Vejo-os em campanha, rodeados por apoiantes que só os planos fechados das televisões conseguem elevar para um número razoável, oiço-os a falarem de quezílias que só a eles interessam e entendo porque os resultados das sondagens são esquisitos.
Se algo se percebe neste circo é que as circunstâncias podem até ter mudado, mas eles não. Em plena crise de confiança entre eleitores e partidos, eles disputam eleições evitando falar claro sobre governação, contornando todas as questões que têm relevância para as pessoas que querem conquistar, revelando falta de coragem e um medo mesquinho de perder votos.
Quando se torna claro que a salvação do país depende de uma revolução de costumes que inclui também uma nova forma de estar na política, oferecer ao eleitorado o folclore regulamentar é frustrar legítimas expectativas. Admiram-se que as sondagens não descolem do imobilismo na intenção de voto quando tudo o que os partidos têm para oferecer aos indecisos decisivos é mais do mesmo?
O que as sondagens traduzem não é apatia, nem desinteresse, nem tão pouco a falta de salero que nuestros hermanos revelaram ao varrer olimpicamente os socialistas do poder. O que espelham é uma triste e tremenda falta de esperança.


Tens razão, Teresa. Mas, o PP espanhol também não é propriamente uma solução entusiasmante. O que me leva a concluir que os espanhóis são menos tolerantes em relação a certos erros.
Rui, à minha volta também vejo a maior parte das pessoas muito decepcionadas com o governo. Mas muitas também sem o menor entusiasmo com as alternativas que se apresentam.Várias dizem-me que vão votar em branco. Não há voto mais triste que o voto em branco. A avaliar pelo que oiço, deve ser elevada a percentagem dos que vão votar assim.
Também me parece, Teresa.
Pode ser que Passos, que por enquanto não tem rabos de palha, arranje força moral para não se deixar enrolar por banqueiros, corruptos, empreiteiros, e sindicatos dos comboios e dos hospitais.
Mas alem dos rabos de palha, tambem não pode ter medo de arriscar tudo!
“O voto branco é desistir do País” (Francisco Louçã)
Discordo de Louçã, Pedro. A abstenção será uma desistência, o voto em branco é sempre um voto de protesto.
Nunca votei em branco e já estou velho para mudar.
“Será que o povo português no seu conjunto, os camponeses do Norte, por exemplo, será hoje constituído por cidadãos livres e capazes de votar em todo o sentido que esta palavra implica, ou não estará ainda capaz”
Jean-Paul Sartre, numa conferêcia de imprensa em Lisboa em Abtil de 1975, citado de
“Notícias Sábado”, s/d
Em “Uma Longa Viagem com Saramago” João Céu e Silva, pergunta-lhe se a tese do voto em branco, expressa no “Ensaio Sobra a Lucidez”, tinha sido uma provocação.
Saramago confirma e explica:
“Porque uma democracia que não se decide, que não sabe que uso fazer dos votos expressos – ou que às vezes sabe muito bem o que é que há-de fazer dos votos expressos, exactamente o contrário daquilo que foi prometido aos eleitores, chega a um momento em que faz uma pessoa perder a paciência. Há quantos anos é que andamos a meter papéis dentro de urnas? Uma quantidade deles e continuamos a fazê-lo porque a democracia é muito boa e, portanto, é preciso levá-la a toda a parte para que mais pessoas metam papeis dentro de uma urna (…) Isto é também uma comédia, só que uma comédia que tem consequências muito graves e uma delas é que da democracia à demagogia vai um passo – que está constantemente a ser dado, pois os políticos não respeitam a sua própria palavra”.
“O que espelham é uma triste e tremenda falta de esperança”
É bem verdade. Que esperança tenho eu com a qualidade destas pessoas ligadas á política? sim, porque politicos são outros, com outra qualidade. Esses, os bons, não se querem misturar com esta ralé.