Regra 1 – A vida não é fácil: – habitua-te a isso.
Regra 2 – O mundo não está preocupado com a tua auto-estima. O mundo espera que faças alguma coisa útil ANTES de te sentires bem contigo mesmo.
Regra 3 – Não ganharás 10.000 euros por mês assim que saires da escola. Não serás vice-presidente de uma empresa com carro e telefone à disposição enquanto não os tiveres ganho por ti próprio.
Regra 4 – Se achas teu professor duro, espera até teres um Chefe.
Regra 5 – Virar frangos ou trabalhar durante as férias não está abaixo da tua posição social. Os teus avós têm uma palavra diferente para isso: eles chamam-lhe de oportunidade.
Regra 6 – Se fracassares, não é culpa dos teus pais. Então não lamentes os teus erros, aprende com eles.
Regra 7 – Antes de nasceres, teus pais não eram tão chatos como são agora. Eles só ficaram assim por terem de pagar as tuas contas, lavar tuas roupas e ouvir-te dizer como tu és fixe (e eles são “ridículos”). Por isso, antes de ires salvar o planeta para a próxima geração, querendo consertar os erros da geração dos teus pais, experimenta arrumar o teu próprio quarto.
Regra 8 – A tua escola pode ter eliminado a distinção entre vencedores e perdedores, mas a vida não. Em algumas escolas já não chumbas e tens tantas chances quantas precisares até acertares. Isto não tem a mais pequena semelhança com absolutamente NADA na vida real. Se não fizeres bem, estás despedido… RUA!!!!! Faz as coisas bem à primeira!
Regra 9 – A vida não é dividida em semestres. Não terás sempre os verões livres e é pouco provável que algum patrão esteja minimamente interessado em que te “encontres”. Trata disso no teu tempo livre.
Regra 10 – Televisão NÃO é vida real. Na vida real, as pessoas têm de sair do bar ou da discoteca e ir trabalhar.
Regra 11 – Sê simpatico com os marrões (aqueles estudantes que os demais julgam que são uns totós). Existe uma grande probabilidade de que venhas a trabalhar PARA um deles.
“Dumbing Down our Kids” by educator Charles Sykes
Nota: Encontrado aqui, com lógica, farta e imediata adesão da geração dos “pais à rasca”.


é um pouco assim, Ana.
“os mandamentos” até acabam bem, o 11º não deixa de ser cómico (e real…).
É bastante assim, Luís. Todos um pouco caricaturados, mas de uma realidade inegável.
Boa tarde Ana,
Sou suspeito porque sou um jovem estudante mas enfim, que lixo de texto. Espelha perfeitamente o problema do costume: o preconceito fácil, o argumento estereotipado, a generalização barata. As pessoas (os jovens neste caso) não são nem nunca foram objectos rotuláveis.
Há muito de errado na mentalidade dos jovens de hoje, eu sei disso (e entristeço-me com isso). Mas a crítica deve ser construtiva e não impregnada dessa típica condescendência pomposa e empolada que já fede de tão nojenta que é.
Manuel Xavier, nem precisava de dizer que é um jovem estudante… suspeito. Nota-se bem pela veemência da sua indignação. Talvez não acredite (ainda), mas garanto-lhe que, se estivesse na posição de pai, a sua leitura deste texto seria outra. Mas confesso que tenho algumas saudades dessa capacidade de enfurecer-me assim… hoje em dia sou mais pragmática. Ou mais cínica, dir-me-á. A verdade é que, salvas as sempre perigosas generalizações, acho que este texto se aplica à sua geração.
Pronto, dito isto fico a espera de mais pancada.
Pois claro que enfio a carapuça para evitar as insinuações mesquinhas logo de partida. E de facto acertei em cheio – e deixe-me enfiar a carapuça outra vez – de jovem tão fixe e cool que sou, só provei que a Ana foi novamente preconceituosa. Coloca-se no eterno pedestal da “experiência de vida” que muitos grown-ups tanto gostam de ocupar, e destrói qualquer argumento com os ditos paternalistas habituais.
