“Erros” e “crimes” vistos pelo PCP


Pedro Correia,

 

O “erro” de Kadhafi, na perspectiva do PCP, não foi ter tiranizado um povo inteiro durante mais de 40 anos, suprimindo partidos políticos, liberdade de imprensa e liberdade sindical. O “erro” de Kadhafi, para os comunistas portugueses, não foi ter mandado prender, torturar e até assassinar quem se atreveu a contestá-lo, como sucedeu ao escritor Daif Gazal. O “erro” de Kadhafi, vem agora dizer o dirigente comunista Ângelo Alves, nas páginas do oficiosíssimo Avante!, ocorreu apenas nos anos mais recentes, quando decidiu «abraçar a “guerra ao terrorismo”». Isto num artigo em que a palavra “ditador” surge cuidadosamente colocada entre aspas, não vá algum militante lembrar-se ainda dos tempos em que o PCP enaltecia Kadhafi como uma espécie de Che Guevara do Magrebe. Um artigo em que não surge uma só palavra em defesa dos líbios que têm tombado no combate contra o coronel que os oprime desde 1969 – era Richard Nixon presidente dos Estados Unidos e Marcello Caetano substituíra poucos meses antes Salazar em Portugal. O “crime”, garante este membro da Comissão Política do PCP, está ali prestes a ser cometido pelos Estados Unidos e pela NATO, que “parecem querer lançar-se numa nova aventura militar”. Eis a teoria da pescada aplicada à geopolítica: antes de o ser já “parece” que o era.

Reparem na subtil diferença entre “erro” e “crime”. Nesta perspectiva, uma ditadura pode ser um erro mas o seu derrube será seguramente um crime. O que diria Marx destes seus discípulos entrincheirados na rua Soeiro Pereira Gomes?

14 comentários em ““Erros” e “crimes” vistos pelo PCP”

  1. Esta gente do PC nunca enganou, nem nunca enganará uma juventude esclarecida.

    Os crimes são sempre feitos pelos outros…

    Os outros que são os…inimigos.

    1. Os «erros» do «ditador» (entre aspas) nada são comparativamente com os «crimes» que segundo «parece» hão de ser cometidos pelos suspeitos do costume: os EUA de Obama e os países da NATO, onde vigoram democracias.
      Para o PCP, há ditadores bons, que levam aspas, como Kadafi, e há ditadores maus, sem aspas, como Ben Ali e Mubarak. Para um partido que considerava Brejnev um democrata é de registar alguma evolução…

  2. Por acaso é engraçado que NADA de o que se diz aqui é o que está no artigo do Avante! Tirando isso tudo bem…

      1. Às vezes convém à malta dizer alguma coisa acerca do PCP, não é verdade?! Eh pá… é uma chatice que não haja assunto para os tramar, então pura e simplesmente inventa-se! Inventa-se o que lá não está!

  3. Os comentários são descontextualizados e reflectem pouquíssimo aprofundamento sociológico em todos os quadrantes…pode afirmar com validação científica o que entender após estudar as matérias de facto. Lamentável qualidade…mas deve servir à sua agenda.

    1. Concordo consigo. Os comentários de Ângelo Alves são «descontextualizados e reflectem pouquíssimo aprofundamento sociológico em todos os quadrantes». Quanto à falta de «validação científica», também não podia estar mais de acordo: criticar os países da NATO porque «parecem querer lançar-se numa nova aventura» é pouco «científico» – para não dizer nada «científico»…
      Cumprimentos.

  4. “Diz o roto ao nu …Vocês, militantes do bloco, têm memoria curta porque no passado apoiavam (e apoiam , mas omitem por questões eleitoralistas) regimes como o da albânia de Enver Hoxha , a China de Mao ou até (surpresa para alguns jovens) a Coreia do Norte de Kim il-sung ….Não será necessário falar na matança que representaram para a humanidade! A falta de coerência e de verdade é notável…vocês deviam preocupar-se mais em procurar convergência de esquerda e atacar os verdadeiros inimigos PSD-PS-CDS e apêndices ) em vez de atacarem os vossos companheiros de luta…
    Já agora os mortos do povo líbio agradecem o apoio (coerente?!) do BLOCO!

  5. e agora seus ignorantes falam mal do kadaffi? era o país mais rico de áfrica agora é o mais pobre, se é que se pode chamar país a 5 paises diferentes

    1. Reafirmando o que escrevi há quatro anos: «Uma ditadura pode ser um ‘erro’ mas o seu derrube será seguramente um ‘crime’. O que diria Marx destes seus discípulos entrincheirados na rua Soeiro Pereira Gomes?»

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