Fim da tarde, livraria num centro comercial em Gaia. «Repare!» Ergo os olhos de Vieram como Andorinhas, de William Maxwell (adorei Adeus, Até Amanhã). O funcionário, rapaz de trinta anos, se tanto, pega num livro do expositor de forma aparentemente aleatória, consulta a etiqueta do preço e estende-o, com a etiqueta para cima, a um homem com cerca do dobro da idade dele. «Dezanove euros! Não custa mais do que dois ou três a produzir! Mesmo tirando os trinta por cento para o vendedor, é um negócio da China!»
O editor de livros, esse expoente do capitalismo, visto pelo intermediário (ou, vá, por um funcionário do intermediário com tendência para a simplificação)
escafandro,

O troll do empregado, por isso ele é um simples empregado com trintas, não percebe o que é um livro…se ele o fizesse…
Troll é capaz de ser exagero, conservador. Agora que não percebe muito de livros e não é bom vendedor (e, logo, bom funcionário) parece-me óbvio.
Limitou-se (sem respeito pelo patrão) a dizer a verdade.
A verdade, João Severino? Mesmo assumindo que o custo de produzir o objecto (papel, tintas, lucro da tipografia, etc.) são de facto dois ou três euros por exemplar (não faço ideia se são), então e os direitos de autor? E os custos logísticos? E os custos fixos de qualquer empresa? E os custos de divulgação? E os custos decorrentes de restos de edição? E, quando existem, os custos de tradução? E o IVA? Eu não tenho ligações ao mundo da edição mas uma abordagem como esta é, no mínimo, simplista. E, infelizmente, muitas vezes aplicamos esta lógica a muitas outras áreas.
Se os custos que menciona fossem significativos o livro custaria 50 €. As editoras ganham o grande bolo. Os autores que o digam…
Não percebo a lógica, João. Se os custos fossem significativos, os livros custariam 50 €; como custam 20 €, os custos não são significativos e os editores ganham bateladas de dinheiro?
Efectivamente, como diz.