Eu até me abstive de comentar o conteúdo do texto, e deixei-me pela forma. Perdoe-me a minha assertividade. É esse tom de superioridade que me fere o espírito. Eu bem sei como os jovens pensam Ana. Há muitos que pensam assim e outros tantos que não. E esse texto não espelha nada disso. Os jovens só têm a aprender com os mais velhos e mais experientes, não duvide que eu acho isso. Mas esse tipo de discurso só serve para desmotivar aquele universo de gente nova que realmente se preocupa e se empenha. Assim não.
E lá veio a pancada, como se esperava. Não espero que concorde comigo, Manuel Xavier, e se quiser chame-me preconceituosa as vezes que quiser. Mais uma coisa: eu não tenho de perdoar-lhe a assertividade, até porque não é coisa que tenha de perdoar-se. Quando muito, teria de perdoar-lhe a injustiça de chamar-me uma coisa que não sou: mesquinha. Não é meu costume fazer insinuações, costumo dizer o que penso com todas as letras. Mas dou o desconto ao seu tom inflamado de rainha ofendida, que faz com que não consiga sequer perceber até que ponto a arrogância e a suposta superioridade está do seu lado e não do meu. Coisas de cota paternalista.
E, já agora, desde quando é que classificar um texto de “lixo” é abster-se de comentá-lo?
Cara Ana Vidal,
Primeiro tenho a dizer-lhe que facilmente podemos aplicar este texto à sua geração – seja ela qual for .
Trata-se da geração das reformas antecipadas, das greves dia sim dia não, das pontes, dos créditos para ir de férias, da baixa escolaridade, etc., etc.
Como acho essas generalizações abusivas e injustas dou-lhe o meu caso pessoal: Tenho 28 anos, uma licenciatura e um Mestrado, ambos com boas notas (16) em Universidades Públicas (Univ. Nova de Lisboa). Por onde passei, a nível laboral, nunca tive 1 dia de férias pagas; subsídio de férias e/ou natal; protecção no desemprego ou doença de qualquer género. Fui sempre bastante elogiado e convidado a integrar projectos, a dar conferências, a escrever artigos, etc. Foi assim no ICS/UL; é assim na ESTG/IPP. Contudo, o meu “contrato” termina em Setembro e irei para a rua, independentemente – e pode-me chamar presunçoso – de ser o melhor profissional na minha área nesta casa; aliás o único com formação de nível superior. Qual é o meu crime? Simples, nasci em 1982 e não tive a oportunidade que outros tiveram de manter uma ligação definitiva a nenhuma instituição pelo simples facto que as admissões estão congeladas. Em Novembro serei pai e, mais uma vez, não saberei como será o meu futuro….por mais que faça e trabalhe nunca chega. É disto que me queixo! É isto que não acontecia na sua geração.
E queixa-se com toda a razão, Carlos! O seu caso é gritantemente injusto, e eu sei bem que não é único. Comecei por dizer que todas as generalizações são perigosas, mas também arrisco dizer agora que a sua atitude e qualidade não são a regra na sua geração… nem em nenhuma geração, aliás. Quem nos dera que assim fosse, isso significaria que o país não estava neste triste estado. 76936.html
Para que não restem dúvidas, fui à procura da minha defesa da sua geração naquilo que considero ser uma situação injusta. Leia aqui os meus comentários, se tiver paciência: http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/26
Se o consola (e calculo que não) também eu não tive nunca uma baixa paga ou direito a subsídio de desemprego, e trabalho há mais de 30 anos. Já criei postos de trabalho, já trabalhei por conta de outrem, mas a maior parte da minha vida profissional tem sido por minha conta e risco. Com uma enorme desvantagem em relação a si, quanto ao futuro: se eu perder o trabalho que tenho agora (não é um emprego que tenho, é trabalho) ninguém me dará outro com a minha idade. Mais: a minha reforma, se não juntar algum dinheiro por conta própria, haveria de merecer-lhe uma gargalhada. Você pelo menos ainda tem uma vida pela frente. E, ao que leio, a atitude certa para fazê-la render-lhe um futuro, aqui ou em qualquer parte do mundo.
Estive a ler os comentários que me enviou. O meu caso é semelhante ao do José Gomes André que, pelo que percebi, conhece mais aprofundadamente. Quanto à reforma que não terá, eu também não. Se não for pela falência da SS, é pelos descontos residuais que tenho efectuado. No entanto, tenho de facto essa vantagem de ainda poder tentar mudar a minha sorte e, sendo neto e filho único, eventualmente herdarei uma quantia que me garantirá uma velhice não muito má.
