E mai nada!


Teresa Ribeiro,

Mas afinal qual é o problema de arrastar uma gaja grávida pelos cabelos, obrigá-la a fazer sexo oral, depois atirá-la para um sofá – reparem, um sofá, que até é confortável – para copular? Desde que o mundo é mundo fazem-se coisas destas. Violência? Violência é um gajo ter vontade de arrastar uma gaja pelo cabelos para fazer sexo e não poder. Violência é isso. E quem não percebe isto, não percebe nada. Não é, senhores doutores juízes?

28 comentários em “E mai nada!”

    1. «A força física destinada a vencer a resistência da vítima pressupõe que esta manifeste de forma positiva, inequívoca e relevante a sua oposição à prática do acto» e «a recusa meramente verbal ou a ausência de vontade, de adesão ou de consentimento da ofendida são, por si só, insuficientes para se julgar verificado o crime de Violação.»

      Isto é: mesmo em gravidez adiantada e em depressão diagnosticada, a vítima tem de debater-se fisicamente com afinco convincente para mostrar posteriormente marcas da luta.

      Conclusão: as decisões mais espantosas ainda são muitas vezes sustentadas por leis insustentáveis.

  1. Não vejo bem como é que se obriga uma mulher, grávida ou não grávida, a fazer sexo oral. Quero eu dizer, a mulher pode fechar a boca, antes ou depois de ter o pénis metido dentro dela (e se o fizer depois, irá de facto magoar gravemente o dito pénis – para alguma coisa servem os dentes). Além dessa possibilidade, a mulher pode aproveitar as mãos, se as tiver livres, para dar um valente murro nos testículos do homem, que nesse momento se encontram particularmente expostos – e, depois desse valente murro, o homem estará bem à mercê da mulher que, mesmo com pouca força e agilidade, lhe queira aplicar uns tabefes.

    1. hum…pode se desdentada, ter esquecido a dentadura e ter ficado com as mãos presas – não seria impossivel, pois não?

  2. Percebo muito bem a tua indignação, Teresa, e posso também não concordar com muitas das considerações feitas no acórdão, mas desta vez, e não obstante estarmos “na coutada do macho latino”, o relator até foi uma mulher. Não é pormenor despiciendo.
    Admito que as mulheres tenham uma particular sensibilidade para apreciarem este tipo de crimes e acredito que a decisão, mais a mais relatada por uma mulher e com um voto de vencido, não tenha sido fácil.
    Infelizmente, o Direito ainda não é como a Matemática e a natureza humana continua a ser uma coisa muito pouco transparente, como aliás resulta dos contornos escabrosos dos factos provados.
    Vamos aguardar para ver o que o Supremo dirá.

    1. Caro Sérgio
      Acho que a dita Juíza é um bocado, sei lá… imaculada para não dizer outra coisa!
      Nos factos não provados está o seguinte: “Não se provou que o arguido tivesse pedido à assistente para lhe acariciar o pénis.” Esta frase depois de ter dado com provado o sexo oral e o coito vaginal é das coisas mais incríveis que já alguma vez li.

      Só faltou a dita juiza escrever que Br… e Fo… tudo bem desde que não haja Pu…

      Só falta dizer que foi uma sentença anal

    2. Que o direito não seja como a Matemática, a gente até percebe…mas que seja parecido com uma lotaria…?!

  3. Sérgio, se é natural as mulheres terem particular sensibilidade para estes casos, infelizmente também é comum algumas serem ainda mais machistas que muitos “machos ibéricos”.

  4. A notícia, que contém extractos do acórdão (p. ex: “o simples desrespeito pela vontade da ofendida não pode ser qualificado de violência”!!!), é tão surrealista, que me pergunto como foi possível tal coisa. O facto de ter sido uma juíza não serve de argumento contra o machismo, há muitas mulheres que, infelizmente, são machistas (no sentido em que apoiam a conduta do “macho ibérico”). Eu tenho outra suspeita: a juíza, ou era conhecida do psiquiatra, ou deixou-se subornar por ele.

    “Violência é um gajo ter vontade de arrastar uma gaja pelo cabelos para fazer sexo e não poder” – excelente, Teresa, parabéns!

    1. Cristina, essas suas suposições constituem crime. São especulações graves, que na ausência de fundamentos é melhor nem sequer levar em consideração. Não é preciso ir tão longe para contestar esta decisão, um triste exemplo de uma cultura machista que até as mulheres ajudam a perpetuar.

          1. Entendi mal, desculpe, Teresa.

            De qualquer maneira, gostaria de sublinhar que se trata de uma mera suposição, se bem que inspirada nos obscuros caminhos por onde a justiça portuguesa, muitas vezes, deambula.

            Mas a Teresa tem razão, não é preciso ir tão longe para contestar esta decisão.

  5. E não se pode mandar o psiquistra e o colectivo de juizes (talvez sem o elemento que votou derrotado) para o Irão? É que eles lá estão a aplicar a justiça salomónica.

  6. Coisas esquisitas e rocambolescas neste caso.
    – O psiquiatra não era reincidente?
    – Sexo oral forçado?

  7. O que vale é que a magistrada explicou como se deve violar alguém em condições. Talvez assim aquele psiquiatra aspirante a criminoso aprenda a lição.
    Esta nossa “lei” tem coisas completamente surreais.

  8. Por norma, as sentenças saídas de violações chocam-me porque acho que uma violação não é tida pelo nosso código penal como um acto tão grave quanto eu o considero. Mas este caso choca-me particularmente. Quando soube do sucedido, confesso que me pus imediatamente a resmungar contra um sistema feito por homens, e que de certeza que foram juízes homens a decidir isto, etc e tal.
    A verdade calou-me. E deprime-me.

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