Um museu a visitar


Ana Lima,

Não há descrições da região do Douro que não falem da dureza do trabalho que teve que ser levado a cabo para construir uma paisagem como a que vemos quando percorremos as margens do rio. Miguel Torga escrevia, num dos textos mais conhecidos: “No Portugal telúrico e fluvial não conheço outro drama assim, feito de carne e de sangue…”. Não que seja sequer comparável mas, até para percorrermos os caminhos, feitos de subidas  e descidas, curvas e curvas e mais curvas precisamos de travar uma batalha, nós que estamos agora habituados às auto-estradas e vias rápidas. Mas, chegados ao nosso destino, sentimos que naquela batalha não houve vencidos pois se é o rio que impõe o seu ritmo ao viajante é este que se sente como se fizesse já parte daquela paisagem.

  

 

Foi essa sensação de pertença àquele lugar que, tenho a certeza, os arquitectos do museu do Côa (Tiago Pimentel e Camilo Rebelo) sentiram quando visitaram o lugar onde se construiria depois o edifício que actualmente se ergue não muito longe da foz do rio com o mesmo nome. A interferência humana na paisagem está ali bem presente mas é respeitadora  da organização que a natureza impôs e, no seu exterior, é possível observá-la em toda a sua beleza.

 

 

E depois há o interior onde podemos aprender muito sobre a ocupação do vale ao longo da história; sobre as gravuras; ver materiais recolhidos e réplicas magníficas; perceber as fundamentações das várias teorias; conhecer os aspectos mais técnicos do trabalho desenvolvido até agora.

 

 

Por todas estas razões é um local a não perder antes ou depois da visita aos núcleos das gravuras propriamente ditas. E nem é preciso estar de férias. Um fim de semana é suficiente. Além disso é uma oportunidade para percebermos que valeu a pena preservar aquele património que, desde 1998, é de toda a humanidade.

11 comentários em “Um museu a visitar”

    1. “…soube a definição na minha infância,mas o tempo apagou as linhas que no mapa da memória,a mestra palmatória desenhou.
      Hoje, sei apenas gostar duma nesga de terra debruada de mar…”

      e ainda lhe chamam rústico e lapuz e sertanejo, sei mais o quê…

      é cá dos meus,como o Aquilino,o João Araújo Correia, o espanhol Miguel Delibes, malta que viu nascer o sol em chapadas de granito regeladas de geada e “estoirou” pulmões atrás de codornizes em Agosto…uns brutos certamente…
      desculpem o desabafo, estou tão farto “disto” …

        1. sabe porque ainda aturo o aeroporto ? gosto do cheiro do jet-A1 e gosto de aviões e pude,in illo tempore, tirar o brevet de planadores e assim aprender a gostar do “ruído” do silêncio do que é,realmente, voar.

          mas estou tão “cansado”…

  1. Lindo, o Douro! Calejado, belo e inacessível. Miguel Torga é a chave.
    Especialmente aquele trecho do Entre-Douro-e-Minho, que como alguém dizia, é a síntese da paisagem portuguesa.
    A visitar justamente nesta época, Ana. Também acho.

    1. Sem dúvida. Se bem que o Pedro tem razão. Na época das amendoeiras em flor a região do Côa é linda. Quanto ao Douro desta vez fui a lugares que não conhecia e que foram uma surpresa. Acho que vou aproveitar e falar deles por aqui.

      1. Fico atenta ;.) Sou uma portuguesa do centro com os costados todos nortenhos, mas acho que não há canto em Portugal de que eu não goste. É uma boa causa, Ana.

  2. Gosto muito desta paisagem. A visita ao rio Côa, onde se encontram as figuras rupestres, deixou-me deslumbrado. Hei-de lá voltar quando estiverem as amendoeiras em flor.

    1. Boa ideia, Pedro. Nessa altura fica tudo ainda mais bonito. E com tantas gravuras que ficaram por ver tenho a certeza que também lá regressarei.

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