no tempo em que éramos felizes não chovia.
levantávamo-nos juntos, abraçados ao sol.
as manhãs eram um céu infinito. o nosso amor
era as manhãs. no tempo em que éramos felizes
o horizonte tocava-se com a ponta dos dedos.
as marés traziam o fim da tarde e não víamos
mais do que o olhar um do outro. brincávamos
e éramos crianças felizes. às vezes ainda
te espero como te esperava quando chegavas
com o uniforme lindo da tua inocência. há muito
tempo que te espero. há muito tempo que não vens.
José Luís Peixoto, A Criança em Ruínas

Que bonito, Leonor! Nunca tinha lido poesia do JLP mas agora vou procurar mais.
Eu gosto muito da poesia de José Luís Peixoto mas mais deste livro do que de Gaveta de Papéis que é o último. Recomendo, Cristina 🙂
Não conhecia, fiquei com vontade de conhecer mais. Os blogues também servem para isto. Tiveste uma excelente ideia, Leonor.
Vale a pena ler José Luís Peixoto, embora seja quase sempre uma escrita marcada por um tom depressivo. Ele tem ou tinha umas crónicas no Jornal de Letras fantásticas e às vezes também aparece na Visão.
Li com dificuldade um romance dele, salvo erro chamado ‘Nenhum Olhar’. Bem escrito, mas demasiado deprimente para o meu gosto.
Só li Cemitério de Pianos e o primeiro livro dele Morreste-me, além da poesia.