudo o resto. O que lhes falta é apenas (e eu sei que é muito!) pais que os eduquem. Que gastem nisso mais tempo, energias e paciência. Mas eu bem vejo estes hoods nos pubs do Algarve, no seu melhor estilo: a embebedarem-se com litradas de cerveja até caírem para o lado a vomitar.
(…) E é difícil não concordar com [David] Cameron, quando ele diz que se aqueles hoods têm idade para cometer crimes públicos também têm idade para responder por eles. Um princípio elementar de justiça social exige que ninguém possa ser privado de oportunidades – de saúde, educação, habitação, trabalho ou apoio social. Não queremos ser governados de acordo com a doutrina do Tea Party americano, que é o faroeste da política e da vida em sociedade. Mas também a ninguém, seja qual for a sua condição, deve ser concedido um estatuto de direitos sem deveres. Aqueles a quem nenhum dever é exigido para com a comunidade são os primeiros a desprezar as regras da vida colectiva. Eles não sabem, ou não querem saber, que a qualquer direito de que gozam corresponde um dever que alguém que cumpriu para que eles o possam ter. E isso ensina-se em casa e na escola. E, quando a casa e a escola falham, ensina-se nos tribunais.»
Miguel Sousa Tavares, no Expresso (de ontem)


Impressionou-me saber que alguns destes miúdos são já a terceira geração na família a viver de subsídios de inserção social. É o tal estatuto de direitos sem deveres, que significa que algo está muito mal nesta realidade.
O artigo do Miguel Sousa Tavares acerta no alvo. Diz coisas incómodas, é certo. Mas até por isso mais relevantes. Não pode haver direitos sem deveres.
sobre os direitos e deveres de cada um e o lugar onde isso se ensina, a opinião do MST é muito, muito redutora (casa e escola ou tribunais? é mesmo de outro tempo).
então e a vida sindical, profissional, política, a intervenção cívica (de forma abrangente).
pronto, está bem o MST acha que os desordeiros da inglaterra são todos menores e em idade estudantil.
mas esquece que o princípio de que “não pode haver direitos se não houver deveres” aplica-se, na sociedade, a quem “não pode”, porque quem “pode” cai fora desse princípio, ficando-se pelos direitos.
Vejamos estes exemplos trazidos nestas notícias recentes tão interessantes, e por enquanto ainda por abordar nos blogues do burgo:
“O Exército incorporou este ano mais de um milhar de voluntários, na categoria de praças, sem ter autorização do Governo que lhe permita cumprir as obrigações financeiras daí resultantes, soube ontem o DN….
O Governo decidiu que “não haveria lugar a qualquer devolução”, pelos militares, das verbas que as Finanças consideram ter-lhes sido pagas de forma ilegal na integração para a tabela única da Função Pública…
Serão entre 30 e 40 mil – um terço do total – os professores que estão nos 8.º, 9.º e 10.º escalões da carreira e, por isso, escapam à avaliação de desempenho, de acordo com o modelo proposto pelo ministro Nuno Crato…”
não pode ter Direitos quem não tenha deveres? só para quem “não pode” mesmo.
O MST “pode ser de outro tempo”, como você diz. Eu acho que não: estas lições básicas aprendem-se em casa, seja em que tempo for. Não sei se você tem filhos: se tem, certamente transmitiu-lhes estes princípios elementares.
Não pode haver direitos sem deveres: eis um princípio básico de qualquer sociedade onde não reina a lei da selva. E não podemos condenar os ‘hooligans’ a destruir estádios por essa Europa fora e bares algarvios nas férias de Verão que fazem por cá enquanto ‘compreendemos’ o ‘hooliganismo’ à solta nas principais cidades britânicas.
Quando prenderem os paizinhos em vez dos putos de 10, 12 anos, talvez os miúdos comecem a piar mais fininho…