Mais de sessenta pessoas à minha frente, caras que vou reconhecendo, alguns nomes que decoro, mas que não sabem que morro de medo de trovoada. Por isso, no meio de uma oficina de escrita na Casa Fernando Pessoa, maldisse São Pedro, respirei fundo e atirei-me à coisa, quer dizer, aos textos e opiniões dos diferentes escribas. Porque vos escrevo sobre isto? A façanha não é o ter superado o medo, é saber que existem mais de sessenta almas, de vários géneros e idades, profissões e meios, credos e origens, que se reunem à volta dos livros e dos textos e o fazem sem sentido crítico destructivo, apreciando a escrita do outro, ouvindo atentamente o outro. É um feito e muito bom de se partilhar, especialmente por estes dias em que maldizemos tudo, do emprego ao tempo, do dinheiro às relações humanas (estas que teimamos em dizer que temos mas que são, tantas vezes, mantidas somente por sms ou por email).
As pessoas à minha frente estão descontraídas, têm os telemóveis desligados, e aproveitam as duas horas e meia em que estão juntas. Mesmo que eu morra de medo de trovoadas.

Já eu, tenho verdadeiro fascínio por trovoadas. Se lá tivesse estado, Patrícia, largava tudo e ia para a janela…