A tragédia da classe económica


cronicasnofeminino,

Raramente terei começado post algum com tanta vontade de escarrapachar nomes, assim uma espécie de anúncio à moda do Velho Oeste: WANTED mas hoje, ai hoje, logo hoje, passados uns meros dias sobre o anúncio fatídico da vinda desse tal FMI ou FEEF ou outra coisa qualquer que, surpreendam-se, vai ajudar a Banca, deu-me esta ímpeto. Foi logo pela fresca quando no meu mural facebookiano me anunciaram que nove dos nossos deputados europeus votaram contra uma proposta para que os voos com duração inferior a quatro horas passassem a ser em classe económica. E agora os nomes e os partidos, já agora: José Manuel Fernandes, Paulo Rangel, Regina Bastos, Carlos Coelho, Mário David, Maria do Céu Patrão Neves e Nuno Teixeira do PSD e Luís Manuel Capoulas Santos e António Fernando Correia de Campos do PS votaram contra. Numa altura em que são pedidos mais sacrifícios do que o conseguimos suportar não ficaria nada mal aos senhores doutores engenheiros arquitectos deputados, uma verdadeira realeza que não se pode sentir encunicada durante umas reles quatro horas e precisa desta afirmações bacocas de uma dignidade vã, dar o exemplo. Desengane-se quem acha que este país ainda tem viabilidade com gente desta. Não tem.

14 comentários em “A tragédia da classe económica”

  1. Leonor, com franqueza, estás a ser muito populista. Hum… cheira-me mesmo a inveja social. E não vale a pena invocares coisas de somenos como a moral, porque esse é um conceito muito ultrapassado. Diria mesmo que um tanto reaccionário. Ai, ai!

    1. Isso mesmo, Teresa. As saudades que eu tenho das delambidas das hospedeiras a lamberem-me as botas, cheias de sorrisos dependurados entre o champagne e os guardanapos de pano. Ai as mordomias!!!!
      :)))

  2. O mais grave, minha cara, é que quando se trata de serem eles a pagar, a maior parte destes “parolos”, que sempre viajou em turística, volta a viajar em turística e escolhe um hotel baratinho para poupar para as peúgas.
    Com o dinheiro dos contribuintes é que eles gostam de se sentir importantes e fazer umas flores.
    Ainda me lembro de alguns que quando chegava o Natal e os gabinetes eram inundados de cabazes, coisa a que eles não estavam habituados nas suas vidinhas anteriores, logo mandavam os motoristas encher as bagageiras dos carros e nem uma garrafinha ofereciam ao pessoal dos seus próprios gabinetes. Pior, nem obrigado lhes diziam.

    1. Mas esse é o ponto e, digam lá o que disserem, ninguém precisa de um voo em executiva num percurso até quatro horas. Acho um provincianismo e uma bimbice atroz. Mas é o país que temos, Sérgio.

  3. Estou de boca aberta. Claro que não vamos a lado algum, porque há sempre doutores, etc que acham que sacrifícios são para os pobres. E ninguém manda estes gajos darem uma curva? Caraças.

  4. Serviço público, Leonor. O teu ‘post’ é puro serviço público. Fizeste muito bem em deixar aqui os nomes desses deputados da eurocâmara – incluindo alguns que costumam navegar na blogosfera, como Paulo Rangel e Carlos Coelho. Como é possível, neste tempo de sacrifícios, tanta falta de consciência social?

  5. É que não tem mesmo. Por isso, nada como escarrapachar os nomes dessa gente. Como sempre, são os mais saloios e menos interessados em servir os outros.

    Se eu fosse líder de um partido, aqueles que tivessem feito o mesmo regressavam à base e à militância mais básica.

    1. Ora bem, João. Acho que se devia começar a fazer como num país africano cujo nome já não me lembro, mas que prendeu a selecção toda de futebol quando chegaram por terem perdido os jogos e dado mau nome ao país 😉

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