Numa boa entrevista conduzida por Tiago Pereira para o jornal i, o escritor Onésimo Teotónio Pereira – açoriano radicado nos Estados Unidos, o que o leva a encarar o Atlântico como “um rio” – ensina-nos através de uma pequena história o que é a ironia, arte muito pouco cultivada em Portugal.
A história é esta:
«Um tipo vai a uma casa de chá, onde estão senhoras educadas, e pergunta: “Há aqui algum sítio onde se possa mijar?” As senhoras respondem: “Olhe, o senhor naquele corredor vira à direita, na segunda porta está escrito cavalheiros”. Não faça caso, entre.»
Admirável ironia, tão rara aos nossos ouvidos, muito mais treinados para escutar sarcasmos.


Conheci Onésimo Teotónio Pereira recentemente, na Terceira, onde foi fazer uma conferência, coisa que faz praticamente parte do seu dia-a-dia, nos EUA e fora. Além da vastíssima obra publicada, é um homem tão brilhante quanto simples e tem esse dom extraordinário de nos fazer aprender sempre algo mais. Quase sempre, com a ironia que cultiva sobremaneira.
Subscrevo, João. Tem um sentido de humor único.
É um excelente escritor, Patrícia e João. Infelizmente menos conhecido entre nós do que devia. O facto de estar longe, e de não frequentar certas capelinhas de Lisboa, contribui para isso.
E devia cultivar-se mais, para não perdermos a preciosa herança do Eça. Hoje em dia a maior parte das piadas são mais parecidas com escritos de porta de wc público: óbvias, alarves e de cheiro duvidoso.
De facto, Ana, a ironia parece quase erradicada do nosso quotidiano. Substituída pelo sarcasmo mais grosseiro. Até na política se nota isso. Ou sobretudo na política.