Uma das imagens mais iconográficas da história da ficção televisiva é a de um indivíduo mal vestido, com uma gabardina suja, de andar trôpego e um eterno charuto apagado ao canto da boca. Se o víssemos por aí na rua nada daríamos por ele. Mas este indivíduo de ar insignificante era afinal um dos mais inesquecíveis detectives da televisão: Columbo, magistral criação de Peter Falk, marcou todos os telespectadores da década de 70. Produzida pela NBC entre 1971 e 1978, esta série americana dessacralizou a figura do detective, equiparando-o a um homem comum. Columbo tinha um verdadeiro achado como chave de argumento: desde o início, o espectador sabia quem cometia os crimes. O suspense jogava-se todo na observação da insólita actuação deste detective sem garbo, que quase até ao fim parecia baralhado com o labirinto de indícios que lhe surgia pela frente. Cada episódio terminava com Columbo partindo na noite, sempre de gabardina surrada e charuto sem chama. Cumpria o dever de polícia como se fosse o primeiro a espantar-se afinal com as suas espantosas capacidade dedutivas. Um perfeito exemplo de anti-herói.
Publicado originalmente aqui

Fico com vontade de tirar o que escrevi abaixo, compadre.
Nem penses, compadre. Se não fosse o teu texto aí de baixo nem me passaria pela cabeça ir desenterrar este ao meu baú.
Como sempre, a definição perfeita, Pedro.
Seria exactamente isso que eu gostaria de saber escrever, mas que leio atentamente, como se cada palavra fosse minha.
Hoje, Peter Falk e Columbo, duplamente aqui lembrados.
Mereceu, sem dúvida.
Ainda bem que gostou, cara amiga. Este é um texto típico de geração: fui espectador assíduo e fiel daquela série, que me fascinava não só pelo desempenho do Peter Falk como também pela inversão à norma das regras do ‘suspense’ que refiro no meu texto. Um verdadeiro achado.
Ipsis verbis.
Na grande maioria das vezes, os anti-heróis são altamente eficientes, e não precisam de acessores de imagem.
Columbo, que eu saiba, nunca precisou de assessor de imagem. Hoje não teria hipótese de passar nas séries-tipo-CSI, onde o pessoal é todo muito chique e muito giro e muito fashion.
“produzida pela NBC entre 1971 e 1978” – já vi, nos comentários à publicação original no Corta-Fitas, que se fala da realização de episódios posteriores. Na verdade, se o Pedro morasse na Alemanha, tinha visto mais uma data deles, que se realizaram quase até ao ano 2000. A televisão alemã transmitia-os a todos, com o Peter Falk já bastante idoso. Poder-se-ia pensar que a figura perdera a magia, mas não, foi excelente até ao fim. Ah, e os episódios antigos são aqui muito repetidos, o Pedro deliciava-se…
Na verdade, o último episódio de Columbo data de 2003:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Columbo
Desconhecia por completo, Cristina. Agradeço-lhe a referência.
Hoje, às 22.15 (21.15 em Portugal) é transmitido o episódio “It’s all in the game”, de 1993, com a participação de Faye Dunaway, no canal Super RTL. Este episódio foi nomeado para três globos de ouro.
Isto, só por curiosidade, pois, mesmo que o Pedro tenha acesso ao canal, aviso-o já de que o filme está dobrado em alemão 🙁 Um sacrilégio, eu sei, mas, depois de quase vinte anos na Alemanha, já estou habituada.
Aliás, o Canal Super RTL transmite episódios de Columbo todos os Domingos, a esta hora.
http://www.superrtl.de/ – a homepage do canal. Nos destaques, que passam tipo slides, está o Columbo desta noite (destaque nº 2).
http://www.superrtl.de/SUPERRTLSerien/Co lumbo/tabid/78/Default.aspx – andando para baixo, encontra uma janela com “Bildergalerie: 40 Jahre Columbo”, que é uma galeria de 15 fotos de 40 anos de Columbo. As legendas são em alemão, mas pode ver as fotos 😉
Obrigado, uma vez mais, Cristina.
Não esquecer a fantástica participação de Peter Falk como Columbo em “Asas do Desejo” de Win Wenders…
A carreira de Falk no grande ecrã daria pano para mangas – no fundo, daria um outro texto. A começar pelo seu baptismo no cinema, em 1961, pela mão do genial Frank Capra, em ‘Pocketful of Miracles’. Um chegava ao cinema, outro despedia-se dele.
espectácular a lembrança. eu devia ter uns 10 anos, o columbo era especial, até hoje trago na memoria , a música da série , que era assoviada…
as memórias que conservamos, Luna… é algo quase inexplicável.
Columbo,inspector um pouco esquisito naquela época.Magnifico desempenho de Peter Falk.
Era o meu “heroi” a sua gabardine,e aqueles esquecimentos no final de uma conversa,que o obrigava a voltar e a dizer algo mais,que no fundo era o essencial.Inesquecivel Columbo.
Ze
Inesquecível, sem dúvida.
Boa tarde!
A isto, chama-se “elevação” e respeito, algo muito arredado de alguns fóruns,… infelizmente!
Para além de gostar imenso da Série e da personagens e de achar deliciosa o forma como sintetiza o “homem” e o que ele representa e representou, a dimensão dos comentários deixa-me feliz. Sim, feliz, porque os comentários de outros fóruns são hediondos!
Parabéns a todos!
Obrigado pelas suas palavras, Alberto Moreira.