O seu nome é José. José Light. Very-light.


Rui Rocha,

Ao ouvir a entrevista de ontem de José Sócrates veio-me à memória a descrição de Enrique Rojas do Homem pós-moderno. O homem-light, assim o designa Rojas, substitui a ideologia pelo pragmatismo (vai mais uma parceria impúdico-privada?), a ética pela estatística (ah, a difícil escolha entre a utilização de séries curtas ou de séries longas!), a moral pela neutralidade e subjectividade (responsável, ele?), o compromisso pela alteração permanente de circunstâncias (“o mundo mudou”), os valores orientadores da conduta pelo hábito social e pela moda (tens feito jogging, José?). Para além do consumismo e do hedonismo (TGV, sempre e em qualquer circunstância!), Rojas identifica a permissividade e o relativismo como traços característicos do homem-light. O relativismo impõe a substituição da verdade pela utilidade face aos propósitos do mensageiro (ajuda externa, jamé!). O discurso tem o valor dos interesses de quem o profere o que, se bem virmos, é uma forma do mais puro absolutismo. Na verdade (termo que uso intencionalmente), não existe nada mais absoluto do que a afirmação de que tudo é relativo. A permissividade é o seu par indissociável. No momento em que tudo se torna relativo, tudo passa a ser permitido (os equívocos não se corrigem, negoceiam-se; a mentira converte-se em alteração metodológica; Teixeira dos Santos passa a ser a marca registada de um capacho complacente).  Sócrates, protótipo do homem-light, juntou à sua insustentável leveza a circunstância do poder. E isso converteu-o num very-light. Um foguete que sinaliza um percurso feito na contramão da realidade, indiferente à noção de limite. Infelizmente, foi precisamente no limite que, na realidade, a sua pesada herança nos deixou.

10 comentários em “O seu nome é José. José Light. Very-light.”

  1. Porque é que as pessoas continuam a julgar que Teixeira dos Santos é um capacho.
    É para mim inexplicável.
    Como aliás o era as constantes desculpas de que Teixeira dos Santos era empurrado por Sócrates e que sofria muito.

    1. Concedo que talvez seja demasiada complacência minha, Lucky. Será eventualmente a necessidade de ainda acreditar em alguma coisa, contra toda a evidência.

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