Vamos falando. Carlos.
Subscrevo e assino por baixo.
Por muito que os jovens digam que não, o texto espelha muitíssimo bem a realidade com uma deliciosa dose de humor.
É exactamente o que eu acho, André.
Assino por baixo. Esta geração indevidamente auto-intitulada de “à rasca” sofre do mal de fartura. Nunca lhes faltou nada, sempre tiveram tudo, do bom e do melhor, ao contrário dos seus pais, que tiveram de ir à luta. Esse é o grande problema desta juventude – uns meninos dos papás.
Que diabo interessa perder tempo aqui a comentar qualquer assunto se vocês não o publicam, censurando tudo, a eito, sem a mínima justificação. Para mim, este ‘delito’ acabou-se.
Beirão, publiquei os seus 2 comentários só para fazer-lhe duas perguntas:
1. Por que diabo (para usar a sua expressão) haveria eu de censurar um comentário que até é concordante? Fique sabendo, se é que ainda não reparou, que nem os discordantes eu costumo censurar.
2. Que diabo (plagio-o de novo) de impaciência é essa? Acha mesmo que temos obrigação de estar aqui “de serviço” todo o dia, só para não deixar passar meia hora sem publicar comentários? Desengane-se. Temos mais que fazer e uma vida lá fora.
Mas esteja à vontade em não aparecer mais por cá. Para mim, os seus comentários também se acabaram.
Ora bem, eu já não sou jovem (45), nem tenho filhos e, embora ache piada a certas regras (nomeadamente, a 4 e a 11), vou opinar de maneira diferente ao calculado. Porque eu acho que indignar os jovens não leva a lado nenhum. Isso, já os “velhos” faziam connosco e não achávamos piada, já eles nos diziam: “se tivesses que trabalhar no duro, como eu tive”; “tem algum jeito, essa roupa, essa música” e coisas semelhantes. Além disso, eu acho que os papás têm culpa, sim senhor!
Passando por cima da polémica gerada com o Beirão, ele, concordando, diz tudo: “Esta geração indevidamente auto-intitulada de “à rasca” sofre do mal de fartura. Nunca lhes faltou nada, sempre tiveram tudo, do bom e do melhor (…) esse é o grande problema desta juventude – uns meninos dos papás”.
Ora, os papás é que lhes facilitaram a vida, proporcionando-lhes tudo, do bom e do melhor, não os preparando para a “vida real”, poupando-os a canseiras e sofrimentos. E, agora, atiram-se os meninos às feras! Desculpem, mas não está bem! Se os papás não os prepararam para a vida, falharam a sua missão (e não estou a ser irónica).
Cristina, estamos de acordo em alguns pontos. É verdade que os pais habituaram mal esta geração, facilitando a vida aos filhos em tudo e não os preparando para a realidade dura que os espera. Fizeram-no por razões facilmente compreensíveis (e perdoáveis), sendo a mais importante o desejo legítimo e humano de proporcionar-lhes tudo o que eles próprios não tiveram na juventude. Mais: esses pais contribuíram para o estado lastimoso em que entregam o país aos filhos. Não poderia deixar de admitir isto, sabendo que é a geração dos pais a que tem estado no poder até agora.
Mas nada disso evita que esta geração tenha de acordar para a tal realidade dura que tem pela frente, seja de quem for a culpa. Estas regras – caricaturadas mas verdadeiras – reflectem essa realidade. E com algum humor… por que não?
Toda a vida houve confronto geracional e é saudável que assim seja, estranho seria que uns e outros tivessem a mesma opinião e a mesma linguagem. Já não estou é de acordo consigo em que não se possa indignar os jovens, como se eles fossem florzinhas de estufa. Isso seria continuar a ter a mesma atitude proteccionista que foi um erro. Indigná-los é abaná-los, fazendo-os sair de um torpor que – esse sim – é muito pouco saudável e ainda menos produtivo. Não é para atirá-los às feras, mas sim para fazer com eles as enfrentem.
Nota: o mais engraçado é que defendi há bem pouco tempo aqui esta “geração à rasca”, a propósito da canção dos Deolinda.
