Quando leio que os portugueses já não podem voltar a contar com o Estado paizinho, apetece-me puxar da pistola. Qual paizinho? O que sempre nos explorou, cobrando impostos elevadíssimos sem que alguma vez se verificasse um justo retorno? Um paizinho que cria monstros e que não paga o que deve?
Se essa conversa, feita sempre em tom irritantemente moralista, fosse para as empresas, até entendia. Sabe-se que a subsidio-dependência grassa no nosso meio empresarial, das PMEs às grandes empresas do regime. Mas a reprimenda, percebe-se bem, é para todos. Dos calões dos desempregados, aos chupistas dos utentes do SNS.
Não discuto se vai ou não haver dinheiro para o Estado social. O mais certo é não haver, não apenas porque a evolução demográfica lhe é desfavorável, mas devido aos erros clamorosos de gestão que o tornaram insustentável muito antes da população entrar em crescimento negativo. O que critico é o tom em que tal é vaticinado, como que a anunciar o fim do regabofe a um bando de parasitas.
Esquecem-se os arautos da nova ordem social que tem sido este bando inerte a suportar as consequências da incompetência de quem os governa, através de uma carga fiscal cada vez mais pesada. Por isso parece-me particularmente insultuoso ler essas prosas ligeiras acerca do espírito tendencialmente dependente dos portugueses. Sobretudo agora, que andam a sugá-los até ao tutano. Se existe dependência, o melhor é antes de ligar a cassete ver, em boa verdade, quem tem sido dependente de quem.
Paizinho? Paizinho é a vossa tia, pá.


Penso que deveria consultar o orçamento de estado e ver onde se gasta o dinheiro.
Depois caso não tenha notado 20% do que gasta o Estado é pedido emprestado. Sim é o esse o défice real e não o que usa como termo de comparação o PIB.
E todos “ganham” uns mais que outros e directa ou indirectamente. Desde Funcionários Publicos, Pensões até utentes dos transportes publicos, quem tem contratos com o Estado etc etc…
Portugal precisa- vai ter de- de tirar vários milhares de milhões de euros da economia que só cá estão porque foram pedidos emprestados.
Viver com o que se produz.
As pensões são devidas a quem, durante uma vida de trabalho, descontou para o efeito. É essa a moral, Lucklucky. Acha mal?
A Administração Pública, o tal monstro, terá de sofrer reformas, claro. Mas convém lembrar que esse grande problema do Estado foi criado pelo Estado (ou pelos governos que o serviram, constituídos por algumas das famílias que agora enchem a boca a clamar contra a sua própria criatura).
Quanto aos subsídios, já que os portugueses andam meio ano a trabalhar só para os impostos, não lhe parece justo que tenham direito a alguns, ainda que poucos, benefícios?
é verdade, Teresa.
na hora do almoço vinha pela rua, ao passar por uma clinica, lembrei-me que se começarmos a pagar a saúde, a educação, etc, por inteiro, os nossos impostos (cada vez mais obscenos) vão servir para quê?
apenas para as negociatas e asneiras dos ministros mediocres que nos governam?
deviamos pensar todos em emigrar…
Nem mais, Luis Eme.
Boa, Teresa!!!!! 🙂
🙂
GRANDE TERESA, VAMO-NOS A ELES, ONDE É O ENCONTRO? ENXADAS, MARTELOS, SERROTES, SERVE TUDO….
tem toda a razão!
Não há paciência, cr.
Subscrevo por inteiro a sua opinião
Somos muitos de certeza, João Branco.
É assim mesmo, Teresa. Grande mulher de armas… 🙂
Eheheh!
A avaliar pela entrevista que está, neste momento (21:16PM), a ser transmitida pela RTP1, Portugal precisa de tomar medidas imediatamente.
Há que ajudar o entrevistado, aplicando a terapia adequada ao seu caso.
Não podemos esperar até Junho.
teresa, sempre a considerá-la
-:)
Mas isso é uma grande responsabilidade, Ana Cristina 🙂
“As pensões são devidas a quem, durante uma vida de trabalho, descontou para o efeito. É essa a moral, Lucklucky. Acha mal?”
Porque é que mantém o discurso binário – que se pode chamar de populista -em vez de passar para as quantidades ?
Qual foi o valor que as pessoas descontaram?
Descontaram o suficiente para as reformas que têm?
O Estado precisa de cortar 20% dos gastos, e se fizer um corte ao mesmo nível em todos os seus gastos quer dizer 20% de corte nas reformas.
Mudar o Estado poderia evitar um corte tão grande.
Mas é evidente que mudar o Estado não vai acontecer com nenhum partido existente por isso não espere muito diferente desses valores.
Espere mais depois porque o caminho para a pobreza é inexorável.
Como temos um divida muito alta vamos precisar de ter superavits e altos – ou seja não termos défice algo que nunca sucedeu em Democracia-para pagar dívida -pois neste momento já pagamos em juros cerca de metade do orçamento para a saúde. Por pessoa quer dizer que um Português já paga 500 Euros de juros ano.
Uma família de 4 paga 2000 Euros ano de juros.
Note-se que são só estes valores porque a dívida ainda não foi toda renovada.
Quando estiver a maior parte renovada espere gastar mais de 1000 euros juros por Português ou 4000 por família de 4.
Ou seja o Estado Social que viveu sempre para o dia á dia sem saber fazer contas gastará mais em juros que os gastos na saúde. Mas o dia a dia acabou e está a chegar o Futuro.
Muito bem, Teresa! Dá-lhes 🙂
Quantos são? Quantos são? Eheh!
Uma correcção, verifiquei o Orçamento de Estado para 2011 e cada português irá pagar de juros à volta de 630 euros (contas a 10 milhões de Portugueses) segundo as previsões do Governo a quando o orçamento…