Sim, Ana, os pais gostam de proporcionar aos filhos uma vida melhor do que a que eles tiveram, mas incorrem facilmente no erro de os superprotegerem. Calculo que não será fácil encontrar uma fronteira entre o desejo de os ver felizes e despreocupados e a obrigação de os preparar para a vida. Como disse, não tenho filhos e “falar é fácil”. Penso, no entanto, que, se os pais tiverem consciência de que será igualmente útil que os filhos sofram desilusões ou falhanços e enfrentem desafios (sim, também durante a infância e juventude), apenas essa consciência já poderá ajudar. O importante é que eles, os pais, estejam lá, quando os filhos perdem o ânimo. Porque a verdadeira ajuda não é evitar que sofram desilusões e, sim, compreendê-los nos seus desgostos e infelicidades, dar-lhes os meios de saberem lidar com as agruras da vida (porque ela traz sempre agruras).
Permita-me, no entanto, chamar-lhe a atenção para o facto de que muitos pais fazem tudo pelos filhos por uma questão de comodismo. É verdade! Pela simples razão de que é muito mais fácil dar um peixe a um pobre que tem fome do que ensiná-lo a pescar. Neste último caso, é preciso perder tempo e ter uma paciência infinita para lhe explicar o processo, ficar a seu lado durante essa aprendizagem, apoiá-lo, aturar-lhe as primeiras tentativas desajeitadas, consolá-lo nos falhanços (e este consolo não passa por pescar por ele!), às vezes, fingir o resultado (ou melhor, pescar, sim, mas sem ele dar conta) para que ele não perca a motivação, etc., etc. Sim, é bem mais fácil, rápido e cómodo dar-lhe um peixe da nossa cesta cheia! Mas esse pobre estará novamente cheio de fome no dia seguinte, na margem do rio cheio de peixes.
O pior, na situação dos jovens de hoje, é que nunca aprenderam a pescar e agora, mesmo que o queiram, o rio já não tem peixes! O que os põe nessa situação absurda: gordinhos, bem tratados, com telemóveis e carros, vêem-se na necessidade de pescar. E é claro que gritam e protestam: “não sabemos e nem vale a pena aprendermos, porque não há peixes”. A melhor solução será uma terapia de choque, mostrar-lhes que berram de “barriga cheia”? Não sei…
P.S. Uma palavra para a imagem que ilustra o post, belo desenho, gosto muito!
Dou-lhe toda a razão, Cristina, mas, na situação em que estamos, temo que já não haja tempo para outra solução que não seja a terapia de choque.
Sim, as regras até são muito úteis e estão escritas com humor. Só não concordo com o tom fortemente acusatório da 6 e da 7. Acho que é essa a questão: mostrar aos jovens a realidade, tal como ela é, sim (mesmo que choque, tem mesmo de chocar); acusá-los de coisas, pelas quais eles só em parte são responsáveis, não!
De qualquer maneira, gostei do post, que gerou discussão e que acabou por me inspirar o “comentário da semana”. Obrigada!

É sempre útil a discussão, Cristina. Obrigada e volte sempre! 🙂
A minha geração anos 60/70 procurou resolver por si as dificuldades da época, trabalho no campo, estudo noturno e por fim, sem perspectiva de futuro, emigrou. A minha geração estava preparada para trabalhar duro, apta para executar serviços pesados.
Fomos treinados para sobreviver.
Essa experiência adquirida ajudou um emigrante, também Beirão, a enfrentar as adversidades da vida.
Concordo que o país tem a obrigação de olhar pelo futuro, apostando sempre no potencial humano jovem, não cometendo os mesmos erros do passado, afinal, a maior riqueza do país é o seu povo.
O momento é de união, não de confrontos de interesses em separado, Portugal só vai sair da crise, que a todos afeta, unido por um mesmo ideal, até lá, dificuldades, por mais tempo, vamos enfrentar.
Nesse ponto penso que estamos todos de acordo, CAL.
A Geração à Rasca é produto da ideologia – socialismo + aristocracia -dos papás.
E a Dívida que os Papás quiseram ou não ligaram vai ser paga principalmente por eles.
A economia é o que fazemos de útil uns aos outros.
Entretanto Milhões de Portugueses vão comprar milhões de produtos na próxima semana…coisas que querem.
Quantos Portugueses fazem coisas que os outros Portugueses querem?
Não entendo muito bem esse seu conceito de socialismo + aristocracia, Luckylucky. Pode explicar?